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Uma missão de autoridades sanitárias da China iniciou neste domingo (20) uma auditoria no sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal. A equipe vai avaliar frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais, em uma agenda que se estende até o dia 28.
Ao todo, 17 unidades industriais das cadeias de bovinos, suínos e aves estão no roteiro apresentado às autoridades chinesas.
A missão inclui estabelecimentos que buscam autorização para exportar ao país asiático e unidades que tiveram as habilitações temporariamente suspensas.
Como mostrou a CNN, entre os frigoríficos bovinos que serão avaliados estão a unidade da JBS em Vilhena (RO), da Minerva Foods em Rolim de Moura (RO) e da MBRF em Promissão (SP).
A unidade da JBS em Vilhena está suspensa para exportações à China desde maio, após a identificação de progesterona em cargas destinadas ao mercado chinês.
A missão também vai verificar estabelecimentos interessados em exportar miúdos bovinos e suínos, além de produtos como vesícula biliar.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a agenda pode resultar na reabilitação de plantas que tiveram as exportações suspensas e na habilitação de novos estabelecimentos.
A inspeção ocorre após uma série de medidas adotadas pela China neste ano em relação a frigoríficos brasileiros.
Algumas unidades foram suspensas depois da identificação de resíduos de substâncias proibidas pela legislação chinesa em cargas exportadas.
Em maio, três unidades brasileiras foram suspensas após a identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona.
Em abril, uma unidade também havia sido suspensa pelo mesmo tipo de ocorrência.
Posteriormente, a China suspendeu a unidade da JBS em Vilhena após a identificação de progesterona.
A missão chinesa ocorre ainda em um momento de forte redução dos embarques brasileiros de carne bovina para o país asiático.
Em agosto, o Brasil exportou 18,9 mil toneladas de carne bovina para a China, queda de 88,2% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
Apesar da queda em agosto, a China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira no acumulado de janeiro a agosto.
No período, foram 899,2 mil toneladas embarcadas, com receita de US$ 5,51 bilhões.
A redução dos embarques em agosto também esteve relacionada ao limite da cota tarifária estabelecida pela China para a carne bovina brasileira.
Após o preenchimento da cota, o produto excedente fica sujeito a uma tarifa adicional, de 50% — elevando o total para 62% — reduzindo a competitividade das exportações.
O resultado da auditoria chinesa ainda depende das avaliações técnicas realizadas durante a missão.
Eventuais decisões sobre reabilitação de plantas suspensas ou habilitação de novos estabelecimentos serão tomadas posteriormente pelas autoridades chinesas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por fernandapressinott.
