Drones navais atingiram um navio cargueiro na costa búlgara do Mar Negro nesta quarta-feira (28), segundo o proprietário da embarcação e o governo do país. O ataque é o mais recente de uma série de incidentes que aumentaram a preocupação com a expansão do alcance da guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Não está claro quem realizou o ataque ao navio grego, que navegava sob bandeira da Libéria na zona econômica exclusiva (ZEE) da Bulgária, nem qual era a carga transportada pelos 421 contêineres da embarcação.
“Um navio cargueiro foi atingido por três drones navais, a aproximadamente 21 milhas náuticas a sudeste de Shabla”, afirmou o ministro da Defesa, Dimitar Stoyanov, a jornalistas durante uma reunião regional de segurança.
O Ministério dos Transportes da Bulgária informou, em comunicado, que quatro embarcações da Marinha e da polícia foram enviadas para prestar assistência ao navio, que seguia do porto israelense de Haifa para Constanța, na Romênia. Os 18 tripulantes foram retirados da embarcação.
A proprietária do navio, a empresa Contships Management, confirmou o ataque. Um representante da companhia informou que todos os tripulantes estavam em segurança e em terra: 14 filipinos e quatro ucranianos.
Uma fonte de segurança marítima com conhecimento do caso afirmou que o navio sofreu danos graves e estava adernando.
Preocupação internacional
Ataques com drones contra navios mercantes na costa da Bulgária provavelmente causaram a morte de cerca de duas dezenas de tripulantes internacionais nas últimas semanas, segundo comunicados do governo sobre pessoas desaparecidas. Pelo menos seis embarcações comerciais foram atacadas.
Os ataques ocorreram na zona econômica exclusiva da Bulgária, área que se estende além das águas territoriais do país, mas na qual a Bulgária tem direitos exclusivos de exploração e gestão de recursos.
Os incidentes provocaram condenação internacional e preocupação com o alcance crescente da guerra na Ucrânia. Integrante da União Europeia e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Bulgária tem buscado ajuda de aliados para reforçar a segurança marítima.
A Ucrânia atribuiu os ataques à Rússia, e o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, afirmou que os incidentes parecem beneficiar Moscou. O governo russo, porém, negou envolvimento.
Em um sinal da preocupação internacional, o ministro da Defesa da Turquia, Yaşar Güler, advertiu Rússia e Ucrânia nesta quarta-feira contra ataques a embarcações comerciais no Mar Negro. Ele afirmou que Ancara se reserva o direito de tomar medidas legais em resposta aos ataques.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por joaoscavacin.
