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“Nunca mais será o mesmo”: Como Trump se voltou contra o Kennedy Center

“Nunca mais será o mesmo”: Como Trump se voltou contra o Kennedy Center

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Quando a Justiça ordenou que o nome do presidente Donald Trump fosse removido do Kennedy Center nesta primavera, parecia que poderia ter surgido uma oportunidade para deixar para trás seu domínio sobre o centro de artes cênicas.

“Ordenei ao Departamento de Comércio que tome todas as providências necessárias junto ao Congresso para permitir uma transferência completa e integral desta instituição, dando a eles a responsabilidade por sua Operação, Manutenção e Gestão”, escreveu o presidente em uma publicação no Truth Social no fim de maio, aparentemente abrindo mão do controle que havia assumido um ano antes.

Até mesmo alguns dos mais de uma dúzia de membros do conselho ex officio — que não têm direito a voto, mas não são aliados de Trump — chegaram a especular sobre a possibilidade de o ex-presidente do conselho, o bilionário e filantropo David Rubenstein, retornar para ajudar a recuperar a arrecadação de recursos e a programação do centro, disseram à CNN duas fontes familiarizadas com o assunto. (A CNN procurou Rubenstein para comentar.)

Mas depois que Trump disse que permaneceria como presidente do conselho, “isso meio que acabou rapidamente”, disse uma das fontes. A esperança de que sua campanha para renomear um monumento dedicado à memória de John F. Kennedy tivesse chegado ao fim acabou sendo apenas uma ilusão.

Em vez disso, nove meses depois de um dia frio de dezembro em que guindastes colocaram pela primeira vez o nome de Trump na fachada de mármore, a instituição foi levada à beira do colapso pelo presidente, que continua profundamente envolvido em uma disputa: as luzes foram apagadas dentro do prédio, a infraestrutura está se deteriorando e protestos se espalham enquanto as batalhas judiciais se acumulam.

Uma ação movida pela deputada democrata Joyce Beatty, de Ohio, integrante ex officio do conselho, levou um juiz a determinar que o nome de Trump deveria ser retirado do prédio e que o conselho não poderia fechar completamente a instituição.

Trump apenas intensificou as ameaças de demolir o prédio em resposta aos reveses jurídicos: nesta semana, o presidente foi visto com um cartaz pela janela do Air Force One que parecia dizer “KENNEDY CENTER DEMOLIDO”. Embora o juiz federal tenha determinado desde então que seja dado um aviso prévio de 30 dias antes de qualquer mudança importante, não está claro o que acontecerá daqui para frente.

Na noite de sexta-feira, o governo argumentou em um processo judicial que o Kennedy Center precisa ser fechado por dois anos, pedindo ao juiz federal responsável pelo caso que permita o fechamento para que o prédio “perigosamente deteriorado e em estado de abandono” possa ser reformado.

No mesmo dia, mais de uma dúzia de funcionários do Kennedy Center foram demitidos, incluindo seu principal porta-voz, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto — reduzindo ainda mais uma equipe que já era mínima. O Kennedy Center se recusou a comentar as demissões.

Trump afirmou que a administração anterior é responsável pela situação financeira crítica. Durante uma conturbada reunião do conselho nesta semana, ele também culpou Beatty por ter levado o caso à Justiça, o que, segundo ele, contribuiu para a decadência do centro.

Enquanto o presidente e seus aliados no conselho argumentam que seu nome precisa ser recolocado no prédio para recuperar a arrecadação de recursos, autoridades atuais e antigas, artistas e representantes do setor afirmam que é justamente o envolvimento de Trump que afastou os doadores do centro e levou dezenas de artistas a cancelar suas apresentações.

“As produções da Broadway não voltarão, os artistas não voltarão”, disse uma fonte familiarizada com as discussões sobre a programação. “Nenhum desses doadores voltará enquanto Donald J. Trump for o presidente do conselho.”

Autoridades atuais e antigas do Kennedy Center, músicos, artistas e outros profissionais ligados ao centro afirmam que a tomada de controle por Trump deixou uma marca permanente na instituição, independentemente de seu nome acabar ou não no prédio.

