O SERINGAL

O sobrenome veio do pai, a missão é do filho: Leonardo Melo abraça o legado de Flaviano

Por Leonardo Melo

Tenho percorrido o Acre e vivido uma experiência que nenhuma eleição, pesquisa ou estratégia política é capaz de explicar completamente.

Em praticamente todos os lugares onde chego, encontro alguém que tem uma história para contar sobre meu pai.

“Leonardo, eu conheci o Flaviano.”

“Foi no governo dele que consegui minha casa.”

“Foi ele quem fez aquilo.”

“Seu pai ajudou nossa comunidade.”

“Eu votei no Velho Lobo.”

Escuto, abraço, agradeço e muitas vezes me emociono.

Porque, para muita gente, Flaviano Melo foi governador, prefeito de Rio Branco, senador e deputado federal. Para mim, antes de tudo isso, era meu pai.

E meu pai se foi.

Ficou uma saudade que pertence à nossa família, mas ficou também uma história que já não pertence apenas a nós. Pertence ao Acre.

É justamente por isso que tenho dito aos eleitores nesta caminhada: não entrei na política acreditando que posso herdar os votos de Flaviano Melo. Entrei sabendo que preciso ser digno do legado que ele deixou.

Sobrenome se herda.

Confiança, não.

Confiança se conquista.

O Acre ainda consegue tocar nas obras de Flaviano

Existe uma diferença entre lembrança e legado.

Lembrança mora na memória.

Legado continua fazendo parte da vida das pessoas.

Meu pai governou o Acre por apenas três anos, entre 1987 e 1990, num período em que o Estado possuía muito menos dinheiro, estrutura e instrumentos de financiamento do que possui hoje.

Mesmo assim, deixou realizações que atravessaram décadas.

A Fundação Hospitalar é talvez um dos maiores exemplos.

A instituição criada durante seu governo tornou-se uma referência da saúde pública acreana e hoje leva oficialmente o nome de Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo.

Quando participei da homenagem que colocou o nome dele naquela instituição, disse algo que saiu do meu coração: aquilo que meu pai queria era fazer as coisas para as pessoas.

Essa talvez seja a definição mais simples do jeito de Flaviano fazer política.

Fazer para as pessoas.

Não fazer para a fotografia.

Não fazer para a eleição seguinte.

Fazer para permanecer.

Hoje meu pai não está mais aqui, mas todos os dias existem acreanos entrando naquela Fundação em busca de tratamento.

Isso é legado.

Basta caminhar por Rio Branco

Quando percorro Rio Branco, não preciso carregar um álbum de fotografias para mostrar o que Flaviano fez.

A cidade mostra.

Manoel Julião, Xavier Maia, Universitário, Adalberto Sena, Rui Lino, Vila Betel, Novo Horizonte e Raimundo Melo são exemplos de uma política habitacional que colocou milhares de famílias dentro de suas casas.

Há levantamentos que atribuem às administrações de Flaviano 5.597 moradias populares.

Para mim, esse número não representa apenas casas.

São milhares de histórias.

É a mãe que criou os filhos naquele endereço.

É o trabalhador que deixou de pagar aluguel.

É a criança que cresceu naquele bairro, estudou, constituiu sua família e hoje talvez esteja criando ali seus próprios filhos.

Por isso estou levando para esta campanha uma proposta diretamente inspirada naquele legado.

Quero trabalhar pela construção de dois novos grandes conjuntos habitacionais no Acre, inspirados no modelo do Manoel Julião.

Não estou falando de reproduzir uma obra do passado.

Estou falando de recuperar uma ideia que continua atual: o poder público precisa voltar a enfrentar o déficit habitacional em grande escala.

Quero buscar recursos em Brasília, trabalhar com a bancada federal e transformar parte da capacidade de investimento destinada ao Acre em casas para quem precisa.

Essa é a melhor maneira de homenagear Flaviano.

Não construindo estátua.

Construindo casas.

As caixas-d’água contam outra história

Existem obras que viram monumentos involuntários de uma administração.

As grandes caixas-d’água construídas em Rio Branco são exemplos disso.

Meu pai era engenheiro civil.

Eu também sou engenheiro civil.

Talvez por isso eu compreenda tão bem uma característica dele: Flaviano gostava de obra que resolvesse problema.

Água não tem ideologia.

Saneamento não tem partido.

Uma mãe abrindo uma torneira dentro de casa não quer saber se aquela água veio de um governo de esquerda, de centro ou de direita.

Ela quer água.

Parece óbvio.

Mas a boa política muitas vezes começa justamente pelo óbvio que ninguém resolveu.

Cultura também é desenvolvimento

O Teatro Plácido de Castro, o nosso Teatrão, é outra obra daquele período que atravessou gerações.

Quantos artistas passaram por aquele palco?

Quantas crianças conheceram ali o teatro pela primeira vez?

Quantos eventos da história cultural acreana aconteceram naquele espaço?

Isso mostra que meu pai enxergava desenvolvimento de uma maneira ampla.

Um Estado precisa de estrada.

Precisa de hospital.

Precisa de casa.

Precisa de água.

Mas também precisa de cultura, identidade e autoestima.

O Acre precisa acreditar no Acre.

Meu pai pensava grande

Talvez uma das coisas que mais admiro em Flaviano seja que ele não aceitava a ideia de que o Acre deveria se conformar em ser pequeno.

Ele pensava grande.

Pensava integração.

Pensava estradas.

Pensava ligação com o restante do país.

Pensava desenvolvimento econômico.

