Deve ser uma manobra diversionista para que o nome do ex-presidente não saia da boca do povo. A cada semana, ou menos do que isso, um dos filhos de Bolsonaro diz que ele está pronto para voltar. Ou o contrário: que deverá ficar mais algum tempo nos Estados Unidos, onde se refugiou desde o fim do seu governo.
Michelle Bolsonaro, a ex-primeira dama, foi vista, ontem, com a filha Laura de 11 anos em um shopping em Brasília. Abordada pela repórter Samanta Salum, disse que Bolsonaro não deveria voltar tão cedo. Segundo ela, o marido nunca esteve tão cansado. Melhor que descanse mais um pouco. Nada de pressa.
Ela é um radar confiável para o marido. Voltou antes por causa da filha que teria se matricular em outra escola. E está vendo de perto o cerco fechar-se em torno de Bolsonaro. No governo Lula, a temporada de caça a bolsonaristas foi aberta e não tem data para acabar. Estão sendo todos despejados dos seus cargos.
O Tribunal Superior Eleitoral corre contra o relógio para tornar Bolsonaro inelegível até o final de maio. Por que até lá? Porque o ministro Ricardo Lewandowski, que completará 75 anos, terá que se aposentar. E seu substituto, o ministro Nunes Marques, seria uma pedra no caminho da inelegibilidade de Bolsonaro.