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Uma tartaruga-gigante-de-aldabra adulta aparece em fotografia em preto e branco tirada em 1886; em registro em sépia ao lado de uma jovem Elizabeth II em 1947 e em vídeos coloridos de alta qualidade publicados no Instagram em 2026.
Em mais de um século de vida, tudo ao seu redor mudou. Mas Jonathan, o animal terrestre mais velho do mundo, continua o mesmo.
Após a confirmação da idade pelo Guinness World Records em julho, um estudo epigenético publicado na Science Advances neste mês tentou desvendar os motivos por trás da longevidade única da tartaruga.
Uma breve história da longa vida de Jonathan
O réptil nasceu no arquipélago de Seicheles, território antes conhecido como Mauritânia e pertencente à Coroa Britânica. Ele foi levado para a ilha de Santa Helena, parte do Reino Unido, como presente para um político que se tornaria governador da área.
Como Jonathan chegou a Santa Helena já adulto, sua idade exata não é conhecida; estima-se que tenha nascido em 1832. Seu aniversário é comemorado no dia 4 de dezembro.
A tartaruga conheceu diversas gerações de monarcas britânicos e acompanhou o passar dos anos desde a impressão do primeiro selo de carta, em 1840, até o lançamento do primeiro website em 1991.
Jonathan ainda vive no gramado da sede do governo de Santa Helena, a Plantation House. Ele foi apelidado de “Jono” pela população local e é frequentemente mimado com festas de aniversário, presentes comestíveis e visitas de turistas, como “embaixador” não oficial do turismo na ilha.
Vencedor da loteria genética
A análise de todo o material genético (genoma) e das marcas químicas presentes no DNA (metiloma) revelou 284 variantes de genes exclusivas a Jonathan, não encontradas nas outras duas tartarugas-gigantes analisadas. Ainda, 41 destes genes apresentam mutações que afetam positivamente a saúde do animal centenário, sendo 12 deles diretamente ligados às características de longevidade.
Ele também apresenta padrões de “desgaste” em 272 genes importantes que se assemelham muito mais a tartarugas filhotes do que a indivíduos próximos à sua idade. Jonathan parece ter “bloqueado” o acúmulo desordenado das marcas químicas – um fenômeno conhecido como “entropia de metilação” e associado ao envelhecimento – em grandes regiões de seu genoma.
Estas particularidades genéticas fazem com que Jono enfrente menos erros de expressão genética, utilizando energia em suas células com menos desperdício. Os processos de edição e tradução do DNA, necessários para produzir proteínas, têm menos falhas; e mesmo no caso de falhas, as células de Jonathan são capazes de consertá-las mais rapidamente.
Em resumo: as células da tartaruga mais velha do mundo conseguem acessar mais energia e reparar falhas com mais facilidade. É como se, enquanto outras “máquinas” enferrujam e perdem velocidade ao longo dos anos, Jono fosse uma invenção de alta tecnologia que permanece bem cuidada, lubrificada e eficiente por muito mais tempo.
O que Jonathan nos ensina sobre longevidade?
As descobertas no material genético da tartaruga-gigante refletem o que cientistas já identificaram em supercentenários humanos: a importância da entropia de metilação no envelhecimento e quais genes têm maior impacto na duração da vida.
A capacidade de Jono de identificar e corrigir falhas nos processos genéticos, encontrar e eliminar células deficientes e manter uma organização das marcas químicas do DNA similar à de filhotes de tartaruga é impressionante, e pode oferecer um “mapa” para desenvolver intervenções para fazer humanos viverem com saúde por mais tempo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por julianasilva.
