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O relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, registrou a criação de 29 mil vagas de trabalho no mês de setembro, número muito abaixo da expectativa do mercado, que era de aproximadamente 85 mil novas vagas.
O resultado, divulgado nesta sexta-feira (2) representa também uma forte desaceleração em relação a agosto, quando foram criadas 133 mil vagas, após revisão do escritório de estatísticas do trabalho norte-americano.
Para Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, o dado decepcionou de forma significativa – e alerta para uma menor alta dos juros pelo Fed (Federal Reserve).
“O principal problema foram nas contratações que vieram muito abaixo. Um destaque negativo é o setor financeiro, que acabou destruindo vagas nessa última leitura”, afirmou.
O economista, no entanto, ponderou que é necessário ter cautela ao analisar um único dado, ressaltando que nos meses anteriores os números do mercado de trabalho haviam sido bastante fortes.
O resultado fraco do payroll provocou uma revisão rápida nas expectativas do mercado em relação à política monetária norte-americana.
Segundo dados da plataforma FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção da taxa de juros na reunião de 28 de outubro saltou para 83,9%, enquanto a chance de elevação de 25 pontos-base caiu para apenas 16,1%.
Apenas uma semana antes, a probabilidade de aumento era de 64,2%.
“O mercado, após a última reunião, estava todo vindo para um movimento de que a gente teria dois aumentos de taxa de juros esse ano. Essa perspectiva estava já sendo descartada nas últimas semanas, e esse dado certamente reforça uma postura de que muito provavelmente na próxima reunião a gente não deve ter aumento de juros”, explicou.
Ele acrescentou, porém, que ainda existe a possibilidade de um aumento até o final do ano, caso os próximos dados não sigam a mesma direção.
Ao analisar o ambiente de incerteza que cerca a economia norte-americana, Igliori apontou três fatores principais.
O primeiro diz respeito aos efeitos residuais da pandemia, que ainda se refletem nas políticas de juros e na dificuldade de controlar a inflação.
O segundo envolve a agenda de inteligência artificial, que traz ganhos de produtividade, mas cujo impacto sobre o emprego ainda é incerto.
“Quando a gente olha o mercado financeiro começando a cortar vagas, tem uma pergunta: será que a gente já tem alguma coisa de adoção de inteligência artificial produzindo impactos na reorganização das empresas? Não sabemos”, disse.
O terceiro fator apontado pelo economista é a instabilidade na oferta de petróleo e combustíveis decorrente de conflitos geopolíticos.
Segundo ele, essa situação tem, em um primeiro momento, efeito inflacionário, mas pode migrar para o lado da demanda à medida que setores pressionados por custos mais altos revisam seus planos de expansão.
Diante de tanta incerteza, Igliori afirmou que a reação natural dos investidores é buscar proteção, reduzindo o risco das carteiras e diversificando portfólios.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.
