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Uma bolsa de sangue raro foi transportada com urgência na cabine de um voo comercial, do Ceará até Juiz de Fora (MG), para atender a um paciente que havia acabado de passar por um transplante renal e estava internado em estado grave. A coleta foi feita na quinta-feira (8), e a bolsa chegou ao destino nesta sexta-feira (9).
Sem encontrar sangue compatível no território mineiro, a rede de hemoterapia acionou o CNSR (Cadastro Nacional de Sangue Raro), que localizou um doador no Ceará. Ele foi ao hemocentro, doou, e a bolsa foi liberada em embalagem apropriada, com controle de temperatura até o local da transfusão. Outros doadores estão sendo convocados para garantir o atendimento contínuo ao paciente.
O transporte foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de parceria entre o Ministério da Saúde e companhias aéreas.
Por que o sangue é raro?
Depois da cirurgia, testes pré-transfusionais identificaram no paciente o anticorpo anti-Jsb, que ataca e destrói glóbulos vermelhos com o antígeno KEL7. Como quase todas as pessoas têm esse antígeno, o organismo do paciente ataca o sangue da maioria dos doadores, o tornando portador raro.
Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Nesses casos, encontrar uma bolsa compatível pode exigir buscas em vários estados
Cadastro Nacional de Sangue Raro
O CNSR reúne hoje 2.032 doadores e já ajudou no atendimento de mais de 300 pacientes. Quando um hemocentro não encontra sangue compatível no próprio estado, pode acionar o cadastro, coordenado pela Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde.
A equipe identifica doadores em outros estados, articula a coleta e apoia a logística do transporte, para que o sangue chegue a tempo.
Transporte aéreo comercial
O novo modelo segue o mesmo formato usado no transporte de órgãos para transplante. Antes, as bolsas de sangue raro costumavam viajar como carga comum, sujeitas a prazos maiores e a restrições.
O Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas já garante o transporte gratuito de órgãos. Com a inclusão do sangue raro no acordo, essa estrutura poderá levar bolsas compatíveis de um estado a outro com mais rapidez.
A primeira vez que o Ministério da Saúde viabilizou o transporte gratuito de sangue raro na cabine de uma aeronave comercial no Brasil foi em 12 de setembro, de São Paulo para o Piauí, para um paciente com doença renal crônica em estado grave. Com o caso do Ceará, já são dois transportes do tipo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por yasminjesus.
