O SERINGAL

Eleitor espera último debate para decidir voto, diz especialista

Em 4 dias, TSE recebe mais de mil denúncias de irregularidades eleitorais

Compartilhar matéria

Com a disputa presidencial entrando na reta final, o comportamento do eleitor brasileiro na véspera do primeiro turno das eleições segue marcado pela indecisão. Segundo a diretora de Opinião Pública da Ipsos, Márcia Cavallari, ao CNN 360°, os eleitores têm decidido cada vez mais tarde o seu voto, especialmente para o Senado, e tendem a aguardar o último debate para tomar uma posição definitiva.

Cavallari destacou que a campanha deste ano foi atípica, com pouca discussão de propostas e forte concentração em escândalos.

“Essa campanha foi uma campanha diferente, porque quase não se discutiu propostas para o país, não houve confronto de ideias”, afirmou a especialista, acrescentando que o cenário deixou o eleitor inseguro para a tomada de decisão.

Indecisão e abstenção como variáveis-chave

De acordo com Cavallari, pesquisas espontâneas indicam que cerca de 3 a cada 10 eleitores ainda não sabem em quem votar para presidente. “Isso é um contingente significativo que pode ter um impacto na reta final da eleição”, pontuou.

Além da indecisão, ela destacou a abstenção como outra variável relevante, que pode variar conforme a região do país e o perfil dos eleitores de cada candidato.

A especialista também comentou a possibilidade, ainda que de baixa probabilidade, de definição já no primeiro turno. Segundo ela, como a eleição presidencial está muito polarizada, qualquer movimentação dos eleitores dos candidatos menos bem posicionados nas pesquisas pode alterar o quadro.

“É possível, mas é uma probabilidade baixa”, avaliou.

Antipetismo, antibolsonarismo e voto útil

Questionada sobre o impacto do antipetismo e do antibolsonarismo no resultado final, Cavallari explicou que esses sentimentos podem levar ao chamado “voto útil”. “Gostaria de votar nesse, mas voto no outro porque eu não quero que o outro ganhe”, exemplificou.

Ela ressaltou que vários movimentos ainda podem ocorrer na reta final, incluindo a migração de eleitores de candidatos menores para os principais nomes da disputa.

Cavallari também lamentou a ausência de todos os principais candidatos no último debate.

“O eleitor fica esperando sempre o último debate, é o marco final da campanha, então é uma oportunidade que o eleitor perde das discussões das pautas do país”, disse.

Redes sociais ampliam vulnerabilidade a fake news

Ao ser questionada sobre a vulnerabilidade do eleitor à desinformação, Cavallari apontou um crescimento expressivo do uso das redes sociais como fonte de informação eleitoral.

Segundo dados da Ipsos, em 2022, 43% dos eleitores consideravam a televisão o principal veículo para se informar sobre as eleições, enquanto as redes sociais representavam apenas 17%. Neste ano, a televisão manteve os 43%, mas as redes sociais saltaram para 40%.

“Com 40% de redes sociais sendo a fonte de informação, é muito mais fácil ser suscetível às fake news ou informações que não correspondem aos fatos”, alertou.

Dificuldade de medir intenção de voto para o Senado

Cavallari também explicou por que é difícil para os institutos de pesquisa captarem a intenção de voto para senador. Segundo ela, o eleitor tende a deixar essa decisão para o último momento, em parte porque a ordem de votação na urna eletrônica é inversa à lógica de prioridade do eleitor.

“A gente vota primeiro para os deputados, depois senador um, senador dois. Então o eleitor acaba deixando sempre para o final”, detalhou. Ela acrescentou que, historicamente, o voto para senador acaba sendo puxado pelo candidato ao governo ou à presidência do mesmo partido.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosCandidatos à PresidênciaInstituto Ipsos


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.

Sair da versão mobile