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Em debate no Paraná, candidatos sobem tom sobre Bolsonaro, STF e corrupção

Em debate no Paraná, candidatos sobem tom sobre Bolsonaro, STF e corrupção

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Os candidatos ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL) participaram nesta terça-feira (29) de debate promovido pela RPC, afiliada da TV Globo. Ao longo da transmissão, eles protagonizaram embates sobre a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal), alianças políticas com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e corrupção.

O encontro foi o segundo debate televisionado da campanha com a participação de mais de um candidato. Outros eventos previstos para reunir os concorrentes acabaram transformados em sabatinas após ausências de candidatos.

O debate foi dividido em quatro blocos, com mediação da apresentadora Helen Anacleto. Em três deles, os candidatos discutiram temas de livre escolha, com perguntas dirigidas uns aos outros.

STF e Bolsonaro

Logo no início, Moro lamentou o que classificou como baixo nível da campanha e criticou adversários por suas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sandro Alex rebateu e questionou a aproximação do senador com Jair Bolsonaro (PL), após as divergências entre os dois durante o período em que Moro comandou o Ministério da Justiça.

O candidato do PSD também acusou Moro de ter votado a favor da indicação de Flávio Dino ao STF (Supremo Tribunal Federal). Alex citou as imagens de mensagens do celular do senador publicadas pelo jornal O Globo em 2023. “O print é eterno“, afirmou. A votação no Senado foi secreta. Moro negou ter apoiado Dino: “Eu votei contra Flávio Dino. O voto é secreto. Eu sei como eu votei”.

Alex ainda criticou Moro por deixar o mandato no Senado para disputar o governo do Paraná e afirmou que o senador deveria permanecer no Congresso para atuar em pautas defendidas pela oposição. Moro respondeu que assinou um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O confronto entre os dois se repetiu ao longo do debate. Alex acusou Moro de abandonar projetos e cargos antes de concluí-los e atribuiu ao ex-juiz parte da responsabilidade pela derrota de Bolsonaro em 2022. Moro, por sua vez, afirmou que deixou as divergências com o ex-presidente no passado e lembrou que o apoiou no segundo turno contra Lula.

Moro também questionou Alex sobre uma obra de acesso ao resort Tayayá, ligado à família do ministro Dias Toffoli, do STF, e acusou o adversário de ter priorizado o empreendimento em detrimento da Ponte de Guaratuba. Alex classificou a acusação como mentira e afirmou que a atual gestão enfrentou obstáculos para tirar a ponte do papel.

Educação e Violência contra as mulheres

Na educação, Sandro Alex destacou os resultados do Paraná e atribuiu parte do desempenho às escolas cívico-militares. Ele questionou Requião sobre declarações anteriores a respeito do modelo e afirmou que o pedetista pretendia acabar com essas unidades.

Requião negou que vá fechar escolas e disse que pretende mudar um modelo que, segundo ele, “não deu tão certo“. Também defendeu a ampliação do ensino em tempo integral e da educação técnica. Alex rebateu dizendo que as escolas cívico-militares têm aprovação dos pais e elogiou o currículo adotado.

A violência contra a mulher entrou no debate em uma pergunta de Requião a Moro. O senador afirmou que 6.854 mulheres foram vítimas de estupro no Paraná no ano passado. Como propostas de segurança, defendeu centros integrados de vigilância eletrônica, com câmeras públicas e privadas, inteligência artificial e reconhecimento facial, além da construção de um presídio estadual de segurança máxima.

Requião defendeu políticas de prevenção e educação para enfrentar a violência e a adesão a iniciativas federais contra o feminicídio. Também propôs a criação de um hospital voltado a mulheres e crianças. Moro citou um projeto de sua autoria para permitir a transferência de presos que continuem ameaçando ou importunando vítimas mesmo durante o cumprimento da pena. 

Corrupção

Requião também questionou a aproximação de Moro com o PL (Partido Liberal) e mencionou o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. O pedetista perguntou o que havia mudado desde as críticas feitas anteriormente pelo ex-juiz ao partido.

Moro respondeu que Valdemar não terá participação em um eventual governo seu e apresentou propostas para o combate à corrupção. Prometeu criar um código de ética para a alta administração estadual e uma agência anticorrupção, além de tornar os serviços e as contas do governo mais acessíveis por meios digitais.

Requião questionou a necessidade de uma nova estrutura e afirmou que o estado já dispõe de órgãos de controle. Também citou projetos de sua autoria voltados à transparência e disse ter apresentado, como deputado estadual, dezenas de denúncias sobre supostas irregularidades.

A Operação Lava Jato também apareceu na discussão. Moro afirmou que Lula “jamais foi inocentado pelos tribunais”. As condenações do presidente foram anuladas pelo STF, que considerou que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os casos.

Copel e Sanepar

A gestão de empresas e serviços públicos também colocou os candidatos em lados opostos. Requião criticou a privatização da Copel e atribuiu ao governo estadual a responsabilidade pelas tarifas da companhia. Segundo ele, a empresa passou a priorizar o retorno aos acionistas. Sandro Alex rebateu e responsabilizou o governo federal por parte dos aumentos sentidos pela população.

Moro também responsabilizou o governo estadual pelo aumento das tarifas da Copel (Companhia Paranaense de Energia), mas descartou reestatizar a companhia. Ao falar da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), afirmou que o serviço prestado atualmente não é adequado e citou problemas de abastecimento.

Requião voltou a criticar a gestão das empresas e afirmou que o lucro dos acionistas passou a ter prioridade. Moro prometeu dar um “choque de gestão” na Sanepar e defendeu que os cargos de direção sejam ocupados por pessoas com qualificação técnica.

Falas de encerramento 

Nas considerações finais, os três candidatos retomaram propostas apresentadas ao longo do debate e voltaram a trocar críticas. Requião afirmou que sua candidatura representa um projeto de oposição e criticou os adversários pela disputa em torno do apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O candidato voltou a defender a retomada do controle da Copel pelo Estado, a redução de impostos para pequenas e microempresas, investimentos em saúde, segurança pública e infraestrutura e a criação de estruturas de atendimento às mulheres.

Moro disse que o debate foi marcado por “agressões” e acusações que classificou como falsas. O senador defendeu propostas para educação, saúde, infraestrutura e segurança pública, além da criação de uma agência estadual anticorrupção e da redução gradual de tributos. Moro também afirmou que pretende manter projetos e obras do governo Ratinho Junior (PSD) e reiterou seu apoio a Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência.

Alex, por sua vez, apresentou sua candidatura como continuidade da gestão de Ratinho Junior e destacou ações do atual governo nas áreas de educação, saúde, segurança, habitação e infraestrutura. O candidato prometeu entregar 400 creches, criar a Agência Estadual do Cuidado, ampliar investimentos nas forças de segurança e dar continuidade aos programas habitacionais. Alex também defendeu a política econômica da atual gestão e afirmou que pretende manter o ritmo de investimentos e de geração de empregos no estado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por humbertotozze.

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