Tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira, o ex-atacante Muller, em entrevista ao Metrópoles, avaliou que o trabalho do time nacional perdeu a identidade com o passar dos anos. Agora, com novos jogadores, a seleção Canarinho inicia um novo ciclo para a Copa do Mundo de 2030.
Confira como foi a entrevista:
“É um processo de renovação, em 2030 tem a próxima Copa do Mundo, em Marrocos e o Ancelotti precisa fazer essa renovação. O torcedor brasileiro tem que entender uma coisa: não importa o resultado, o importante é ele dar uma identidade pra equipe para chegar na Copa do Mundo, nas Eliminatórias, principalmente, com o time, com uma identidade formada”, disse.
O primeiro passo desse novo ciclo foi o empate em 1 x 1 contra a Austrália na sexta-feira (25/9). O ex-atacante declarou que os amistosos da Seleção Brasileira, fora de competições oficiais, não mostram resultados e que o foco deve ser em disputas que valem título:
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do Metrópoles
“Então, Ancelotti terá quatro anos agora para poder dar essa identidade para a seleção brasileira. A data Fifa é uma enganação. O jogador se apresenta dois dias antes e não faz nada nesse dia, no outro dia faz um treino bem ‘me engana que eu gosto’ e vai pro jogo. Então, na Data Fifa, como é que você vai formar uma seleção”, completou.
O time que integrou o título da Seleção Brasileira em 1994 contava com peças que se tornaram ídolos do futebol brasileiro como Taffarel, Branco, Bebeto, Romário, entre outros. Para Muller, além da qualidade técnica, o time da época ainda contava com jogadores que tinham papel de liderança, e que atualmente, essa qualidade não existe mais no time nacional:
“Quando eu comecei a jogar nos anos 80, os mais velhos falavam para mim assim: ‘Olha, o segredo não é você subir, o segredo é você permanecer lá em cima’ e a regularidade dessa nova geração nos seus clubes, o sucesso que eles terão nos seus clubes, que fará com que eles sejam convocados para a Seleção Brasileira. Então é importante esses jovens, essa nova geração ter essa continuidade para poder servir a Seleção Brasileira”, falou sobre liderança em campo.
“Esse é um grande problema, porque a nossa seleção não tem uma liderança. Não tem uma liderança dentro e nem fora de campo. Em 94, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, a gente tinha vários líderes dentro e fora de campo. Não era só um, dois, eram cinco, seis, sete”, comentou sobre o título.
“A Seleção Brasileira hoje não tem um líder, não tem um líder dentro e nem fora de campo. Isso é ruim. É ruim porque a nova geração não tem uma referência. Se você não tem uma referência, dificilmente você alcançará sucesso na Seleção Brasileira. Porque na Seleção Brasileira não é fácil jogar, é difícil, principalmente agora que todo mundo tá procurando um lugar de ser para ser titular”, finalizou.
A nova convocação de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira na primeira Data Fifa pós-Copa do Mundo conta com oito estreantes. O treinador italiano também apostou nos jogadores mais jovens.
Além dele, a lista conta com Breno Bidon (Corinthians), Pedro Morisco (Coritiba), Otávio (Cruzeiro), Arthur Dias (Athletico-PR), Matheuzinho (Corinthians), Jair Cunha (Nottingham Forest), Mauro Júnior (PSV), Gabriel Bontempo (Santos).
A Seleção Brasileira volta a campo nesta terça-feira (29/9) para novo amistoso contra a Austrália, às 7h (horário de Brasília) e encerra os amistosos no próximo sábado (7/10) quando encara a Índia, em Calcutá, às 11h (horário de Brasília).
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Metrópoles.