“Há teatros maravilhosos em todo o país, e eles certamente fazem parte da ecologia cultural”, disse LaRue Allen, presidente e diretora-executiva da Martha Graham Dance Company, que tem 50 anos de história com a instituição. “Mas o Kennedy Center — ele está na capital da nossa nação. É nossa vitrine nacional.”

Outra fonte do Kennedy Center que deixou recentemente a instituição resumiu: “Nunca mais será o mesmo”.

A CNN procurou a Casa Branca para comentar.

“O Kennedy Center faz um trabalho maravilhoso, um trabalho incrível”

O foco de Trump no Kennedy Center é emblemático de uma mudança significativa de seu primeiro governo para um segundo mandato que tem como alvo pilares das artes, da cultura e da educação em todo o país, além do desejo incansável de Trump de remodelar a capital do país de acordo com sua vontade.

Em seu primeiro mandato, Trump evitou em grande parte o local, deixando de participar da cerimônia Kennedy Center Honors depois que os homenageados ameaçaram boicotar o evento caso ele comparecesse. A Casa Branca chegou a afirmar em um comunicado de 2017 que o presidente e a primeira-dama Melania Trump não participariam “para permitir que os homenageados celebrassem sem qualquer distração política”.

E quando o Kennedy Center recebeu inicialmente US$ 25 milhões em recursos de um pacote de estímulo econômico de US$ 2 trilhões aprovado em março de 2020 durante a pandemia de Covid-19, Trump defendeu a ajuda, dizendo: “O Kennedy Center faz um trabalho maravilhoso, um trabalho incrível”.

Nove meses depois, porém, ele destacou uma verba de US$ 40 milhões destinada ao centro ao criticar um projeto posterior de auxílio contra a Covid-19, aprovado em dezembro de 2020 — um prenúncio de sua futura insatisfação.

Durante sua campanha de 2024, Trump deixou claro que combater o chamado “wokismo” seria um dos pilares de um segundo governo. Ele não parece ter destacado especificamente o Kennedy Center durante a campanha, mas, na terceira semana de seu mandato, já havia colocado em andamento um plano para assumir o controle da instituição.

“Por minha determinação, vamos fazer o Kennedy Center, em Washington, D.C., SER GRANDE NOVAMENTE”, escreveu Trump no Truth Social em fevereiro de 2025.

Trump disse que havia demitido Rubenstein da presidência do conselho, assim como integrantes do conselho que “não compartilham nossa Visão para uma Era de Ouro nas Artes e na Cultura”.

A tomada de controle foi o primeiro dominó de uma série de medidas de Trump para remodelar a capital do país, incluindo a demolição da Ala Leste da Casa Branca, o fechamento e a reforma do campo de golfe público mais movimentado de Washington, D.C., e seus esforços contínuos para construir um arco triunfal de 76 metros perto do Cemitério Nacional de Arlington — projetos que continuam sendo contestados na Justiça.

Embora Trump tenha criticado amplamente instituições culturais e museus, ele conseguiu exercer apenas um controle limitado sobre eles, principalmente por meio da redução de seu financiamento federal. O governo federal desmantelou as agências que financiam as artes, incluindo o National Endowment for the Arts e o National Endowment for the Humanities, e negou ou rescindiu dezenas de milhões de dólares em subsídios para organizações que não estão alinhadas aos valores do presidente.

Mas o Kennedy Center é uma das poucas instituições culturais nas quais o presidente conseguiu exercer mais poder ao assumir o controle do conselho. Ele também tentou colocar sob seu controle o Smithsonian Institution, financiado pelo governo federal, com resultados mais irregulares.

Uma semana após Trump assumir o controle do conselho, o presidente foi nomeado presidente da instituição e instalou o aliado de longa data Richard Grenell como diretor-executivo.

“Então, assumimos o controle do Kennedy Center”, disse Trump a repórteres. “Vou ser o presidente do conselho, e vamos garantir que seja bom e que não seja woke. Não haverá mais woke neste país.”

Seu novo papel provocou vários cancelamentos, entre eles, principalmente, o espetáculo da Broadway “Hamilton”.

Às vésperas da cerimônia Kennedy Center Honors de dezembro de 2025, que o próprio Trump apresentaria, o presidente começou a se referir ao prédio como “Trump Kennedy Center”.

