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Mercado livre testa soluções antes de chegar ao consumidor residencial

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O mercado livre de energia elétrica está absorvendo problemas de liquidez e de segurança de mercado antes da abertura para consumidores de baixa tensão. A avaliação é de Eduardo Rossi, diretor de Segurança de Mercado da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

Segundo ele, a atual etapa de expansão, ainda concentrada nos consumidores de alta tensão, funciona como um “balão de ensaio” para identificar e corrigir problemas antes que o mercado alcance milhões de consumidores.

“Alguns problemas estão acontecendo agora e é positivo que eles aconteçam nessa fase, não quando a gente estiver com abertura para baixa tensão”, afirmou. 

As falas ocorreram durante o CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, nesta quinta-feira (24), em São Paulo, com especialistas e lideranças do setor. 

O mercado livre de energia enfrenta atualmente dificuldades de liquidez, alta nos preços e problemas financeiros envolvendo comercializadoras, incluindo pedidos de recuperação judicial. Para Rossi, apesar das turbulências, o próprio mercado tem conseguido absorver os efeitos.

“Os problemas que aconteceram no mercado de energia elétrica recentemente foram e continuam sendo absorvidos pelo próprio mercado”, disse.

Segundo ele, consumidores afetados por problemas de comercializadoras tiveram alternativas para continuar sendo atendidos ou retornar ao mercado regulado, conforme as regras existentes.

A abertura ocorre de forma gradual. Segundo Rossi, a etapa atual tem cerca de 200 mil consumidores potenciais de alta tensão. A CCEE estima que esse universo possa chegar a aproximadamente 6 milhões de consumidores em 2027 e a 90 milhões em 2028, com a expansão para a totalidade prevista no cronograma.

Para o executivo, a experiência adquirida agora será importante para preparar o mercado para a entrada dos consumidores de baixa tensão, incluindo pessoas físicas.

A CCEE, por meio do mercado de energia, investiu entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões entre 2024 e 2026 especificamente no processo de abertura e prevê mais R$ 15 milhões em 2027.

Relação alterada

Para Lucas Witzler, diretor-executivo da Ultragaz Energia Elétrica, a abertura também deve mudar a relação do consumidor com o mercado. Ele avalia que o cliente não deve considerar apenas o preço da energia na hora de escolher um fornecedor.

“O grande diferencial vai ser a agregação de serviços, é um atendimento com qualidade, um relacionamento, produtos associados à energia elétrica”, afirmou Witzler. Para ele, quanto mais simples for o processo de migração, maior será a possibilidade de sucesso da abertura.

O executivo também destacou que experiências internacionais mostram casos em que consumidores optaram pelo mercado livre mesmo quando o preço não era necessariamente menor. 

Separação de marca

Witzler também apontou que é necessário haver uma separação de marcas quando houver a abertura do mercado para que o consumidor “tenha um real entendimento do que é a distribuidora e do que é a atividade de comercialização de energia”.

Por sua vez, Alexandre Nogueira, CEO da Light, afirmou que a separação de marca não é necessária e que esse ponto é uma “jabuticaba brasileira”. Além disso, pontuou que realizar essa separação não irá diminuir a competição no setor.

Nogueira afirmou ainda que as distribuidoras devem manter um papel central durante a transição para o mercado livre de energia, principalmente por já serem responsáveis pelo suprimento dos consumidores e possuírem contratos de longo prazo.

Segundo ele, as distribuidoras funcionam hoje como uma espécie de lastro do sistema e, por isso, a abertura do mercado exigirá uma regulamentação específica para definir como essa estrutura será mantida durante a transição.

Nogueira destacou que as distribuidoras trabalham com contratos de compra de energia que podem ter duração de 20 a 30 anos, enquanto contratos de comercializadoras tendem a ter prazos menores. Essa característica, segundo ele, diferencia o papel das distribuidoras no processo de abertura.

O executivo também apontou como uma das discussões dos próximos meses a definição do supridor de última instância, mecanismo que deverá estabelecer quem será responsável pelo atendimento do consumidor em situações em que ele fique sem fornecedor de energia durante a abertura do mercado.

Poder de escolha

Na avaliação de Márcia Cavallari, diretora de Opinião Pública da Ipsos, o direito de escolha também é um fator relevante para a percepção dos consumidores. Segundo ela, a expectativa é que a concorrência leve as empresas a melhorar os serviços oferecidos.

“O consumidor quer ter esse direito de escolha, ele acha que com o direito de escolha haverá naturalmente uma concorrência por melhores serviços”, afirmou.

Além da possibilidade de escolher fornecedores, a expansão do mercado livre deverá ampliar a oferta de produtos customizados e mecanismos que permitam ao consumidor responder aos sinais de preço. 

Ela também falou sobre a possibilidade de melhora no fornecimento da energia para o cliente. Recentemente, pesquisa da Ipsos mostrou que 73% da população brasileira sofreu alguma queda de energia nos últimos três meses. 

O CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado reuniu especialistas e lideranças do setor para debater suas principais urgências e apontar caminhos para o futuro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por jeniferribeiro.

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