Nesta segunda-feira (18), é celebrado o Dia da Luta Antimanicomial, que simboliza a defesa dos direitos de pacientes psiquiátricos e o tratamento de saúde mental em liberdade. O movimento nasceu na década de 1970, encabeçado por figuras como a psiquiatra Nise da Silveira, e tem como lema “por uma sociedade sem manicômios”.
Na literatura, algumas obras trataram do tema, que ainda é considerado complexo. As obras vão desde a exposição das condições desumanas dos antigos manicômios do país até reflexões sobre o que é a loucura e como vivem as pessoas em sofrimento psíquico.
Para promover a data, a CNN Brasil listou algumas obras para se aprofundar no tema. Entre elas estão autores como a jornalista Daniela Arbex e os escritores Lima Barreto e Machado de Assis.
Confira a lista de livros para entender a importância da Luta Antimanicomial:
“Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex
Nesta obra, Daniela Arbex desvenda em livro-reportagem os horrores e as violações de direitos humanos cometidos na Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Considerado o “Holocausto brasileiro”, as práticas no antigo manicômio vitimaram mais de 60 mil pessoas, internadas à força, muitas vezes sem diagnóstico de doença mental.
Entrevistas com ex-funcionários e sobreviventes resgatam a história do lugar, que torturou milhares de pessoas com o consentimento do Estado, entre 1960 e 1980. A obra é considerada um marco no jornalismo investigativo e expõe de forma avassaladora a realidade do tratamento de saúde mental no Brasil antes da reforma psiquiátrica e a mentalidade manicomial predominante da época.

- &]:indent-5 mb-3 break-words [ul>&]:relative [ul>&]:before:absolute [ul>&]:before:left-1 [ul>&]:before:top-2 [ul>&]:before:w-2 [ul>&]:before:h-2 [ul>&]:before:bg-red-600 [ul>&]:before:rounded-full marker:inline group-[.isActiveSource]:text-xl”>Título: “Holocausto brasileiro”
- Autor: Daniela Arbex
- Editora: Intrínseca
- Número de páginas: 280
“Diário do Hospício”, de Lima Barreto
O livro é um texto autobiográfico do escritor Lima Barreto, a respeito de sua internação no Hospício Nacional dos Alienados no Rio de Janeiro. Ele denuncia o racismo, a exclusão e a “cultura do doutor” que observa dentro do hospício, descrito por ele como um “cemitério dos vivos”.
As memórias são uma descrição de quem viveu na pele as práticas médicas voltadas para pacientes psiquiátricos no século 20, que desconsideravam as particularidades de cada diagnóstico e desumanizavam a figura do “louco”, aprofundadas pelo racismo e mentalidade eugenista da medicina da época.

- &]:indent-5 mb-3 break-words [ul>&]:relative [ul>&]:before:absolute [ul>&]:before:left-1 [ul>&]:before:top-2 [ul>&]:before:w-2 [ul>&]:before:h-2 [ul>&]:before:bg-red-600 [ul>&]:before:rounded-full marker:inline group-[.isActiveSource]:text-xl”>Título: “Diário do Hospício”
- Autor: Lima Barreto
- Editora: Companhia das Letras
- Número de páginas: 308
“Hospício é Deus: diário I”, de Maura Lopes Cançado
Publicado originalmente em 1965, “Hospício é Deus” é uma obra de relato de Maura Lopes Cançado, que mescla memórias da infância e experiências após sucessivas internações em hospitais psiquiátricos. Escrito em primeira pessoa, o texto reflete sobre os limites entre a razão e a loucura, deixando a cargo do leitor a percepção sobre a memória, a imaginação e a realidade.
A autora, falecida em 1993, permaneceu por décadas nas prateleiras esquecidas da literatura brasileira, após ter sua obra descoberta, tornando-se um dos nomes mais instigantes da literatura brasileira do século XX.

- &]:indent-5 mb-3 break-words [ul>&]:relative [ul>&]:before:absolute [ul>&]:before:left-1 [ul>&]:before:top-2 [ul>&]:before:w-2 [ul>&]:before:h-2 [ul>&]:before:bg-red-600 [ul>&]:before:rounded-full marker:inline group-[.isActiveSource]:text-xl”>Título: “Hospício é Deus: diário I”
- Autor: Maura Lopes Cançado
- Editora: Companhia das Letras
- Número de páginas: 288
“O Alienista”, de Machado de Assis
Parte de uma coletânea de contos de Machado de Assis, considerado o maior escritor brasileiro, “O Alienista” se destaca como obra fundamental para compreender o Realismo no Brasil. A história brinca com os limites entre a normalidade e a anormalidade, sob a perspectiva do médico Simão Bacamarte. Recém-chegado ao município de Itaguaí, ele abre um hospício e passa a questionar sua própria concepção sobre a loucura.
Narrada em terceira pessoa, a obra é carregada de críticas sociais características de Machado de Assis, que aborda com ironia as relações de poder, o egoísmo humano e os interesses quando se trata de falar da “loucura” do outro.

- &]:indent-5 mb-3 break-words [ul>&]:relative [ul>&]:before:absolute [ul>&]:before:left-1 [ul>&]:before:top-2 [ul>&]:before:w-2 [ul>&]:before:h-2 [ul>&]:before:bg-red-600 [ul>&]:before:rounded-full marker:inline group-[.isActiveSource]:text-xl”>Título: “O Alienista”
- Autor: Machado de Assis
- Editora: Panda Books
- Número de páginas: 88
“Dez dias num hospício”, de Nellie Bly
Sob o pseudônimo de Nellie Bly, a jornalista Elizabeth Jane Cochran internou-se no Hospício de Alienados de Blackwell’s Island, exclusivo para mulheres, para produzir uma série de reportagens para denunciar as práticas ocorridas entre as paredes e grades da instituição psiquiátrica estadunidense, no século 19.
As reportagens foram publicadas no jornal New York World, do editor e jornalista Joseph Pulitzer — que dá nome ao prêmio —, consolidaram a carreira de Cochran como jornalista investigativa e deram origem ao livro. A obra denuncia os maus-tratos sofridos pelas internadas, mas também destaca o tratamento cruel recebido por pessoas estrangeiras que chegavam ao país.

- &]:indent-5 mb-3 break-words [ul>&]:relative [ul>&]:before:absolute [ul>&]:before:left-1 [ul>&]:before:top-2 [ul>&]:before:w-2 [ul>&]:before:h-2 [ul>&]:before:bg-red-600 [ul>&]:before:rounded-full marker:inline group-[.isActiveSource]:text-xl”>Título: “Dez dias num hospício”
- Autor: Nellie Bly
- Editora: Fósforo
- Número de páginas: 112
Documentário “Holocausto Brasileiro” chega à Netflix no domingo