O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e a ex-senadora e jornalista Ana Amélia Lemos debateram, na terça-feira (19), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre a pesquisa Atlas: Desgaste de Flávio é momentâneo ou consolidado?
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na terça-feira revelou uma queda expressiva nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial. O levantamento, que ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%, aponta Flávio Bolsonaro com 41,8% das intenções de voto, contra 48,9% de Luiz Inácio Lula da Silva. O índice de eleitores que votariam em branco, nulo ou que não souberam responder subiu de 4,7% para 9,3%.
A pesquisa é a primeira divulgada desde a revelação de um áudio de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, no qual ele pede o financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em março, Flávio Bolsonaro registrava 47,6% das intenções de voto, número que subiu ligeiramente para 47,8% em abril antes de despencar para 41,8% na edição mais recente. O levantamento foi realizado com recursos próprios e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
Desgaste “brutal” e escândalo ainda em curso
Para José Eduardo Cardozo, o recuo nas pesquisas é apenas o começo de uma queda mais profunda. “É um desgaste brutal, muito forte, atinge a essência daquilo que um candidato precisa no momento em que está reunindo forças para manter a decolagem do início da campanha”, afirmou. Cardozo destacou que o escândalo ainda está em desenvolvimento, com novos fatos surgindo a cada dia, incluindo a revelação de que Flávio Bolsonaro teria se encontrado com Daniel Vorcaro após a prisão deste, com tornozeleira eletrônica, contrariando declarações anteriores de que nunca havia tido contato com ele.
Cardozo também chamou atenção para questionamentos sobre o uso de emendas parlamentares no financiamento do filme, por meio de uma ONG, para uma produtora que, segundo ele, não estaria registrada no Brasil. “Esse é um escândalo que parece que vai tomar corpo brutalmente. A cada segundo que passa, novos fatos são descobertos”, disse. Na avaliação dele, retirar a candidatura de Flávio Bolsonaro equivaleria a uma “confissão de culpa”, mas mantê-la prejudicaria qualquer projeto de unificação do campo da extrema-direita.
Ausência de plano B
Ana Amélia Lemos concordou com a gravidade do cenário, destacando que a crise pegou a direita brasileira de surpresa. Segundo ela, não há um plano B consolidado para substituir Flávio Bolsonaro. “O plano B se esgotou quando Tarcísio de Freitas não pediu a desincompatibilização como governador de São Paulo”, afirmou. Ela também mencionou que Michelle Bolsonaro, apontada por alguns como a candidata com maior potencial de enfrentar Lula entre os nomes da direita, não seria aceita pelo clã Bolsonaro.
Lemos destacou ainda que a perda de seis pontos percentuais em apenas uma semana reflete um cenário de indefinição que, no momento, favorece a reeleição de Lula. Ela ponderou que, embora a direita possa tentar instalar uma CPMI para investigar o caso, o tempo é escasso — restam apenas 19 semanas para a eleição —, o que torna a eficácia dessa estratégia “de resultado duvidoso”. “Agora é buscar provas ou tentar uma defesa mais convincente do que foi feita até agora”, concluiu.