Compartilhar matéria
É padrão que planetas ou outros corpos celestes sejam engolidos caso cheguem muito perto de suas estrelas. Mesmo assim, pesquisadores encontraram uma estrela que está, tecnicamente, cometendo canibalismo, tirando material de uma anã marrom aos poucos.
O sistema nomeado como ZTF J0440+2325 foi localizado na Via Láctea, a cerca de 300 anos-luz da Terra. De acordo com os astrônomos, os dois corpos estão muito próximos, a anã marrom completa uma volta ao redor da estrela a cada 87 minutos, em uma órbita que caberia dentro do diâmetro do Sol.
Ela é um dos objetos mais massivos do planeta, mesmo assim, não possui massa o suficiente para ser considerada como uma estrela.
A companheira que está “comendo” a anã marrom, é uma estrela anã vermelha, que possui cerca de 85 vezes a massa de Júpiter, enquanto a anã marrom tem aproximadamente 25 vezes a massa do planeta.
De acordo com a pesquisa publicada na revista Nature Astronomy, que pode ser lido aqui, representa a primeira observação de um objeto de baixa massa consumindo lenta e continuamente material de outro corpo também de baixa massa.
Os astrônomos explicam que os primeiros sinais foram realizados pelo Zwicky Transient Facility (ZTF), que utiliza uma câmera instalada em um telescópio do Observatório Palomar, na Califórnia (EUA), para procurar rápidas variações de brilho no céu.
Inicialmente, os especialistas acreditavam que se tratava de um sistema conhecido como “binários de viúva-negra”, onde uma estrela de nêutrons extremamente densa e em rápida rotação consome lentamente uma companheira muito menor.
Após mais avaliações, perceberam que o comportamento ainda não era semelhante ao padrão de binários de viúva-negra. Anos depois, com observações feitas por diversos telescópios, foi possível medir o movimento do espaço, concluindo que era uma estrela de baixa massa orbitada por uma anã marrom.
De acordo com os cálculos realizados pelos astrônomos, a anã marrom pode estar perdendo o que pode ser considerado um centésimo de milésimo da massa da Terra por ano.
Mesmo que a quantidade pareça algo preocupante, pode levar bilhões de anos até que a anã marrom desapareça.
Os astrônomos agora procuram outros sistemas com casos semelhantes. Isso porque a descoberta pode indicar que planetas, anãs marrons e suas estrelas hospedeiras podem realizar diferentes interações.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por laurynamaral.
