A enxertia de uva é uma prática agrícola ancestral que permite unir a raiz resistente de uma videira à copa produtiva de outra variedade. O método reduz significativamente o tempo de espera pela primeira colheita, permitindo que a frutificação comece entre dois e três anos após o plantio.
Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), esse desenvolvimento é substancialmente mais rápido do que o cultivo realizado a partir de sementes.
Além da agilidade no desenvolvimento, o procedimento é fundamental para garantir a proteção contra pragas do solo que atacam o sistema radicular.
A estrutura da enxertia e a defesa contra pragas
O processo combina duas partes principais da planta: o porta-enxerto, que se fixa ao solo e forma a base da raiz, e o garfo, pedaço de ramo contendo de uma a duas gemas da variedade de uva escolhida.
A Circular Técnica 74 da Embrapa Uva e Vinho indica que a enxertia é obrigatória para o cultivo de uvas finas devido à extrema sensibilidade dessas plantas à filoxera, um inseto subterrâneo destrutivo. O uso de porta-enxertos adequados confere imunidade contra essa praga, amplia a adaptação a terrenos variados e garante maior resistência a doenças de solo.
Passo a passo da garfagem no topo
A técnica mais difundida nos vinhedos brasileiros é a garfagem no topo, recomendada para o período de repouso vegetativo da planta, durante o inverno. Para a realização do procedimento, a Embrapa orienta utilizar ramos com diâmetro semelhante ao de um lápis:
- Preparação da raiz: Plante o porta-enxerto previamente e aguarde o enraizamento completo para realizar a enxertia no inverno seguinte.
- Corte da base: Pode o porta-enxerto a uma altura entre 10 e 15 centímetros do solo e abra uma fenda vertical no centro do corte.
- Preparo do garfo: Afeie a base do garfo em formato de cunha (V), mantendo uma ou duas gemas sadias.
- Acoplamento: Encaixe o garfo na fenda do porta-enxerto, garantindo o contato direto entre as cascas de ambas as partes em pelo menos um dos lados.
- Fixação: Amarre o ponto de união com firmeza para manter a estrutura estável e impedir o ressecamento dos tecidos vegetais.
Como alternativa para quem perde a janela hibernal, a enxertia verde pode ser executada durante a fase de crescimento ativo da videira, ocorrendo habitualmente entre novembro e dezembro.
Cuidados essenciais para o sucesso do enxerto
O pegamento da muda depende diretamente da sanidade do material vegetal e das condições do ambiente durante o manuseio. A Embrapa recomenda realizar a enxertia em dias nublados ou no fim da tarde, evitando que o calor intenso desidrate o corte.
Após a consolidação da união, é necessário fazer a remoção constante dos brotos que surgem no porta-enxerto, abaixo da junção. Esse manejo impede que o cavalo direcione energia para ramos indesejados, canalizando a força da planta exclusivamente para o desenvolvimento da variedade enxertada.
TópicosDicasuva
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por robertosouza.
