O SERINGAL

Açúcar despenca em Nova York e atinge menor cotação em cinco semanas

Açúcar recua 2,15% em Nova York com petróleo e importações da Índia

A perspectiva de maior oferta global de açúcar pressionou as cotações internacionais nesta terça-feira (03). Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em março recuou 3,83% e encerrou o pregão negociado a 18,33 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o menor nível em cinco semanas.

De acordo com o Barchart, o movimento de queda está ligado a um dos principais fatores do mercado que é o avanço da produção na Índia. De acordo com a Federação Nacional de Cooperativas de Usinas de Açúcar do país, a fabricação indiana chegou a 845 mil toneladas nesta temporada até o fim de outubro, volume mais de oito vezes superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

A ISMA (Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia) informou, na segunda-feira, que a safra açucareira 2026/27 começou dentro do cronograma previsto, com aproximadamente 107 usinas já em operação. A entidade também destacou que o país encerrou a temporada 2025/26 com estoques remanescentes de 3,6 milhões de toneladas, o que garante uma posição confortável de abastecimento.

Apesar da perspectiva de maior disponibilidade do produto, as condições climáticas seguem no radar do mercado. A Índia registrou volume de chuvas 12,6% abaixo da média durante a temporada de monções, entre junho e setembro, o menor índice dos últimos 11 anos.

Café

A combinação de fatores cambiais e de maior disponibilidade do produto no mercado internacional pressionou as cotações do café nesta sessão. Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 2,79% e encerrou o pregão negociado a US$ 2,83 por libra-peso, segundo dados do mercado.

De acordo com análise da Barchart, a desvalorização do real brasileiro contribuiu para o movimento negativo. A moeda recuou mais de 1% no dia e permaneceu próxima da mínima de 10,25 meses registrada na segunda-feira em relação ao dólar. Um real mais fraco tende a estimular as vendas externas brasileiras, já que os exportadores conseguem obter uma receita maior em moeda nacional com a comercialização do café no mercado internacional.

O cenário cambial também ganhou atenção após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais da semana passada. O Brasil ocupa posição de destaque no comércio global da commodity, respondendo por cerca de 35% a 40% da produção mundial e quase 30% das exportações, segundo dados da OIC (Organização Internacional do Café) e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Outro fator de pressão veio do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, em que o Escritório Nacional de Estatísticas do país informou que os embarques vietnamitas alcançaram 114 mil toneladas em outubro, crescimento de 61% na comparação anual. Entre janeiro e outubro de 2026, as exportações somaram 1,57 milhão de toneladas, avanço de 18,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2025, o Vietnã exportou 1,58 milhão de toneladas de café, volume 17,5% superior ao registrado em 2024. Para a safra 2025/26, a expectativa também é de crescimento da produção. A estimativa aponta alta de 6% na comparação anual, para 1,76 milhão de toneladas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas, maior volume em quatro anos.

Cacau

O aumento da disponibilidade de cacau no mercado internacional voltou a pressionar as cotações da commodity. Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou o pregão com queda de 0,39%, negociado a US$ 5.414 por tonelada. Segundo análise da Barchart, os preços ampliaram as perdas acumuladas nas últimas duas semanas e atingiram o menor patamar em cinco semanas.

“As reservas da bolsa avançaram de forma consistente desde o início do ano e alcançaram 3.702.175 sacas na segunda-feira, o maior volume em dois anos e meio. A elevação dos estoques reforça a percepção de maior disponibilidade do produto e aumenta a pressão sobre os contratos futuros”, informou o Barchart.

O mercado também acompanha os efeitos da desvalorização do real brasileiro sobre a oferta. A moeda atingiu na segunda-feira a menor cotação em 10,25 meses diante do dólar, movimento que pode estimular os exportadores brasileiros a ampliar as vendas externas, uma vez que a conversão das receitas em moeda estrangeira garante maior retorno em reais.

Embora tenha participação inferior à dos principais fornecedores da África Ocidental e do Equador, o Brasil ocupa a sétima posição entre os maiores produtores mundiais de cacau. O país responde por aproximadamente 4% a 5% da produção global, segundo estimativas da ICCO (Organização Internacional do Cacau).

Suco de Laranja

O contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro encerrou o pregão na Bolsa de Nova York com alta de 2,49%, cotado a US$ 1,42 por libra-peso.

Algodão

O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou o pregão com desvalorização de 0,22%, cotado a 77,04 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York.

Segundo análise da Barchart, os preços foram influenciados pelos dados do relatório semanal de progresso das lavouras do USDA. O levantamento apontou que 92% da safra norte-americana de algodão estava com as cápsulas abertas, abaixo da média de 95% registrada nos últimos cinco anos. Já a colheita alcançou 63% da área, ante média histórica de 65% para o período.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por andressasimao.

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