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Como investir em dólares sem sair do Brasil: ETFs, Equities e fundos

Como investir em dólares sem sair do Brasil: ETFs, Equities e fundos

Investir em dólares sem sair do Brasil é uma alternativa para quem busca diversificar o patrimônio e ter acesso a empresas e setores que não estão disponíveis na bolsa brasileira.

Por meio de ETFs, ações, ADRs e fundos de investimento, é possível acessar mercados internacionais, incluindo Estados Unidos, Europa e Ásia, sem necessariamente precisar administrar aplicações diretamente no exterior.

Porém, a escolha vai além da variação cambial. A composição da carteira, o horizonte de investimento, os custos e os riscos de cada mercado também precisam ser considerados.

De acordo com Hsia Hua Sheng, professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), a decisão de investir fora do país deve levar em conta quais empresas e setores o investidor deseja acessar e por quanto tempo pretende manter os recursos aplicados.

“Não é só a exposição de câmbio que é diferente entre real e dólar. Tem uma questão da composição. Por exemplo, a nossa bolsa é diferente da bolsa americana, que é diferente da bolsa chinesa”, explica.

Qual é a diferença entre ter exposição ao dólar e investir em ativos dolarizados?

Ter exposição ao dólar significa que o resultado de um investimento pode ser influenciado pela variação da moeda americana em relação ao real. Já investir em ativos dolarizados envolve aplicar recursos em instrumentos financeiros vinculados a empresas, índices ou outros ativos negociados em moeda estrangeira.

Na prática, as duas estratégias apresentam resultados diferentes. Uma aplicação pode acompanhar a cotação do dólar, enquanto outra pode combinar a variação cambial com o desempenho de ações ou de um índice internacional.

Para Sheng, também é necessário observar a composição dos mercados. A bolsa brasileira possui características diferentes das bolsas americana e chinesa, por exemplo, tanto em relação às empresas listadas quanto aos setores representados.

Essa distinção amplia as possibilidades de diversificação, mas exige que o investidor compreenda melhor o que está adquirindo.

“Qual o alvo que o investidor está pensando?”, questiona o professor. “Principalmente quando se fala em ações, são investimentos para estratégias de longo prazo”.

Segundo ele, o investidor precisa considerar o tempo que pretende manter os recursos e a estratégia adotada, em vez de observar apenas as oscilações de curto prazo.

Ele dá um exemplo prático: no caso dos investimentos em inteligência artificial, o tempo dos ganhos no curto prazo já passou.

“Para investir neste setor, tem que olhar para a cadeia produtiva inteira, não só a ponta, que seriam as Big Techs”, detalha Sheng. “Se pensar na cadeia inteira, percebe que a bolsa brasileira tem poucas empresas específicas de inteligência artificial”.

O professor diz que, por conta disso, o investidor deve pensar estrategicamente para se posicionar na cadeia de inteligência artificial. Deve-se buscar uma parte nos EUA e uma parte em manufatura na Ásia, combinar as duas regiões.

Isto porque a volatilidade é muito grande, o que faz com que investimentos no curto prazo tragam mais dificuldades.

Como investir em dólar sem sair do Brasil?

O investidor brasileiro tem diferentes alternativas para acessar ativos internacionais. Entre elas estão os ETFs, as ações negociadas no exterior, os ADRs e os fundos de investimento.

Cada modalidade apresenta características próprias, com diferenças relacionadas à forma de negociação, aos custos, à exposição cambial e ao nível de conhecimento necessário para administrar a carteira.

Os custos, oportunidades e formas de investir sem sair do Brasil também depende da instituição financeira escolhida para isso. No caso do Inter, o investimento pode ser feito diretamente pelo Super App.

Além disso, há a opção da conta global do Inter, integrada à conta brasileira e que mantém parte do seu patrimônio em dólar e pode ser usada tanto para investir quanto para viagens e outros serviços financeiros.

