Análise: Galípolo usa Caso Master para defender autonomia do BC

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Análise: Galípolo usa Caso Master para defender autonomia do BC

O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, compareceu à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado nesta terça-feira (19) e surpreendeu ao dedicar grande parte de sua fala ao caso do Banco Master, deixando a política monetária em segundo plano.

A analista do CNN Money Lucinda Pinto avaliou que, há muito tempo, não se via o chefe da autoridade monetária ser tão questionado sobre um tema que não fosse a taxa de juros.

Defesa enfática da PEC e da autonomia do Banco Central

Diante dos questionamentos sobre o Banco Master, Galípolo aproveitou o momento para fazer uma defesa veemente da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que amplia a autonomia do Banco Central.

Segundo Lucinda Pinto, a ideia transmitida por Galípolo foi a de transformar a crise do Master em uma oportunidade.

“Pelo amor de Deus, qual é o problema da gente ter um Banco Central desaparelhado e sem dentes suficientes para acompanhar esse mercado que cresceu tão rapidamente?”, teria dito o presidente do BC, em frase que chamou atenção pela intensidade.

Galípolo também destacou a disparidade entre o Banco Central do Brasil e instituições estrangeiras.

Enquanto o BCE (Banco Central Europeu) conta com cerca de 20 técnicos para cada instituição supervisionada, no Brasil a relação seria inversa: um técnico para cada 20 instituições.

Além disso, ele ressaltou que servidores do Banco Central trabalham madrugadas e fins de semana apenas para manter o sistema do Pix em funcionamento.

Perspectivas para a PEC no Congresso

A perspectiva de avanço da PEC no curto prazo, no entanto, é incerta. O relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), informou que o texto será lido nesta na quarta-feira (20) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas já antecipou que provavelmente haverá pedido de vista.

Para Lucinda Pinto, o projeto não aparenta ter condições de avançar de forma relevante ainda neste ano.

A analista destacou que a questão é urgente diante do crescimento e da complexidade do sistema financeiro, que hoje inclui fintechs, open finance e operações cada vez mais sofisticadas. Ela alertou que o Banco Central, por precisar submeter qualquer aquisição ou desenvolvimento tecnológico a outras instâncias, não tem a agilidade necessária para se modernizar. Isso tornaria o sistema financeiro progressivamente mais vulnerável a ataques, golpes e corrupção. Lucinda Pinto lembrou ainda que países como México e Chile já contam com legislações mais avançadas nesse sentido.

Política monetária: cenário preocupante

Embora tenha ocupado espaço menor na fala de Galípolo, a política monetária também foi abordada. Ele apresentou um cenário preocupante, reafirmando o compromisso do Banco Central em perseguir a meta de inflação e sinalizando que os juros reagirão às expectativas.

A mediana das projeções do IPCA está em 4,92% para 2026 e em 4% para 2027, enquanto o El Niño deve agravar ainda mais o quadro inflacionário no próximo ano.

Galípolo não sinalizou que trataria a inflação atual como um choque de oferta — posição diferente da adotada pela Fazenda. Newton Davi, diretor do Banco Central, também participou de evento do Santander no mesmo dia e afirmou que a política monetária seguirá até que a ancoragem leve as expectativas à meta.

O relatório Focus indicou que a mediana das projeções para a Selic está em 13,25% para este ano, 11% para o próximo e 10% para 2028, sem perspectiva de taxa de um dígito nos próximos anos.

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