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“Percy Jackson”: atriz treinou luta para papel e espera não “irritar” fãs

“Percy Jackson”: atriz treinou luta para papel e espera não “irritar” fãs

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A atriz Marianna Alexandre, 25, encara um novo desafio na carreira ao assumir o papel de Annabeth Chase na montagem brasileira do musical “Percy Jackson”. Dubladora e cantora, ela interpreta uma das personagens mais populares da saga criada por Rick Riordan e, para levá-la aos palcos, precisou aprender até a lutar com uma adaga.

Fã da obra, Marianna buscou referências nas diferentes versões de Annabeth, mas também encontrou características próprias para levar à personagem. Competitiva e acostumada a assumir posições de liderança, a atriz destacou que o público verá uma “Annabeth carioca” no palco.

Em entrevista à CNN Brasil, Marianna falou sobre a responsabilidade de encarar uma personagem acompanhada de perto por uma base fiel de fãs, a construção da amizade entre Percy, Annabeth e Grover e os bastidores da produção brasileira. Ela também revelou ter ouvido que conseguiu “irritar” parte da plateia durante um ensaio — reação que atribui ao jeito “sabidinho” de Annabeth. “Espero que eu não irrite as pessoas, mas, se essa é a essência da Annabeth, que legal que eu consegui alcançar”, disse.

“Percy Jackson – O Ladrão de Raios: O Musical” acompanha a jornada de Percy, um adolescente que descobre ser filho de Poseidon e precisa embarcar em uma missão para impedir uma guerra entre os deuses do Olimpo.

Confira a entrevista abaixo:

Você é atriz, dubladora, cantora, compositora e também produz conteúdo para as redes sociais. Em meio a todas essas áreas, qual é a particularidade do teatro para você?

Eu costumo dizer que gosto de me dividir em todas as facetas que a arte pode nos proporcionar. Amo fazer dublagem, amo estar no cinema, fazer novelas — já fiz duas e cinco filmes. É muito divertido, mas o que sempre me chama e de que eu não consigo ficar longe é o palco.

Comecei a atuar com 12 anos. Na verdade, comecei na música, com piano erudito e canto. Acho que a particularidade que me deixa tão feliz no palco é ser uma coisa ao vivo. Esse sentimento de a gente estar fazendo algo e ter uma plateia assistindo, e cada dia ser de uma forma, é muito diferente da televisão ou dos meus vídeos no TikTok, em que tenho a chance de errar e repetir.

No teatro, a gente sempre tem essa adrenalina de ter que fazer uma vez e é isso. Ainda mais no teatro musical. Temos que cantar ao vivo, dançar e, em “Percy”, lutar também. Eu estava em cartaz até dois meses atrás e fiz temporada no Rio e em São Paulo. Sempre amo estar no teatro e, agora, estou com a minha primeira protagonista de teatro musical. Estou super feliz.

E como foi a preparação para aprender a lutar?

A gente já teve dois workshops dentro dos próprios ensaios. Eu fiz capoeira quando era muito pequena, mas nunca continuei nas lutas ou artes marciais.

Fizemos um workshop muito legal em que aprendemos a segurar as armas. Minha personagem usa uma adaga, que é como uma faquinha. Existe uma forma diferente de segurar, que é diferente da espada e da lança. Temos essas três armas no musical.

A minha é a menorzinha. Com a lança, você consegue chegar a uma distância maior; a espada é uma luta mais corporal; e, com a adaga, você está sempre se defendendo e tem que ser sorrateiro. Então, isso é bom porque traz características para a minha personagem.

Já tivemos esses dois workshops e [o responsável pelas lutas] também está criando as cenas junto com os nossos coreógrafos. Está sendo muito divertido. Acho que é a parte de que eu mais gosto.

Annabeth é muito associada à inteligência, estratégia e força, mas também tem vulnerabilidades. O que você quis trazer para que ela não ficasse resumida à “garota inteligente” do trio?

Annabeth é o poder feminino dentro do grupo dos três. Acho que ela representa muito bem a gente, porque, além de ser muito inteligente, é dedicada e focada. A grande vulnerabilidade dela é em relação à mãe. Todos esses semideuses têm essa falta de conhecimento dos pais que são deuses. Eles conhecem apenas a ideia deles, tudo o que falam sobre eles, mas não têm a presença deles.

Acho que esse é o calcanhar de Aquiles dela. Ela não está preparada para esse encontro, mesmo sonhando com isso a vida inteira. Isso traz humanidade para personagens que são tão fortes, vitoriosos e poderosos. Eles também são humanos, porque são meio-sangues — metade humanos, metade deuses.

É algo muito diferente de mim, porque tenho meu pai e minha mãe muito perto de mim a vida inteira. Minha mãe é minha melhor amiga. Então penso “Cara, deve ser muito difícil”. É isso que tento buscar cada vez mais para interpretar Annabeth.

Ela já foi interpretada por outras atrizes no cinema, no streaming e no teatro. Como foi se conectar com a personagem e, ao mesmo tempo, dar a sua própria cara a ela?

Acho muito divertido. Em todos os personagens que temos o privilégio de fazer, podemos dar um pouco da gente. Digo muito isso pela Wandinha também, que dublei. Era um sonho dublá-la.

No teatro, bebi de todas as fontes. Assisti à série e já era muito fã dos filmes, mesmo que os fãs não os considerem tão similares aos livros. Eu gostava quando assistia quando era criança. Então, vi essas diferentes Annabeths.

