A província de Alberta, localizada no oeste do Canadá, abriga mais de 4 milhões de pessoas e é conhecida por ser rica em petróleo. A região se tornou uma província em 1905, e seu nome foi escolhido em homenagem à filha da rainha britânica Victoria, a princesa Louise Caroline Alberta.
Segundo o site The Canadian Encyclopedia, a enciclopédia nacional do país, a princesa Louise foi a primeira mulher da família real a atravessar o Oceano Atlântico e visitar o Canadá. Em 1878, seu marido, John Campbell, tornou-se o quarto governador-geral do Canadá desde a Confederação, processo que uniu as colônias britânicas da América do Norte ao território.
Louise era uma escritora, pintora e escultora talentosa. Durante o mandato de Campbell como governador-geral (1878-1883), o casal desempenhou um papel fundamental na criação da Real Academia Canadense de Artes e da Galeria Nacional do Canadá, além de realizar a primeira visita oficial da família real à Colúmbia Britânica. A província também tem um lago dedicado ao nome da princesa.
Hoje, Alberta é uma província rica em petróleo, com aproximadamente o tamanho do estado americano do Texas. Com uma população de cerca de 5 milhões de pessoas, a província é atravessada pela cordilheira das Montanhas Rochosas e por destinos turísticos como Banff e o Lago Louise.
A província possui uma identidade política e cultural única, impulsionada por seus fortes setores de energia e agricultura, compromisso com o individualismo econômico e baixos impostos.
Politicamente, é considerada a defensora do conservadorismo no Canadá, embora os centros urbanos, Calgary e Edmonton, sejam mais progressistas.
Separatistas pedem independência, mas rejeitam ideia após ameaças de Trump
Uma campanha de ativistas de Alberta chamou a atenção da mídia internacional nos últimos meses. Os separatistas da região há muito tempo sentem que seus interesses não são bem representados em Ottawa, capital do Canadá, e defendem
Eles argumentam que os esforços do governo federal para conter as mudanças climáticas estão prejudicando a indústria petrolífera de Alberta; que pagam mais impostos federais do que recebem de volta; e que seus valores conservadores são abafados pelos das províncias ao leste, mais liberais e populosas.
Os confinamentos impostos pelo governo federal durante a Covid-19 e mais de uma década de liderança liberal em Ottawa aumentaram essa sensação, e a situação só piorou à medida que o resto do Canadá se uniu em patriotismo contra Trump.
O retorno do atual presidente americano ao cargo, um conservador pró-petróleo, fortaleceu o movimento separatista e, para alguns, reformulou o objetivo final.
Em um comício pela independência de Alberta no verão passado, que contou com a presença da CNN, os apoiadores usaram bonés no estilo MAGA com a inscrição “Make Alberta Great Again” (Faça Alberta Grande Novamente), elogiando Trump como “o melhor trunfo da América do Norte” e um potencial aliado dos separatistas.
Porém, nesta terça-feira (20), a província rejeitou o caminho para a secessão e decidiu que vai permanecer como parte do Canadá, desferindo um golpe definitivo na campanha que buscava apoio nos Estados Unidos.
O resultado ocorre em meio a uma crescente onda de patriotismo e unidade canadense, à medida que o país se uniu contra as tarifas e ameaças de anexação do presidente dos EUA, Donald Trump.
Cerca de três quartos dos eleitores escolheram permanecer no Canadá, enquanto um quarto optou por realizar um segundo voto sobre a separação mais tarde, no início da terça-feira (20), horário local, com aproximadamente 45% das seções apuradas, de acordo com resultados não oficiais divulgados pela província.
Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá que cresceu em Alberta, reconheceu a frustração dos separatistas em um discurso em Calgary na semana passada, pedindo aos eleitores que rejeitassem a secessão. “As frustrações que muitos albertanos sentiram são reais”, disse Carney.
Mas, afirmou o primeiro-ministro, a separação apenas “sobrecarregaria” os albertanos “com anos de profunda divisão e grande incerteza”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por Giovanna Csiszar.
