A política, em sua essência, deveria ser o campo do debate de ideias e do reconhecimento democrático. No entanto, o que se assiste no cenário acreano atual, é o medo do próprio espelho personificado pela soberba cega do senador Alan Rick e sua recente investida judicial contra o Instituto Veritá – um espetáculo de autoritarismo e falta de humildade.
A decisão da juíza Lilian Deise Braga Paiva, do TRE-Acre, ao negar a suspensão da pesquisa que aponta o crescimento real da governadora Mailza Assis, não é apenas um ato jurídico; é um lembrete necessário de que fatos não podem ser amordaçados por conveniência política.
A sentença é um alerta a Alan, que se recusa a enxergar o óbvio. O que causa estranheza — e certa perplexidade — não é o questionamento técnico de uma pesquisa, direito que assiste a qualquer legenda, mas a motivação subjacente. Ao tentar impugnar um levantamento que o mantém na liderança, Alan Rick deixa transparecer um incômodo revelador: o medo da ascensão alheia.
A governadora Mailza Assis, com 32,9% das intenções de voto no cenário estimulado, demonstra uma vitalidade eleitoral que parece ferir o ego daqueles que já se consideravam “eleitos por antecipação”. A tentativa do senador de invalidar esses números, sob o pretexto de “vícios graves”, soa menos como zelo jurídico e mais como uma tática desesperada de quem se recusa a admitir que o jogo está aberto.
Não és o dono dos votos, senador.
Falta ao senador o que é fundamental em um estadista: a humildade de reconhecer o valor dos adversários. Ao agir de forma abusiva contra a livre divulgação de dados estatísticos, Alan Rick flerta com um autoritarismo perigoso, tentando controlar a narrativa pública a ferro e fogo. A liderança isolada na espontânea (44%) parece ter lhe dado uma falsa sensação de invulnerabilidade. O crescimento de Mailza é um dado da realidade que não será apagado por liminares.
É lamentável que, em vez de focar em propostas, o senador prefira o caminho da judicialização para tentar frear o entusiasmo em torno de uma gestão que começa a colher frutos e a se consolidar na opinião popular.
A decisão do TRE-AC foi pedagógica. Ao afirmar que a suspensão de pesquisas é uma medida “excepcional” e que não há indícios de fraude, a magistrada protegeu o direito do eleitor de ser informado.
“Não há prova inequívoca de perigo de dano irreversível”, disse ela.
O único “dano” que se percebe aqui é o ferimento na vaidade política de quem não aceita dividir o protagonismo. A tentativa de censurar os números é um desrespeito não apenas às instituições, mas ao próprio povo do Acre, que tem o direito de saber como o cenário se desenha.
O poder não se impõe pelo silenciamento dos dados, mas pela conquista da confiança. Enquanto o senador Alan Rick insistir em posturas arrogantes e autoritárias, ele corre o risco de descobrir, tarde demais, que a humildade é o primeiro passo para a liderança real, e não aquela imposta por força de decreto ou medo da concorrência.