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Newcastle: entenda os protocolos de biosseguridade nas granjas

Newcastle: entenda os protocolos de biosseguridade nas granjas

A prevenção contra a doença de Newcastle depende de um conjunto de medidas de biosseguridade adotadas diariamente nas granjas. Com a identificação do vírus em aves de vida livre, autoridades sanitárias e entidades do setor reforçam a necessidade de proteger os plantéis comerciais e evitar o contato entre aves domésticas e silvestres, que podem representar uma via de introdução de agentes infecciosos nas propriedades.

Mesmo sem vínculo direto entre as ocorrências identificadas, a detecção do vírus em aves de vida livre aumenta a preocupação com a circulação do patógeno no ambiente. Em Mato Grosso, o Indea-MT (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado) publicou, em 28 de outubro, a Nota Técnica nº 00016/2026, com orientações para que produtores e médicos-veterinários reforcem imediatamente os procedimentos de biosseguridade nas propriedades.

Entre as recomendações está a inspeção de telas, portas, cortinas e outras barreiras físicas dos galpões, com a correção de possíveis falhas que permitam a entrada de aves silvestres. A orientação também inclui proteger comedouros, bebedouros, silos e depósitos de ração, além de manter as áreas externas limpas e eliminar resíduos de alimentos que possam atrair pombos.

O controle de pragas também deve ser realizado de maneira planejada, evitando o deslocamento dessas aves para outras áreas da propriedade. Outra medida importante é intensificar a higienização e a desinfecção de veículos, rodas, ferramentas e equipamentos, além de utilizar roupas e calçados exclusivos nas áreas de criação.

A restrição da circulação de pessoas e veículos ao estritamente necessário também faz parte dos protocolos. Os acessos devem ser registrados, permitindo identificar quem entrou na propriedade e quais áreas foram visitadas.

Segundo o assessor técnico de Pecuária da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), Marcos Carvalho, a mobilização dos produtores é fundamental neste momento. Ele destaca que a prevenção depende do comprometimento de toda a cadeia produtiva, com atenção redobrada às condições sanitárias das granjas e dos galinheiros.

“É fundamental que os produtores mantenham a vigilância nas propriedades. A presença de vírus nos pombos reforça a importância de impedir o contato das aves de vida livre com as aves domésticas, observar qualquer alteração no comportamento ou na saúde dos lotes e comunicar imediatamente ao Indea os sinais suspeitos”, explica.

Carvalho também chama a atenção para sintomas que podem indicar a presença da doença, como diarreia, torcicolo, secreção nasal, queda abrupta na produção de ovos e aumento da mortalidade.

Entenda os principais protocolos de biosseguridade nas granjas

A biosseguridade reúne procedimentos destinados a impedir a entrada e a disseminação de agentes infecciosos nos estabelecimentos avícolas. As medidas devem ser adotadas de forma permanente, independentemente da existência de casos confirmados na região.

1. Controle de acesso às propriedades

A entrada de visitantes deve ser restrita ao mínimo necessário. Produtores precisam manter registros atualizados de pessoas e veículos que circulam pela propriedade, identificando a origem e o destino de cada acesso. A medida reduz o risco de introdução de agentes infecciosos por meio do trânsito entre diferentes granjas.

2. Barreiras sanitárias

Pessoas autorizadas a entrar nas áreas de criação devem realizar a troca obrigatória de roupas e calçados, utilizando vestimentas específicas para cada ambiente da propriedade. O objetivo é evitar que microrganismos sejam transportados de áreas externas para o interior dos galpões.

3. Limpeza e desinfecção

Veículos utilizados no transporte de ração, insumos e materiais precisam passar por procedimentos rigorosos de lavagem e desinfecção. Ferramentas, equipamentos e utensílios também devem ser higienizados antes de serem compartilhados entre diferentes lotes ou propriedades.

4. Proteção das instalações

Telas, portas, cortinas e outras estruturas dos galpões devem ser inspecionadas regularmente. O objetivo é impedir a entrada de aves silvestres, pombos, patos e marrecos. Comedouros, bebedouros e depósitos de ração também precisam permanecer protegidos.

5. Tratamento da água e destinação de resíduos

A água fornecida às aves e utilizada nos sistemas de nebulização deve receber tratamento adequado. A destinação de carcaças e outros resíduos precisa seguir os procedimentos sanitários recomendados, assim como o cumprimento do vazio sanitário entre os lotes.

6. Monitoramento e notificação de suspeitas

Produtores e responsáveis técnicos devem acompanhar diariamente as condições sanitárias dos plantéis. Alterações respiratórias ou neurológicas, diarreia, secreção nasal, torcicolo, queda na postura e aumento da mortalidade precisam ser comunicados imediatamente ao serviço veterinário oficial.

A notificação devem ser realizada à Defesa Sanitária estadual ou pelo Sisbravet (Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias).


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por andressasimao.

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