O que me conecta com a Annabeth, e que tento passar no palco, é que sempre fui a líder do grupo. Na escola, era sempre “capitã Marianna”. Sou muito competitiva. Também sou irmã mais velha, então sempre teve essa cobrança de “Marianna, você tem que cuidar da Giovanna”, que é minha irmã.

Acho que consigo passar isso tranquilamente com o meu trio. Annabeth está liderando as cenas principalmente no segundo ato. E sempre gosto de dar um toque da Marianna. Então, a galera vai ver uma Annabeth carioca.

A relação entre Percy, Annabeth e Grover é uma das partes mais importantes da história. Como vocês no elenco trabalharam para criar uma amizade que parecesse verdadeira no palco? A química surgiu naturalmente?

Foi muito natural. Nunca tinha trabalhado com nenhum dos dois, nem com o João [Lucas], nem com o Thales [Cesar]. Já tinha assistido ao Thales em outras peças, mas nunca tínhamos trabalhado juntos. O João também conhecia pela carreira solo.

A gente se conectou de cara. Gostamos muito de fofocar durante os ensaios, de brincar. Sou muito moleca também, aí junta com os dois, que são “quinta série”, e fica muito legal.

Acho que estamos conseguindo passar essa amizade no palco. Muita gente fala que a conexão do trio está bem legal de ver, que somos muito carismáticos e estamos levando essa energia para o palco. Durante os corridos que temos feito da peça, recebemos um feedback bem legal. Acho que a galera vai gostar de ver nós três juntos.

Vocês também trocam experiências e ajudam uns aos outros na construção das cenas?

Super. A gente se ajuda e gosta de criar junto. Tinha cena que, principalmente no início do processo, a gente passava e falava: “Hum, acho que não está bom. E se a gente fosse para esse lado?”. Criamos junto com a direção também.

A gente quer respeitar essa história tão amada e fazer com que as pessoas visualizem os personagens que conheceram lendo os livros ou assistindo à série no palco, ao vivo, na frente delas.

Por ser uma franquia com uma base tão grande de fãs, bate um medo ou uma pressão maior na hora de entregar o trabalho?

Com certeza. Eu também sou fã dos livros e a minha irmã é muito, muito fã. Então, além de toda a fanbase, tenho que agradar a minha irmã, que está mais perto de mim e com quem troco muita figurinha.

Isso deixa a gente superansioso, mas tenho certeza de que a galera vai gostar. Quando fizemos um corrido para alguns fãs, eu estava supernervosa. No final, eles falaram: “A gente conseguiu visualizar todo mundo. Foi ótimo. Divirtam-se, porque vocês estão se divertindo muito e isso passa para a gente”.

Acho que o mais legal é poder se divertir. É isso que levo para todos os trabalhos. Mas, com certeza, existe uma responsabilidade muito grande e espero que eu a cumpra.

O que você espera que uma menina que já ama Annabeth encontre na sua interpretação? E o que gostaria que alguém que ainda não conhece a personagem descobrisse sobre ela?

Ouvi outro dia, quando fomos fazer [um ensaio], que consegui irritar as pessoas da plateia. Essa não é a minha intenção. [risos]. É porque a Annabeth tem esse lado — não vou chamar de mimada, porque ela não é mimada —, mas ela é “sabidinha”, realmente. Ela sabe das coisas e, às vezes, isso pode ser um pouco chato para quem está ao redor dela.

Então, espero não irritar as pessoas, mas, se essa é a essência da Annabeth, que legal que consegui alcançar.

E espero que, quando as meninas vejam essa personagem, elas se identifiquem com a força, a persistência e o foco que ela tem. Que mostre que nós, mulheres, podemos alcançar tudo o que queremos.

Mesmo sendo essa menina superfocada e inteligente, ela dá um jeito de ir para a missão e de comandar. Se não fosse ela, a mente do trio, acho que eles não teriam chegado ao Mundo Inferior. Essa identificação feminina, esse poder feminino, é bem importante.

Para quem não conhece, acho que a história é muito bem contada. É uma história infantojuvenil, então dá para entender. Com os efeitos especiais que a produção vai ter, acho que todo mundo vai se divertir no teatro — não só crianças e adolescentes, mas também os adultos e os pais que levarem.

Tem alguma cena em que vocês pensaram: “Os fãs vão enlouquecer quando virem isso”?

Tenho certeza. E isso funcionou no corrido que fizemos para os fãs, porque existem frases dos livros que são ditas iguais no palco.

Tem a famosa frase “você baba enquanto dorme”, que a Annabeth fala para o Percy. Assim que falei essa frase, todo mundo reagiu. Tenho certeza de que eles vão gostar desses easter eggs que estamos colocando.

É um elenco muito legal e talentoso. Acho que juntou a energia certa, uma melancolia jovem, e os jovens vão se identificar com essa energia.

Serviço
Percy Jackson – O Ladrão de Raios: O Musical

Local: Teatro Liberdade – End. Rua São Joaquim n.º129 – Liberdade – São Paulo
Abertura da casa: 1h antes do início do evento
Data: a partir de 10 de outubro
Duração: 2 horas
Classificação: Livre
Ingressos: a partir de R$ 60 pela Sympla ou na bilheteria do teatro.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por nicolybastos.

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