O SERINGAL

Dólar vai a R$ 5,19 com alta do petróleo e juros nos EUA. Bolsa afunda

Dólar afunda e Bolsa dispara com alívio externo e eleição no Brasil
Getty Images

O dólar registrou alta de 0,48% frente ao real, cotado a R$ 5,19, nesta quinta-feira (24/9). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,99%, aos 183,9 mil pontos — na véspera o resultado foi semelhante: uma baixa de 0,86%, aos 185,8 mil pontos.

Um clima de aversão ao risco segue dominando os mercados de câmbio e de ações. Nos últimos pregões, os investidores estão diante de três pontos recorrentes de tensão: o preço do petróleo, a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos e as eleições no Brasil.

Do trio de vetores, só o último item —  a corrida eleitoral — não pesou de forma expressiva nesta quinta-feira. Ainda assim, os investidores acompanharam as notícias sobre a viagem do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entre a Flórida e Brasília, num jatinho de uma empresa de Daniel Vorcaro, o ex-dono do Master.

Petróleo

No caso do petróleo, os contratos da commodity para novembro voltaram a subir, mantendo a tendência de alta pelo segundo dia seguido — isso depois de cinco quedas consecutivas.

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do Metrópoles

O barril do tipo Brent, a referência internacional, avançou 3,41%, a US$ 106,60. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, subiu 2,66%, a US$ 94,61 por barril.

Os preços chegaram a superar tais patamares no pregão, mas recuaram com notícias sobre negociações entre Estados Unidos e Irã. Os dois países estariam discutindo um acordo em etapas, no qual os iranianos permitiriam a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio econômico americano.

Dólar global

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrava, às 16h45, avanço de 0,13%, aos 101,26 pontos.

Trump-Xi

Nesta quinta-feira, o mundo também permaneceu atento ao encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. A expectativa por novidades concentra-se nas discussões entre as duas potências sobre temas como comércio internacional e inteligência artificial (IA).

Análise

João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, observa que o Ibovespa caiu no pregão em meio à nova alta do petróleo e com juros dos Treasuries, os títulos da dívida americana, de 10 anos em máxima desde 2007.

“A alta do Treasury de 10 anos é ocasionada pela atividade econômica americana forte e depois de falas duras de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o que implica possíveis novos aumentos nas taxas de juros do país”, diz. “Isso respinga em mercados emergentes e diminui o apetite global por risco. Vale, Petrobras e bancos caíram, pressionando o Ibovespa.”

Câmbio

Emerson Junior, da mesa de câmbio da corretora, considera que a alta do dólar foi “ditada pelo pessimismo externo”. “As bolsas globais voltaram a cair pressionadas pela preocupação com a inflação e pela expectativa de um aperto monetário ainda mais agressivo pelo Federal Reserve, impulsionadas por uma nova alta nos preços do petróleo”, afirma. “Os investidores seguem cautelosos com o impacto da energia cara na economia global.”

Política monetária

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, acrescenta que, no cenário doméstico, o destaque foi a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC). “O documento reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,0% para 1,8% e estimou alta de 1,4% em 2027, citando a perda de fôlego do consumo das famílias”, diz.

Para a inflação, nota o analista, o BC projeta que o IPCA em 12 meses suba 5,2% no fim do ano, acima do teto da meta, de 4,5%, e estima em 90% a probabilidade de esse limite ser ultrapassado no último trimestre. “O relatório reforça a ideia de que as expectativas sobre inflação seguem desancoradas e o balanço de riscos tem assimetria altista, com destaque para o preço do petróleo e os efeitos do El Niño”, afirma.

“No campo fiscal, o relatório elevou a projeção de déficit primário de 2026 de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões, antes das deduções da regra fiscal, e anunciou contingenciamento de R$ 13,6 bilhões”, aponta Dadoorian. “Na curva de juros, os DIs operaram em alta em todos os vértices, com o movimento mais forte na parte intermediária.”


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Metrópoles.

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