A proximidade do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode levantar dúvidas sobre os assuntos que possivelmente serão exigidos na prova. Entre os pontos que podem ser abordados nas questões está a questão climática, que pode exigir os candidatos mais do que apenas a memorização de conceitos.
Nos últimos anos, os fenômenos climáticos deixaram de ser apenas notícia e passaram a aparecer nos principais vestibulares do país.
A Fuvest 2025, por exemplo, usou as enchentes do Rio Grande do Sul, ocorridas em maio de 2024, para cobrar a transformação do gráfico de uma função cosseno a partir das ondas de rádio AM; a Unicamp 2025, por sua vez, também levou as enchentes gaúchas à primeira fase.
De acordo com Marcos Benfica, coordenador pedagógico da Verbum Educação, os fenômenos pluviais, como as enchentes, podem envolver Ciências da Natureza (ciclo da água, características do solo), Geografia (ocupação das cidades), Matemática (leitura de dados de chuva) e cidadania (políticas públicas e direitos).
À CNN Brasil, Lidiane Olo, sócia e diretora editorial de Educação Básica da Cogna, explica que, na parte de climatologia, tema bastante abordado pelo Enem, podem ser cobrados conteúdos como frentes frias, massas de ar, circulação geral da atmosfera e eventos climáticos importantes, como o El Niño.
Há também a possibilidade de haver uma abordagem mais específica sobre o tsunami meteorológico, embora essa seja uma possibilidade menos provável, já que o Enem normalmente trabalha os temas de forma mais abrangente dentro da área de clima.
Lidiane aposta que esse assunto pode aparecer na área de meio ambiente, com foco em como esses fenômenos impactam a vida das pessoas e seus efeitos sobre a população de regiões mais afetadas.
Aluísio Júnior, autor do sistema de ensino pH na Cogna Educação, aposta na possibilidade de haver uma abordagem relacionada à política e à preparação para esse tipo de evento, considerando como os governos locais se organizam e qual é a estrutura disponível para lidar com uma ocorrência desse tipo.
“Assim, o Enem pode abordar o tema a partir de diferentes áreas da Geografia, e é possível que esse assunto seja cobrado neste ano”, compartilha o educador.
Fenômeno meteorológico natural x desastre agravado pela ação humana
Nos últimos anos, os vestibulares vêm abordando de forma consistente os assuntos relacionados aos problemas e impactos socioambientais. Na maioria dos casos, contrapondo a dinâmica natural da Terra à vulnerabilidade social e à ocupação urbana desordenada.
Para Carolina Lemos, coordenadora editorial de Ciências Humanas da Verbum Educação, o vestibulando será avaliado pela sua capacidade de demonstrar compreensão sobre a diferença concreta entre um evento físico da natureza e um desastre socioambiental.
“Sob essa expectativa de avaliação, as bancas exigem do candidato habilidades de identificação, análise e relação dos fenômenos físico-ambientais capazes de superar o mito estritamente natural dos desastres ambientais, considerando que eles decorrem de escolhas econômicas, desmatamento e desigualdades socioespaciais”, avalia.
A coordenadora aponta que o candidato deve desenvolver raciocínio crítico denso, que o permitirá articular conhecimento científico, maturidade socioemocional e responsabilidade ética diante do mundo.
Ela explica que um fenômeno meteorológico natural é um evento físico e dinâmico da atmosfera que integra os ciclos biogeoquímicos e a regulação térmica do planeta, existindo independentemente da intervenção humana.
Já um desastre agravado pela ação humana é quando há desequilíbrio gerado pelas ações antrópicas (queima de combustíveis fósseis e desmatamento) capazes de alterar a escala do evento físico, modificando sua intensidade, frequência e duração. Concluindo que este último, não é “natural”, mas um reflexo da vulnerabilidade socioespacial e da falta de justiça climática.
Carolina Lemos, no entanto, explica que questões puramente burocráticas não costumam aparecer em provas elaboradas pelas bancas dos vestibulares, ao contrário do que acontece em bancas de concursos públicos.
Apesar disso, é importante que o candidato se atente às leis ambientais, mas sob a ótima aplicação prática, dos conflitos territoriais e dos impactos socioambientais.
“Os exames vestibulares geralmente tendem a abordar as leis pelo seu foco conceitual, social, territorial e ecológico. As bancas não vão perguntar ‘qual é o número do artigo que protege as margens de rios’, mas podem cobrar como a flexibilização dessa lei afeta as enchentes urbanas ou a agricultura”, explica.
Estudo das atualidades
Não é segredo que temas de atualidades devem estar no plano de estudos do candidato de vestibulares. De acordo com Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica na Cogna Educação, ter bagagem é importante não apenas para entender o meio ambiente, mas também as questões históricas e sociais.
“Obras literárias e informativas podem ajudar estudantes a relacionar fenômenos climáticos a dilemas sociais, políticos e econômicos”, afirma a profissional.
Ela ainda explica que esse contato com as obras favorece a preparação para exames ao estimular a leitura crítica de dados, causas e consequências.
“Além de ilustrar conceitos científicos, os livros evidenciam dimensões sociais, políticas e humanas do problema ambiental, aproximando o tema do cotidiano dos jovens. Ao apresentar, de forma objetiva e contextualizada, os impactos da ação humana sobre o meio ambiente, os jovens podem se conectar mais facilmente com o tema”, conclui.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por paulocardoso12.
