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Retirada de apêndice pode reduzir riscos de câncer colorretal, diz estudo

Tratamento para rastrear câncer colorretal será aplicado no SUS

Pacientes que passaram pela remoção do apêndice devido a um quadro de apendicite aguda apresentam um risco menor de desenvolver câncer colorretal do que aqueles tratados apenas com antibióticos. É o que aponta um estudo recente, apresentado no final de setembro no congresso do ACS (American College of Surgeons), em Washington no Estados Unidos.

À CNN Brasil, o coloproctologista Danilo Munhóz explicou que, apesar de interessante, a descoberta deve ser tratada com cautela, já que não existe indicação de retirar um apêndice saudável para prevenir a doença.

O que o estudo concluiu?

O estudo retrospectivo, liderado a partir do Departamento de Cirurgia da Morehouse School of Medicine em Atlanta, nos Estados Unidos, utilizou dados da rede global de pesquisa TriNetX Global Collaborative Network, para avaliar mais de 30 mil pacientes que tiveram apendicite aguda.

Eles foram divididos em dois grupos: um de pacientes que realizaram apendicectomia (com 15.616 pacientes) e o segundo daqueles tratados apenas com antibióticos (com 15.295 pacientes).

Os pesquisadores descobriram que o câncer colorretal foi diagnosticado em 110 pacientes submetidos à apendicectomia (0,7%), em comparação com 254 pacientes tratados apenas com antibióticos (1,7%), um risco relativo 58% menor de um diagnóstico de câncer colorretal.

Por que a cautela é necessária?

De acordo com Danilo Munhóz, nesse estudo, os pesquisadores analisaram informações de pacientes que já haviam sido tratados, não permitindo afirmar que a cirurgia foi responsável pela redução observada.

Além disso, os resultados foram apresentados recentemente em um congresso médico e ainda precisam ser confirmados por novas pesquisas.

É importante esclarecer que estudos anteriores não demonstraram de maneira consistente um efeito protetor da retirada do apêndice contra o câncer. Portanto, não existe indicação de retirar um apêndice saudável para prevenir a doença, assim como o tratamento da apendicite com antibióticos continua sendo uma alternativa válida para pacientes cuidadosamente selecionados.

Relação entre o câncer e a apendicite

Danilo explica que a inflamação do apêndice pode ser o primeiro sinal de um câncer de intestino já existente, mas que ainda não havia sido identificado, principalmente em pessoas de idade mais avançada.

“Isso acontece porque um tumor localizado próximo ao apêndice pode dificultar sua drenagem e favorecer o aparecimento da inflamação. Nesses casos, não é a apendicite que provoca o câncer. Na verdade, pode ser justamente o contrário.” diz o médico.

Outro ponto destacado pelo especialista é a oportunidade diagnóstica proporcionada pelo procedimento cirúrgico.

Durante a cirurgia, o apêndice retirado é encaminhado para análise em laboratório, o que permite identificar alterações celulares ou teciduais que passam despercebidas quando o tratamento é realizado apenas com medicamentos.

Além disso, os pesquisadores continuam investigando de que maneira a inflamação e a microbiota intestinal (o ecossistema de bactérias que vivem no trato digestivo) participam desse processo, embora ainda não existam respostas conclusivas sobre esse mecanismo.

Na prática médica, o quadro de apendicite deve servir de alerta para investigações complementares.

“Especialmente em pacientes acima dos 40 anos que tiveram apendicite, precisamos considerar a idade, o histórico familiar, os exames anteriores e a presença de outros sintomas para avaliar se existe necessidade de investigar o intestino por meio de uma colonoscopia”,

Prevenção do câncer colorretal

Segundo o especialista, a prevenção eficaz do câncer de intestino depende de estratégias consolidadas e comprovadas pela ciência:


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por larissasoave.

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