O vazio das agendas de Nikolas no Acre: isca de engajamento digital, marketing Político e o projeto de poder familiar

A visita do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao Acre, sob as asas do senador Márcio Bittar (União-AC) e de seu filho, João Paulo Bittar, deixou um rastro de questionamentos e uma incômoda sensação de vacuidade. Anunciada com pompa sob o pretexto de “mostrar ao Brasil as potencialidades amazônicas”, a agenda se revelou um palanque desprovido de substância, desconectado da realidade local e desenhado sob medida para o espetáculo das redes sociais.

O primeiro grande equívoco reside na própria narrativa escolhida. Discutir a Amazônia sob a ótica genérica de “potencialidades” abstratas é uma pauta que costuma interessar muito mais à comunidade internacional e aos debates de gabinete em Brasília do que ao cidadão que vive e trabalha no Acre. Ao focar em um discurso difuso, Bittar ignorou as urgências pragmáticas do estado.

O isolamento da comitiva em relação às forças vivas do Acre foi sintomático:  Um silêncio enorme com o Setor Produtivo, por exemplo.

Não houve convocação de comerciantes, industriários ou pecuaristas. O agronegócio e a pecuária locais, motores que impulsionam a posição do estado no PIB nacional, foram preteridos, desprezados pelo senador e seu filho.

  • Invisibilidade Social e Econômica: O setor produtivo não foi ouvido; representantes da agricultura familiar ficaram de fora, assim como entidades de classe que representam o serviço público e o setor privado.

  • Ausência de Pluralidade: Populações indígenas, quilombolas, movimentos de negros e mulheres foram solenemente ignorados, evidenciando o distanciamento da agenda com a diversidade e a base social acreana.

O que se viu, portanto, não foi a construção de argumentos fáticos ou propostas sólidas que possam ser defendidas com propriedade no Congresso Nacional. Foi um “oba-oba” sem nexo programático. A ausência de debate técnico e de escuta social transforma a passagem do deputado mineiro em um mero golpe de marketing político.

Fica evidente que o real objetivo da agenda foi a projeção da imagem do senador Márcio Bittar e de seu filho, alimentando um projeto de poder familiar que já ecoa sob fortes críticas no cenário político de Rio Branco e do interior. Ensaiar uma dinastia política local utilizando o parlamentar mais votado do país como “isca” de engajamento digital é uma estratégia que subestima a inteligência do eleitor acreano.

Diante disso, restam perguntas incômodas que exigem respostas:

  1. Qual a importância real de um político de fora, que nunca destinou emendas ou articulou projetos estruturantes para o Acre, na captação de votos para figuras locais? Trata-se apenas de uma frágil demonstração de prestígio que não se traduz em melhorias para o estado.

  2. Onde e quando o cidadão acreano poderá ver os resultados práticos dessas agendas? A política que transforma o Acre em mero cenário para vídeos de internet e palanque familiar não gera emprego, não melhora os índices sociais e não fortalece a economia. O estado precisa de representação robusta, debate sério com as classes produtoras e compromisso real — e não de turismo político gourmetizado à custa das expectativas da população.