E essa visão é uma das razões pelas quais tenho defendido que o Acre volte a discutir seriamente projetos estruturantes, inclusive sua integração aos grandes corredores de transporte e desenvolvimento.

Não podemos aceitar eternamente um Estado isolado, dependente e caro para produzir.

Precisamos olhar para os próximos 20 ou 30 anos.

Política séria não pode enxergar apenas até outubro.

“Na época de Flaviano se fazia mais com menos”

Essa frase tem acompanhado minhas reflexões.

Meu pai governou numa época de enormes limitações.

Havia menos recursos.

Menos tecnologia.

Menos convênios.

Menos facilidade para chegar a Brasília.

Menos instrumentos financeiros.

Mesmo assim, obras foram realizadas e muitas continuam servindo à população décadas depois.

Então faço uma pergunta aos acreanos:

por que naquela época se conseguia fazer mais com menos e hoje, tendo muito mais, tantas coisas parecem impossíveis?

Não faço essa pergunta para atacar ninguém.

Faço para provocar uma reflexão.

Hoje temos bilhões em orçamento, emendas parlamentares, fundos, programas federais, financiamentos e instrumentos que simplesmente não existiam naquela dimensão no tempo de Flaviano.

Então precisamos recuperar três coisas que considero fundamentais na vida pública:

decisão, execução e visão de longo prazo.

Decidir o que é prioridade.

Executar aquilo que foi prometido.

E construir pensando no que permanecerá depois que o mandato terminar.

Meu pai não me ensinou política com discurso

Aprendi observando.

Vi um homem que poderia ser duro politicamente, mas que sabia conversar.

Flaviano teve adversários.

Disputou eleições difíceis.

Defendeu suas posições.

Mas nunca acreditou que o Acre pudesse ser construído dividindo permanentemente as pessoas.

Esse ensinamento é ainda mais importante hoje.

O Acre é pequeno demais para viver de guerra política e grande demais para desperdiçar oportunidades por causa dela.

Como deputado federal, quero conversar com prefeitos independentemente de partido.

Quero conversar com o governo estadual.

Quero dialogar com Brasília.

Quero sentar com produtores, empresários, trabalhadores, servidores públicos, estudantes e comunidades rurais.

Porque recurso federal não pertence a partido.

Pertence ao povo.

Não quero viver da história do meu pai

Existe algo que faço questão de dizer olhando nos olhos das pessoas:

não sou Flaviano Melo.

Sou Leonardo.

Tenho minha formação, minha experiência, minhas ideias e minha própria maneira de enxergar o Acre.

Mas seria absurdo negar aquilo que aprendi dentro de casa.

Meu pai estabeleceu uma régua muito alta.

E talvez esse seja o peso maior de carregar o sobrenome Melo.

Não é privilégio.

É cobrança.

Quando alguém me encontra numa caminhada e fala com carinho sobre Flaviano, fico feliz.

Mas dentro de mim imediatamente aparece outra pergunta:

“E o que Leonardo fará para merecer esse mesmo carinho?”

Essa é a pergunta que me move.

Quero transformar saudade em compromisso

Perder um pai deixa um vazio que não se explica.

Existem momentos desta campanha em que escuto histórias sobre ele que eu mesmo não conhecia.

Pessoas simples me contam coisas que Flaviano fez há 30 ou 40 anos.

Às vezes foi uma grande obra.

Às vezes foi um gesto.

Um telefonema.

Uma visita.

Uma solução encontrada para uma comunidade.

É nesses momentos que compreendo que a maior herança política de um homem não está no patrimônio que acumulou, nos cargos que ocupou ou nas eleições que venceu.

Está na lembrança que deixou nas pessoas.

Por isso não quero transformar a memória de meu pai numa peça eleitoral.

Quero transformá-la em responsabilidade.

Se Flaviano construiu milhares de casas, quero trabalhar para construir novas.

Se ajudou a estruturar a saúde, quero buscar recursos para melhorar a saúde desta geração.

Se abriu caminhos, quero ajudar o Acre a encontrar novos caminhos.

Se pensou o Estado décadas à frente, quero fazer o mesmo.

Não quero copiar Flaviano. Quero aprender com Flaviano.

O sobrenome veio dele. Meu mandato terá que ser construído por mim.

Tenho muito orgulho de dizer:

Sou filho de Flaviano Melo.

Sou filho do Velho Lobo.

Mas quando peço a confiança de um acreano, não quero que ele vote apenas olhando para trás.

Quero que olhe para frente.

Quero que conheça minhas propostas.

Quero que me cobre.

Quero que pergunte o que pretendo fazer em Brasília.

Quero merecer cada voto.

Porque meu pai já cumpriu a missão dele.

Construiu sua trajetória, venceu e perdeu eleições, governou, representou o Acre no Senado e na Câmara dos Deputados e deixou obras que sobreviveram aos seus mandatos.

Agora chegou a minha vez de mostrar o que posso fazer.

Tenho uma história extraordinária dentro de casa para me inspirar.

Mas sei que a história de Flaviano não pode ser meu ponto de chegada. Precisa ser meu ponto de partida.

É isso que tenho dito aos acreanos.

Não peço voto por ser filho de Flaviano.

Peço a oportunidade de mostrar que aquilo que aprendi com ele pode ajudar a construir um novo capítulo para o nosso Estado.

Porque meu pai me ensinou uma coisa que jamais esquecerei:

promessa passa.

Mandato passa.

Governo passa.

Mas aquilo que é feito de verdade para o povo permanece.

E é assim que quero honrar Flaviano Melo:

não apenas carregando seu nome, mas trabalhando para ser digno dele.

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