ETFs: acesso a índices e mercados internacionais

Os ETFs, sigla em inglês para Exchange Traded Funds, são fundos negociados em bolsa que buscam acompanhar o desempenho de um índice ou de uma carteira de referência.

No mercado internacional, esses produtos permitem acessar diferentes mercados e setores por meio de uma única aplicação, conforme a composição do fundo.

Entre suas características principais estão:

Sheng recomenda que investidores iniciantes considerem índices amplos de bolsas internacionais. Para quem já possui uma estratégia mais definida, a alternativa é pesquisar indicadores relacionados a setores específicos, como energia renovável.

Equities: investimento direto em ações

O termo equities é utilizado no mercado financeiro para se referir a investimentos em ações, que representam participações no capital de empresas.

Ao comprar ações de companhias estrangeiras, o investidor passa a ter exposição ao desempenho delas e, conforme o ativo e as condições de mercado, aos efeitos da variação cambial.

Essa modalidade permite selecionar companhias e setores específicos, mas também exige maior capacidade de análise e tolerância a riscos e perdas.

A escolha das empresas precisa considerar o setor em que atuam, seu horizonte de investimento e o papel que os ativos desempenham na carteira.

O professor observa que o investidor também deve compreender as diferenças entre os mercados. A composição da bolsa americana, por exemplo, não é igual à brasileira, o que pode abrir oportunidades de acesso a segmentos menos representados no Brasil.

ADRs: acesso a empresas estrangeiras

Os ADRs, ou American Depositary Receipts, são recibos negociados no mercado americano que representam ações de empresas estrangeiras.

Esses instrumentos permitem que investidores tenham exposição a companhias de outros países por meio do mercado dos Estados Unidos.

Assim como acontece com ações e ETFs, é importante avaliar o ativo, os custos envolvidos e os riscos associados à empresa e ao mercado em que ela está inserida.

Fundos de investimento: gestão profissional

Os fundos de investimento também permitem acessar mercados internacionais. Nessa modalidade, o investidor aplica recursos em uma carteira administrada por um gestor, conforme a estratégia e as regras do produto.

Segundo Sheng, a oferta de fundos é ampla e atende a diferentes perfis de risco e horizontes de investimento.

O professor destaca que a escolha deve considerar a proposta do fundo e a capacidade do gestor de administrar os recursos de acordo com os objetivos estabelecidos.

Para investidores que não desejam lidar diretamente com procedimentos de investimento no exterior, fundos administrados por instituições brasileiras podem ser uma alternativa.

Quais são os cuidados e riscos ao investir em moedas estrangeiras?

A internacionalização da carteira envolve riscos que vão além da oscilação cambial. Entre os principais pontos de atenção estão a volatilidade dos ativos, os custos operacionais, as exigências regulatórias e a escolha dos gestores.

Sheng destaca a importância de observar as regras e os procedimentos necessários para investir em cada país.

Segundo o professor, o mercado americano pode apresentar um processo relativamente mais simples para determinados investidores por já estar maduro na internacionalização de investimentos. No caso de aplicações em países asiáticos há exigências mais detalhadas e barreiras linguísticas que ainda estão sendo superadas.

“Pela questão cultural, muitos formulários fazem perguntas que o investidor daqui não entende, pelo nível de detalhe”, explica. “O investidor institucional já está acostumado com isso, mas no caso dos investidores individuais a melhor forma é pelos fundos e gestores brasileiros”.

Custos, gestores e perfil de risco

“Para escolher um gestor, o mais importante é que seja alguém de confiança”, diz Sheng. “Ter reputação, confiabilidade, um histórico de desempenho, que consiga conciliar retorno e risco”.

Também é importante verificar se a estratégia apresentada é compatível com os objetivos do investimento. Entre os principais critérios de avaliação estão:

Sheng ressalta que o investidor deve comparar os custos e verificar se o produto corresponde à estratégia pretendida. Um investimento voltado exclusivamente à exposição cambial, por exemplo, não deve ser avaliado como se tivesse os mesmos objetivos de uma carteira diversificada de ações.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por natashameneguelli.

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