Em 18 de dezembro de 2025, o conselho oficializou a mudança ao votar pela renomeação da instituição para “The Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts”, afirmando que a mudança homenageava o trabalho de Trump no centro após assumir o controle.

Um dia depois, uma nova sinalização foi instalada para acrescentar o nome de Trump à fachada do prédio.

Uma saga jurídica e financeira

A batalha judicial e a onda de cancelamentos que se seguiu representam desafios particulares para uma instituição que obtém parte de seu orçamento com a venda de ingressos.

Operando como uma organização sem fins lucrativos, o Kennedy Center recebeu cerca de US$ 37 milhões do Congresso no último ano fiscal, segundo a legislação orçamentária mais recente sancionada. Mas a maior parte de sua receita vem da programação e de doações privadas. No ano fiscal de 2024, durante o governo Biden, o Kennedy Center declarou US$ 307 milhões em receitas, segundo documentos apresentados à Receita Federal dos EUA.

No ano passado, Grenell tentou reformular o calendário do centro para incluir, em suas palavras, uma programação mais voltada para famílias. Ele trouxe “Dog Man: The Musical”, baseado na popular série de histórias em quadrinhos infantis, por recomendação da segunda-dama Usha Vance.

Ao mesmo tempo, o centro passou a sediar eventos que reforçavam seus vínculos com Trump, incluindo a estreia do documentário “Melania”, um memorial para Charlie Kirk e o sorteio da Copa do Mundo da FIFA — ocasião em que a organização concedeu a Trump um prêmio pela paz.

Mas, depois que o nome de Trump foi acrescentado ao prédio, uma onda de artistas desistiu de se apresentar, e as vendas de ingressos caíram. Várias fontes disseram à CNN no início deste ano que a frequência no Kennedy Center havia ficado tão baixa que, durante meses, a instituição teve de “encher a casa” — termo do teatro que significa preencher os assentos oferecendo ingressos gratuitos ou com desconto.

“Havia uma atmosfera de desespero em torno das apresentações. Ninguém estava comparecendo às apresentações”, disse Carlos Simon, compositor residente do Kennedy Center desde 2021, à CNN.

Simon, que está em seu último ano como residente, observou que a National Symphony Orchestra agora está se apresentando em outros locais de Washington. Ele disse que permaneceu em seu cargo no Kennedy Center “pelo moral das pessoas que ainda estavam lá tentando fazer o bom trabalho de apresentar música”.

“Eu me sinto muito mal por isso ter se tornado uma ferramenta ou um peão político, mas a música ainda precisa continuar”, disse.

Em meio aos cancelamentos, Trump anunciou em fevereiro que o Kennedy Center fecharia por dois anos, a partir de 4 de julho, para permitir reformas — uma medida que críticos suspeitaram ter sido tomada mais para encobrir a redução do público do que pela necessidade de um fechamento tão drástico.

O Kennedy Center também recebeu um aporte significativo de recursos no ano passado graças ao “One Big Beautiful Bill” de Trump, que destinou US$ 257 milhões ao centro para “despesas necessárias com reparos de capital, restauração, manutenção acumulada e estruturas de segurança”.

Ainda assim, o conselho argumentou que somente a ajuda de Trump poderia garantir os recursos necessários para reformar o prédio — e Trump deixou claro que sua ajuda só viria com os direitos de nomeação.

Enquanto isso, Matt Floca, sucessor de Grenell como diretor-executivo, disse nesta semana ao juiz no processo movido por Beatty que o centro precisa ser fechado temporariamente por questões de segurança.

Mesmo que o prédio sobreviva, autoridades afirmam que fazer a programação do centro voltar — especialmente os espetáculos da Broadway — ainda levaria meses ou até vários anos.

Isso, claro, parte do pressuposto de que os espetáculos estariam dispostos a voltar, disse a fonte envolvida na programação do centro.

“Se começássemos agora, em termos de negociar com as empresas detentoras dos espetáculos, ir e voltar nas negociações e fechar um acordo, poderíamos ter as turnês da Broadway de volta ao Kennedy Center basicamente em meados de 2027 ou em 2028”, disse a fonte. “É quanto tempo leva para colocar todas essas peças em seus devidos lugares.”

Esse conteúdo foi publicado originalmente emInternacionalVer original 


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por jessicapetrovna1.

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