O SERINGAL

Flávio deve falar em STF; Lula em pandemia, diz especialista sobre 2° turno

Voto em Flávio Bolsonaro é motivado por rejeição a Lula, diz especialista

Compartilhar matéria

Ao Hora H, Lucas de Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice, avaliou os principais temas que devem pautar a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.

Segundo ele, além dos assuntos já esperados, há elementos adicionais que cada candidato pode acionar para tentar conquistar o eleitorado indeciso.

Economia e STF como trunfos de Flávio Bolsonaro

De acordo com Aragão, Flávio Bolsonaro tende a apostar fortemente na questão econômica. “O Flávio também vai bater muito na questão da economia, do endividamento, de um modelo novo de projeto econômico para o país”, afirmou.

Para o analista, esse é justamente o tema que impediu Lula de chegar à eleição na posição de favorito.

Aragão classificou a disputa como sendo definida por dois grandes eixos temáticos. O primeiro é a economia, descrito como um tema contínuo, ligado à incapacidade do governo de gerar bem-estar econômico na sociedade ao longo dos anos.

O segundo, considerado o tema decisório, é a questão que envolve o STF e corrupção. “Esse é um tema que o Flávio vai falar bastante”, destacou.

Pandemia como arma de Lula

Na avaliação do cientista político, Lula pode tentar mobilizar, na reta final da campanha, o tema da pandemia e o mal-estar que ainda persiste em parte da sociedade em relação à forma como a crise sanitária foi gerida durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Inclusive numa pesquisa que nós fizemos, esse é um tema ainda forte entre aqueles que rejeitam o Flávio Bolsonaro”, ressaltou Aragão.

Diagnóstico interno e bodes expiatórios no PT

Questionado sobre o cenário interno da campanha de Lula após o primeiro turno, Aragão afirmou ter conversado com diversas pessoas ligadas ao governo e ao Partido dos Trabalhadores.

Segundo ele, há diferentes grupos atribuindo responsabilidades pelo resultado. Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha de 2022, é apontado por alguns como um dos responsáveis.

“É sempre culpa da comunicação, no final das contas”, observou. Dentro do chamado “petismo mais raiz”, há ainda uma tentativa de responsabilizar Gabriel Galípolo pelos juros elevados.

Já os setores mais pragmáticos do partido apontam o próprio Lula e Janja por um “processo decisório absolutamente fechado”.

Para Aragão, um dos problemas centrais foi uma postura de arrogância que permeou a campanha. “Houve uma arrogância do governo naquela teoria do não é possível — não é possível que o Lula vai perder para o Flávio”, disse.

Ele avaliou que essa postura levou a diagnósticos equivocados ao longo do ciclo eleitoral.

Contudo, ponderou que “não tem nada que acorde mais do que um banho de água fria”, e que a realidade atual — com Flávio à frente nas pesquisas, uma bancada do PL recorde na Câmara e um Senado majoritariamente à direita — impõe a necessidade de correção de rota.

Governabilidade em caso de vitória de Flávio

Ao analisar a capacidade de governar de Flávio Bolsonaro em caso de vitória no segundo turno, Aragão foi categórico: trata-se, em sua avaliação, de um dos governos com maior potencial de governabilidade das últimas décadas.

“É uma governabilidade diferente das outras”, afirmou, comparando com governos anteriores que dependiam de alianças amplas e acordos com outros partidos para aprovar suas pautas.

Segundo ele, a coesão ideológica do atual Congresso oferece a Flávio uma capacidade significativa de avançar em sua agenda, inclusive em pautas que exijam maioria constitucional.

Aragão ressalvou, porém, que a governabilidade tende a se deteriorar com o tempo, como ocorreu em praticamente todos os governos anteriores.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosFlávio BolsonaroLuiz Inácio Lula da Silva (Lula)


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.

Sair da versão mobile