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O número de casos confirmados de Ebola na República Democrática do Congo ultrapassou 8.000 pela primeira vez desde o início do surto em curso nesse país da África Central, segundo dados divulgados pelo governo nesta segunda-feira.
O mais recente relatório de situação do instituto de saúde pública indicou que o número de casos é de 8.067 e o de mortes, de 3.901.
O surto, causado pela cepa Bundibugyo do Ebola, tornou-se o maior e mais letal da história do Congo, superando a epidemia de 2018-2020.
Ele fica atrás apenas do surto da África Ocidental de 2014-2016, que infectou mais de 28.600 pessoas e matou mais de 11.000 na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
Violência e desconfiança dificultam combate ao ebola no Congo
No centro de tratamento de Ebola de Kitatumba, em Butembo, pacientes estão lotando as instalações, obrigando os profissionais de saúde a converter leitos reservados para casos suspeitos em leitos para pacientes confirmados.
Centros de trânsito que normalmente atendem casos suspeitos também estão recebendo pacientes confirmados devido à falta de espaço.
Kivu do Norte tornou-se um dos principais focos do pior surto de Ebola já registrado no Congo.
Mais de 1.300 casos foram contabilizados na província, com uma taxa de letalidade superior a 62%, em comparação com cerca de 45% em Ituri, onde a transmissão começou a diminuir.
A agência de notícias Reuters informou que Kivu do Norte registrou 555 novos casos nos 21 dias anteriores a 12 de setembro, com um aumento particularmente rápido em Butembo.
A MSF afirma que o surto tem se mostrado difícil de conter, em parte porque se estabeleceu em áreas urbanas densamente povoadas e o engajamento da comunidade foi mais fraco no início da resposta.
O medo e a desconfiança em relação aos centros de tratamento de Ebola também levaram algumas pessoas a adiar a busca por atendimento, fazendo com que os pacientes cheguem apenas quando a doença já está em estágio grave.
O surto concentra-se no leste do Congo, uma região afetada pela violência há décadas, onde o conflito atrasou o acesso às comunidades, prejudicou a movimentação de pessoal e suprimentos e dificultou o rastreamento de contatos.
Ataques a hospitais e equipes de saúde continuam ocorrendo e colocando em risco os profissionais que atuam na resposta à epidemia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por laurasantana.
