Compartilhar matéria
Gary George, um ex-estudante da Universidade de Lamar, no Texas, realizou o que pode ser o sonho de qualquer colecionador de objetos raros. Em 1976, por U$ 217,77 (cerca de R$1,115, na cotação atual), George conseguiu as fitas originais da missão Apollo 11, que documentou os primeiros passos do homem na lua.
Na época, o jovem era estagiário de trabalho cooperativo no Centro Espacial Johnson, da Nasa. Durante o estágio, ele ocasionalmente participava de leilões de excedentes do governo com os colegas de trabalho, e conseguiu as fitas em um leilão na Base Aérea de Ellington, em Houston.
O lote continha cerca de 1.150 bobinas de fita magnética, cujo órgão proprietário também era a Nasa. Essas bobinas poderiam ser reutilizadas e eram comumente usadas por emissoras de televisão, o que fez Gary pensar em vendê-las para emissoras locais próximas ao campus da Universidade de Lamar.
De fato, ele vendeu algumas fitas e doou outras para Lamar e para uma igreja local que transmitia os cultos de domingo pela televisão. Mas muitas das fitas de formato menor tiveram que ser vendidas como sucata ou simplesmente jogadas fora.
Foi ai que o pai de George percebeu as etiquetas das caixas das fitas, identificando-as como “APOLLO 11 EVA | 20 de julho de 1969 REEL 1 [–3]” e “VR2000 525 Hi Band 15 ips”. Ele sugeriu que essas três fitas em particular poderiam valer a pena serem guardadas, e Gary seguiu o conselho do pai.
Descoberta do conteúdo das fitas
Até 2008, George não tinha pensado muito nas fitas desde o ano em que participou do leilão. Mas, um colega do clube de esqui que, por acaso, era engenheiro de vídeo da Nasa na época. mencionou que a agência estava tentando, sem sucesso, localizar as fitas de vídeo da transmissão original da Apollo 11.
George contatou a Nasa a respeito das fitas, mas, no fim, não foi possível chegar a um acordo sobre o que fazer com elas, ou mesmo como assisti-las. Então, por conta própria, ele contatou o arquivista de vídeo David Crosthwait, da DC Video, na Califórnia, que possuia equipamentos capazes de reproduzir as fitas.
Em outubro de 2008, as fitas foram reproduzidas no local, muito provavelmente pela primeira vez desde que foram gravadas. Milagrosamente, as fitas estavam em perfeitas condições, exibindo uma qualidade de imagem superior a qualquer outra fita de vídeo contemporânea existente.
Em dezembro de 2008, as fitas de George foram reproduzidas pela segunda vez desde que ele as comprou em 1976, e foram digitalizadas diretamente para arquivos não comprimidos de 10 bits, mantendo suas especificações originais e baixadas para um disco rígido.
No dia 20 de julho de 2019, 50 anos depois da missão Apollo 11, as fitas foram leiloadas por cerca de 1 a 2 milões na casa de leilões Sotheby’s, em Nova York.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por Giovanna Csiszar.
