Biocombustível é saída sustentável para o petróleo, aposta Copersucar

Apesar de 80% da frota brasileira ser composta por veículos flex, apenas 30% utilizam etanol regularmente, segundo estudo da consultoria Datagro. Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, enxerga nisso uma oportunidade.

“Nossa capacidade de oferta de biocombustíveis é enorme. Então, tendo a demanda, não tem restrição na oferta”, afirma.

O setor aposta também na sustentabilidade para movimentar o mercado. A utilização do etanol diminui a emissão de CO2, principal gás do efeito estufa. Além da frota automotiva, os investimentos passam pela utilização do etanol em aviação (SAF) e navegação (biobunker), ampliando a relevância estratégica do Brasil no cenário global de energia limpa.

A COP30, o maior evento global para discussão e negociações sobre as mudanças do clima, será em Belém (PA) neste ano. Pogetti vê a Conferência das Partes como uma oportunidade de mostrar a tecnologia brasileira do etanol para os outros países do mundo.

Como a Copersucar contribui para transição energética no Brasil?

A transição energética está no DNA da Copersucar. O nosso negócio é sustentabilidade. Produzimos alimento e produzimos combustível. Um ajuda o outro na agenda de contribuir para uma sociedade melhor.

O etanol está pronto para contribuir para a questão da contenção do aquecimento global. É a única tentativa realmente pronta e o mundo está começando a perceber isso.

O Brasil já é destaque na produção de etanol. Ainda há espaço para esse mercado crescer?

Hoje a frota Flex brasileira é mais de 80% dos veículos que andam no país. Desses, apenas 30% são abastecidos com etanol hidratado.

Se a gente aumentasse em dez pontos percentuais nosso market share, se de 30% fosse para 40% de hidratado, nós estamos falando de 5 bilhões de litros a mais de etanol. Estamos falando de seis milhões de toneladas de carbono mitigadas por ano.

A gente tem a oportunidade de crescer no mercado atual. Tem a possibilidade do etanol ser utilizado para outras finalidades. É o caso do combustível avançado de aviação, o SAF.

Uma das rotas é com a utilização de etanol, substituindo o querosene de aviação, e estamos falando de um mercado enorme, maior que o mercado de combustível de carros.

A outra rota que também se apresenta como viável é a rota de combustível para navegação, o biobunker.

Nós temos um compromisso de centro de tecnologia de dobrar a produtividade do setor até 2040. O que significa isso? Significa produzir o dobro de cana-de-açúcar que a gente produz hoje na mesma área.

A nossa produção, hoje, ela usa menos de 1% da área agrícola do Brasil. Então, a nossa capacidade de oferta de biocombustíveis é enorme. Tendo a demanda, não tem restrição na oferta.

Os brasileiros ainda usam pouco etanol? 

O custo não é uma variável relevante. Quem faz o preço é o petróleo. Temos um limite de competitividade. É uma questão de educação. Não faz sentido um combustível que gera emprego e contribui para o meio ambiente não ser consumido. Há quem deixe de consumir um produto mais barato e com atributos econômicos, sociais e ambientais.

Estamos atrasados na comunicação. Ainda existem mitos sobre problemas no motor, mas isso não existe mais. É uma questão de educação do consumidor. A consciência ambiental ainda é baixa.

Como o setor público ajuda nessa conscientização?

Um dos problemas que a gente sempre reclamou do setor público é que a existia uma falta de visão de longo prazo. A gente viu isso mudar nos últimos dois anos.

Começou com o RenovaBio, há cerca de 5 anos. Foi o primeiro direcionamento a longo prazo. O segundo ponto que a gente viu ganhar corpo nesses últimos anos. É a intensidade de carbono da matriz energética.

Está claro hoje na nossa legislação que, no Brasil, nós vamos respeitar a intensidade de carbono do ciclo de vida do combustível. Considerar as emissões desde quando a alternativa da mobilidade nasce, até quando ela morre.

O mesmo conceito a gente enxergou na reforma tributária e hoje está na Constituição que, por 20 anos, tem que atentar para competitividade tributária, o ônus tributário em combustível fóssil e combustível limpo.

Significa que o combustível fóssil pague pelo estrago que ele faz no meio ambiente.

Eu acho que esse é o papel do governo. Definição de políticas públicas claras para a iniciativa privada se posicionar e investir nesse sentido. Então, o setor está investindo alinhado com isso.

Agora, tem uma visão de longo prazo clara do que o Brasil espera na agenda da mobilidade. A carta assinada pelo presidente da COP, pelo embaixador André Corrêa do Lago, ele coloca claramente que precisamos combater o combustível fóssil e precisamos triplicar a oferta global de combustível limpo.

O Brasil pode exportar a tecnologia do etanol? O que falta para isso?

Existe sempre uma reação muito forte de defesa de mercado da indústria do petróleo. Essa afirmação do embaixador André Corrêa do Lago é uma afirmação corajosa, porque estamos falando de muito poder econômico.

O mundo não tem alternativa de se livrar do combustível fóssil. Mas os biocombustíveis podem contribuir para que essa oferta de combustíveis fósseis seja mais limpa.

Eu acho que a Índia é o melhor exemplo. Não se falava em etanol na Índia há 10 anos. A gente mostrou a tecnologia para eles, o clima é muito similar do Brasil, e eles abraçaram a causa.

O mundo hoje tem uma dor que é ser dependente de petróleo do mundo, de poucos fornecedores de petróleo. Não faz sentido o mundo querer trocar a dependência do petróleo para ser dependente de poucos produtores de etanol do mundo.

Nesse sentido, a COP30 deve ajudar a avançar. A transição energética é um dos pontos principais da Conferência. A minha expectativa é que nessa COP a gente veja este conceito reforçado. Ao ser reforçado, a gente vai empurrando o mundo para essa agenda.

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