Rússia exibe arsenal em exercício nuclear e testa míssil hipersônico

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Rússia exibe arsenal em exercício nuclear e testa míssil hipersônico

A Rússia fez um dos maiores exercícios nucleares dos últimos anos nesta quinta-feira (21), envolvendo mais de 64 mil pessoas e centenas de lançadores.

Os testes começaram na terça-feira (19) e contam com a participação de Belarus, que recebeu munições nucleares da Rússia. O objetivo é treinar o Exército para “preparação e uso de forças nucleares em caso de agressão”.

Ao todo, estão envolvidas no exercício mais de 7.800 unidades de equipamento militar, incluindo mais de 200 lançadores de mísseis, mais de 140 aeronaves, 73 navios de superfície e 13 submarinos, dos quais oito são submarinos de mísseis estratégicos, de acordo com o Ministério da Defesa da Rússia.

Nesta quinta, Vladimir Putin, presidente russo, e Alexandr Lukashenko, líder de Belarus, acompanharam os lançamentos e conversaram em uma chamada de vídeo.

Putin destacou que, embora não queira se envolver em uma corrida armamentista, o Kremlin desenvolverá suas forças nucleares e as manterá em um nível “suficiente”, inclusive com novos mísseis e submarinos.

“Dadas as crescentes tensões no mundo e o surgimento de novas ameaças e riscos, nossa tríade nuclear deve continuar a servir como uma garantia confiável da soberania do Estado da União da Rússia e de Belarus”, afirmou o líder russo ao seu ministro da Defesa, Andrei Belousov, a Lukashenko e a generais de alta patente.

De toda forma, pontuou que o uso de tais armas seria sempre uma medida excepcional e extrema de último recurso.

Testes de mísseis balísticos e hipersônicos

Como parte dos exercícios, a Rússia testou um míssil balístico intercontinental Yars no Cosmódromo de Plesetsk, no norte do país.

Também foi lançado um míssil hipersônico Zircon a partir de uma fragata no Mar de Barents, enquanto um submarino disparou um míssil balístico Sineva movido a combustível líquido, informou o Ministério da Defesa.

A Rússia exibiu ainda um submarino nuclear de mísseis balísticos da classe Borei, uma aeronave antissubmarino Il-38 e um MiG-31 armado com um míssil hipersônico Kinzhal.

Unidades em Belarus e na Rússia receberam munições nucleares como parte da operação, afirmou Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, a Putin.

Os exercícios nucleares russos normalmente usam ogivas simuladas. Um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa mostrou um caminhão militar coberto por uma lona trafegando com segurança mínima.

Maior arsenal nuclear do mundo

A Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo, com cerca de 4.400 ogivas implantadas e armazenadas, segundo a Federação de Cientistas Americanos.

Os EUA, por sua vez, têm cerca de 3.700 ogivas nucleares.

A China é a terceira maior potência nuclear do mundo, com cerca de 620 ogivas, seguida pela França, com 290, e pelo Reino Unido, com cerca de 225, ainda de acordo com a federação.

Tensões entre EUA e Otan aumentam

Os testes nucleares da Rússia são feitos em meio a crescentes tensões com a Otan — a aliança militar ocidental — devido à guerra na Ucrânia e à atividade de drones no Mar Báltico.

Ao longo da guerra, Putin tem dado destaque ao poderio nuclear de seu país, como um aviso ao Ocidente para não ir longe demais em seu apoio ao governo ucraniano.

A Ucrânia e alguns líderes ocidentais disseram que essas ações são demonstrações irresponsáveis ​​de força.

O Kremlin acusou os países bálticos de permitirem que a Ucrânia sobrevoasse seus territórios para atacar o norte da Rússia, acusação que a Otan nega.

Os Estados bálticos, todos fortes apoiadores da Ucrânia, afirmam que a Rússia está redirecionando drones ucranianos para o seu espaço aéreo, desviando-os de seus alvos originais na Rússia.

*com informações da Reuters

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