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A Fitch Ratings elevou modestamente suas projeções para o preço do petróleo em 2027 e aumentou suas hipóteses para o gás europeu Dutch TTF em 2026 e 2027, em razão do conflito com o Irã e de seus efeitos sobre rotas e fluxos de energia.
Em relatório divulgado na terça-feira (22), a agência reiterou a avaliação de que o mercado global de petróleo deve caminhar para um quadro de excesso de oferta a partir do quarto trimestre de 2026, com “superávit material” em 2027 – cenário que tende a pressionar os preços, embora ainda haja um prêmio geopolítico relevante embutido nas projeções.
A Fitch manteve a previsão para o Brent em 2026 em US$ 87 por barril, citando dinâmica em linha com o esperado.
A agência lembrou que os preços recuaram fortemente para perto de US$ 70 em meados de junho, após EUA e Irã assinarem um memorando de entendimento para encerrar a guerra, e que os fluxos pelo Estreito de Ormuz se recuperaram para 75% dos níveis pré-conflito até o fim de junho.
Em setembro, porém, a retomada das hostilidades e a paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita – rota alternativa que contorna Ormuz – voltaram a sustentar o Brent em torno de US$ 100 por barril, em média até agora no mês. A expectativa é de queda dos preços quando o oleoduto saudita voltar a operar.
Apesar de a Fitch seguir projetando o mercado global de petróleo em superávit de oferta no quarto trimestre de 2026, a projeção para o Brent em 2027 foi elevada para US$ 70, de US$ 65, justamente para refletir o prêmio de risco geopolítico.
A nova hipótese considera que a resolução do conflito entre Teerã e Washington ocorreria apenas no primeiro trimestre do próximo ano, com risco de nova escalada, ainda que “provavelmente contida”.
Segundo a agência, a continuidade do trânsito de 10 milhões de barris por dia por Ormuz é sustentável mesmo sem acordo de paz. Somadas a dois oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos que evitam o estreito, essas alternativas sustentariam fluxos de petróleo em cerca de 90% do nível pré-guerra.
Em agosto, a produção dos Emirados chegou a 111% do patamar pré-conflito, enquanto a oferta saudita ficou em 75%, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Kuwait e Iraque, sem rotas alternativas, restauraram a produção para 76% e 87%, respectivamente.
A Fitch acrescenta que os Emirados constroem um segundo oleoduto para contornar Ormuz, que deve dobrar a capacidade alternativa de exportação até meados de 2027.
A Fitch também vê espaço para mitigar impactos caso haja maior restrição no estreito de Bab al-Mandeb: cargas podem ser desviadas via Canal de Suez e oleoduto SUMED.
Em 2027, a agência espera excesso de oferta “independentemente” de um acordo de paz – embora a paz ampliasse o superávit -, com produção fora do Oriente Médio crescendo 1,5 milhão de barris por dia em 2026 e mais 1 milhão em 2027, liderada por EUA, Canadá, Brasil, Argentina e Guiana.
Do lado da demanda, a agência estima “destruição” de cerca de 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026, com a Ásia respondendo por quase dois terços da queda e insumos petroquímicos por quase metade.
A China teve o maior recuo, de 1,5 milhão de barris por dia no período. A Fitch projeta recuperação gradual da demanda global no fim de 2026.
Em relação ao gás natural, a Fitch elevou projeções para o Dutch TTF diante de interrupções em fluxos de GNL por Ormuz, rota que representava 20% do fornecimento global antes do conflito.
A agência observa que os estoques de gás da União Europeia estão em apenas dois terços da capacidade, nível considerado suficiente para evitar interrupções no inverno do Hemisfério Norte, mas abaixo dos 80% a 90% registrados nesta época do ano entre 2022 e 2025.
Já a previsão para o Henry Hub foi mantida, citando capacidade ociosa limitada de liquefação nos Estados Unidos.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.
