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Na Turquia, corte forçado de juros fez inflação disparar acima de 80%

Na Turquia, corte forçado de juros fez inflação disparar acima de 80%

Em 2021, a Turquia enfrentava uma pressão inflacionária crescente, que se estabelecia desde meados de 2020. Diante disso, o Banco Central do país atuou para tentar frear a carestia elevando a taxa de juros.

O presidente Recep Tayyip Erdogan passou então a pressionar a autoridade monetária até que ocorresse um corte administrado das taxas. A aposta de Erdogan era fornecer estímulo econômico por meio da redução compulsória dos juros. Em setembro daquele ano, o BC turco cedeu e cortou o juro em 1 ponto percentual, de 19% para 18%. Os cortes seguiram ainda nos meses subsequentes, à pedido do mandatário.

A decisão no entanto pesou sob a inflação do país, que disparou até atingir o pico de 85,5% em outubro de 2022. Do outro lado, do câmbio, o dólar subiu quase 130% em relação à lira turca.

Erdogan, que e autodenominava inimigo das taxas de juros, defendia a visão pouco ortodoxa de que taxas de juros mais baixas irão conter a inflação e chegou a destituir presidentes do banco central devido a divergências políticas. O presidente turco estava ainda com baixa aprovação e diante da proximidade das eleições de 2023.

O “case” turco voltou a ser lembrado no mercado financeiro após notícia veiculada pelo jornal O Globo de um eventual encontro entre o presidente Lula e o economista André Lara Resende, um dos país do Real, que escreveu um artigo recente onde propõe um “teto” para os juros.

Segundo Resende em sua publicação, o Banco Central manteria a taxa básica de juros em um intervalo entre 3% (meta de inflação) e aproximadamente 5,5% ao ano (crescimento nominal potencial estimado). A Selic só poderia ficar fora desse intervalo em situações excepcionais autorizadas por um novo conselho que seria criado, o CFMN.

O encontro foi negado pelo próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas ideia de Resende foi endossada pelo economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, o que elevou temores no mercado financeiro sobre os rumos da política da 4ª gestão petista.

Nesta terça-feira (3), Durigan, reforçou que o governo está comprometido com um ajuste fiscal gradual, respeitando os compromissos da campanha.  O ministro disse ainda que, em suas agendas com o presidente, não está sendo tratado nada que justifique o medo do mercado.

No caso da Turquia, os juros saíram do patamar de 19% – quatro vezes a meta do banco central – em setembro de 2021 e recuaram até chegar 8,5% na decisão de fevereiro de 2023.

Após a reeleição de Erdogan, em junho de 2023, o Banco Central da Turquia retomou o ciclo de alta dos juros. A taxa do país então passou a subir em cada reunião. Em junho de 2023, a autoridade monetária elevou os juros de 8,5% para 15% de uma só vez. O ápice foi em março de 2024, quando os juros subiram para 50%.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por pedroz.

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