A temporada de balanços nos Estados Unidos começou oficialmente com a divulgação dos resultados trimestrais dos quatro principais bancos norte-americanos. O cenário é marcado por incertezas em relação à trajetória dos juros e da inflação no país, fatores que pesam diretamente sobre o desempenho do setor bancário e do mercado.
Em entrevista ao CNN Money, Daniel Nogueira, head de alocação da InvestSmart, avaliou o contexto e destacou que os juros são o principal elemento a ser monitorado.
“O CPI, principalmente com a expectativa de inflação, vai ditar o que irá acontecer com juros também nos EUA, juros esses que são super importantes para o setor bancário”, afirmou.
Segundo Nogueira, o setor bancário apresenta desempenho inferior ao do S&P 500 no ano, em contraste com o avanço expressivo das ações de tecnologia e IA.
Porém, os ao mesmo tempo que os investidores estão entusiasmados com o crescimento dos lucros impulsionados pelas empresas de inteligência artificial, muitos ainda questionam até quando essa tendência ficará no mercado e o que acontecerá com os preços das ações quando a euforia chegar ao fim.
Nos balanços divulgados, a receita dos grandes bancos veio principalmente das mesas de ações, e não das mesas de renda fixa. O Goldman Sachs, por exemplo, registrou uma receita de aproximadamente US$ 600 milhões proveniente do IPO da SpaceX, o que impulsionou significativamente seu balanço.
Além disso, o BofA (Bank of America) encerrou o pregão em queda, em parte devido a uma multa superior a US$ 1 bilhão aplicada pelo regulador OCC por questões relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro.
Perspectivas para os próximos balanços
Com Morgan Stanley obtendo um lucro líquido de US$ 4,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, o especialista ressalta que o cenário é semelhante ao observado anteriormente: com mesas de renda fixa com desempenho mais fraco e mesas de ações com resultados mais positivos.
No entanto, ele alertou que o mercado pode não estar disposto a pagar os múltiplos anteriores devido ao nível elevado dos juros longos dos EUA, preocupações fiscais e inflação persistente.
“Os juros dos Treasuries estão indo para patamares tão elevados que nós não víamos há décadas”, observou.
Além dos balanços bancários, Daniel ressaltou que a divulgação do CPI é um importante balizador para as expectativas de juros até o final do ano.
“Juros mais altos são prejudiciais ao mercado de ações como um todo, com exceção de alguns setores específicos, como o de tecnologia, que pode se sobressair mesmo em um ambiente mais restritivo. Setores como consumo também apresentam desempenho abaixo do S&P 500, refletindo as pressões do ambiente macroeconômico”, complementa.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.
