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Autoridades do Tennessee não conseguiram executar Christa Gail Pike por um assassinato cometido em 1995 na quarta-feira (30), segundo testemunhas da imprensa, depois que a injeção letal foi interrompida por horas enquanto os tribunais analisavam um recurso de última hora. Se realizada, seria a primeira execução de uma mulher no estado em pelo menos 200 anos.
Pike, de 50 anos, estava com a execução marcada pelo assassinato cometido quando tinha 18 anos, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou uma decisão de um tribunal de apelações que havia suspendido a aplicação da injeção letal apenas uma hora antes do horário previsto. As autoridades então tentaram prosseguir com a execução.
As autoridades administraram a Pike duas doses de pentobarbital.
Às 19h46, funcionários da prisão fecharam a cortina da sala reservada à imprensa. Três minutos depois, a cortina foi reaberta. Era possível ouvir Pike roncando alto, e a cortina foi fechada novamente às 20h06.
Pike continuou sendo ouvida roncando atrás da cortina fechada até que o microfone foi desligado, por volta das 20h53. Naquele momento, foi anunciado que as testemunhas da imprensa seriam retiradas do local.
A porta-voz do Departamento de Correção do Tennessee, Dorinda Carter, disse às testemunhas da imprensa que não poderia fornecer imediatamente informações sobre o que havia acontecido.
Veículos de emergência foram vistos entrando e saindo da prisão.
Os advogados de Pike apresentaram uma petição de emergência à Suprema Corte dos EUA na noite de quarta-feira, pedindo a suspensão imediata da execução. Eles afirmaram que ela estava sofrendo uma “agonia desnecessária” e que o procedimento violava seu direito de ser executada sem sofrer punição cruel e incomum. Os advogados também apresentaram recursos ao Tribunal de Apelações do 6º Circuito e a um tribunal distrital.
A petição também alegou que o Departamento de Correção deveria iniciar medidas para salvar a vida de Pike. “A falta de prestação desse atendimento constitui indiferença deliberada a necessidades médicas legítimas e graves”, afirma o documento.
Pike e seu namorado foram condenados pelo assassinato, em 1995, de Colleen Slemmer, de 19 anos, colega dos dois em uma instituição de treinamento profissional em Knoxville. O caso ganhou ampla repercussão, em parte porque um pentagrama foi gravado no corpo de Slemmer e outros elementos do crime alimentaram temores de culto satânico durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990.
Foi a segunda vez neste ano que o Tennessee não conseguiu realizar uma execução. Em maio, autoridades estaduais cancelaram a injeção letal de Tony Carruthers, condenado por sequestrar e matar três pessoas em 1994, depois que os executores tentaram, sem sucesso, por mais de uma hora inserir um acesso intravenoso para administrar pentobarbital.
Suspensão da execução foi rapidamente contestada
Pike estava inicialmente programada para ser executada pela manhã, e testemunhas haviam se reunido na Instituição de Segurança Máxima Riverbend, em Nashville, quando o Tribunal de Apelações do 6º Circuito dos EUA votou por 2 a 1 pela suspensão da execução. O tribunal afirmou que a pausa era necessária para avaliar se as alegações de abuso sexual sofrido por Pike na infância haviam sido devidamente consideradas durante sua sentença.
O gabinete do procurador-geral recorreu à Suprema Corte, afirmando que interromper a execução no último momento traumatizou a família de Slemmer e recompensou “táticas abusivas de adiamento” por parte dos advogados de Pike.
Mais tarde, a Suprema Corte autorizou a continuidade da execução. A maioria conservadora não explicou sua decisão, enquanto os três ministros liberais assinaram uma opinião dissidente afirmando que as alegações de Pike mereciam uma análise mais aprofundada.
A ministra Sonia Sotomayor escreveu na dissidência que a decisão de derrubar a suspensão interferiu na condução do caso pelo Tribunal de Apelações do 6º Circuito e “impede desnecessariamente que aquele tribunal dê a devida consideração à alegação de Pike”.
Pike não nega ter cometido o assassinato, mas seus apoiadores argumentam que o estado deveria levar em consideração sua idade na época do crime, sua doença mental e suas alegações de graves abusos sexuais, incluindo estupros sofridos desde quando era criança.
“É inconcebível que, no século 21, o sistema de justiça criminal esteja prestes a executar uma sobrevivente de estupro e abuso sexual infantil cujo júri nunca teve a oportunidade de considerar esses fatos ao avaliar a culpabilidade moral da ré”, escreveram seus advogados em uma petição.
Caso reacendeu debate sobre pena de morte para jovens
À medida que a data da execução se aproximava, o debate sobre a pena de morte para jovens infratores voltou à tona.
O defensor público federal assistente Stephen Ferrell afirmou que a sentença de morte de Pike é uma exceção, pois outras pessoas de 18 anos no Tennessee tiveram condenações semelhantes anuladas.
Após o assassinato, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. Em seu pedido de clemência, ela afirmou que só queria brigar com Slemmer, mas acabou matando-a em um ataque frenético quando não conseguiu “pisar no freio”.
“Eu era uma jovem de 18 anos com doença mental. Levei muitos anos para perceber a gravidade do que havia feito. E mais ainda para aceitar quantas vidas eu havia afetado. Tirei a vida de alguém que era filha, irmã e amiga. Hoje me enoja pensar que fui capaz de cometer um crime assim”, disse Pike em um comunicado.
Mãe da vítima diz que esperava pela execução
A mãe de Slemmer havia dito que queria que a injeção letal fosse realizada, afirmando que esperou décadas para ver a sentença de Pike ser cumprida.
“Sempre que penso nisso, penso em Colleen sentindo aquela dor e tentando se levantar e fugir”, disse May Martinez à Associated Press em uma entrevista por telefone no sábado.
Martinez disse que um grupo ajudou a arrecadar dinheiro para que ela e o marido pudessem viajar da Flórida para testemunhar a execução.
Martinez afirmou que a idade de sua filha também deveria ser levada em consideração na decisão sobre o destino de Pike.
“Não passa um dia, nem um minuto, sem que eu pense em Colleen. Os feriados são os piores”, disse ela, observando que sua filha teria completado 51 anos em setembro.
O assassinato abalou a cidade de Knoxville. Promotores disseram que Pike, temendo que Slemmer tentasse roubar seu namorado, atraiu a jovem para uma área de mata em 12 de janeiro de 1995. Pike cortou Slemmer com um estilete e a agrediu com um grande pedaço de asfalto. Shipp, namorado de Pike, admitiu ter sido o responsável por gravar um pentagrama, símbolo em forma de estrela associado a Satanás, no corpo da vítima.
Shipp tinha 17 anos quando o crime aconteceu e recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi a única condenada à morte.
Execuções de mulheres são raras nos EUA
O Tennessee não executa uma mulher há pelo menos 200 anos, segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center. Registros mais antigos, porém, podem ser incompletos, o que dificulta saber com precisão quando foi executada a última mulher no estado.
Desde que a Suprema Corte restabeleceu a pena de morte, em 1976, 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, representando cerca de 1% de todas as execuções, segundo o centro.
A mais recente ocorreu em 2023, quando o Missouri executou Amber McLaughlin por um assassinato cometido em 2003, naquela que é considerada a primeira execução de uma mulher transgênero nos EUA. Em 2021, o governo federal executou Lisa Montgomery, marcando a primeira execução de uma mulher por autoridades federais em quase sete décadas.
Pike seria a 30ª pessoa executada nos EUA neste ano, depois que a Flórida realizou uma execução na terça-feira.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por danielseiti.
