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O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos. A informação foi confirmada à CNN Brasil pela Academia Brasileira de Letras nesta terça-feira (22). A causa da morte e informações sobre o velório não foram divulgadas.
Ventura passou por diversas redações no Brasil e construiu a carreira em coberturas políticas e sociais. Em 2008, foi considerado pela ONU “um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos anos”. Também foi vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo, do Prêmio Vladimir Herzog e do Prêmio Jabuti de Reportagem.
Como escritor, ele ganhou destaque com a obra “1968 – O Ano que não Terminou”, que retrata os eventos políticos, culturais e sociais do ano no Brasil. O livro vendeu mais de 400 mil exemplares. Membro da ABL, ele foi o sétimo ocupante da Cadeira nº 32, eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna.
O jornalista foi casado por mais de seis décadas com Mary Ventura, com quem teve dois filhos: a editora Elisa Ventura e o também jornalista Mauro Ventura.
Quem foi Zuenir Ventura?
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir Ventura foi jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ele ingressou no jornalismo como arquivista em 1956. Nos anos 1960, conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu vários cargos em diversos veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.
No fim de 1969, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.
Em 1988, Ventura lançou o livro “1968 – O Ano que Não Terminou”, que vendeu mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os Anos Rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme “O homem que disse não”, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou “Cidade Partida”, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem.
No cinema, codirigiu o documentário “Um Dia Qualquer” e foi roteirista de “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje”, de Izabel Jaguaribe.
Em 2008, Zuenir Ventura recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Ao comentar sua série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, The New York Review of Books classificou o autor como “um dos maiores jornalistas do Brasil”. A revista inglesa The Economist definiu-o como “um dos jornalistas que melhor observam o Brasil”.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por Marina Toledo.
