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Quando falamos em adoecimento no trabalho associamos rapidamente à Síndrome de Burnout, doença ocasionada pelo excesso de demandas. Há, porém, um fenômeno menos conhecido que parte do oposto: o Boreout, sofrimento psicológico ligado ao tédio e a falta de estímulos profissionais.
Em entrevista à CNN Brasil, a psicóloga Denise Milk Vargas explicou que, apesar do Boreout ainda não ser reconhecido como diagnóstico clínico nos principais sistemas de classificações de doenças, ele descreve uma condição de desinteresse que merece atenção e que pode ocasionar em problemas maiores no futuro.
O trabalho ocupa um espaço importante na construção da nossa identidade, da autoestima e do sentimento de pertencimento. Quando uma pessoa passa a perceber que suas capacidades estão sendo desperdiçadas e que sua contribuição não faz diferença, pode surgir um processo progressivo de sofrimento emocional.
Diferença Burnout X Boreout
O trabalho seria o “brinquedo” do adulto?
Segundo Vargas, sim. Quando as atividades estão alinhadas às características e as necessidades de cada pessoa, isso pode causar uma sensação de prazer e realização. Por outro lado, quando o ao contrário acontece um sentimento de frustração pode ser tomado por aquele (a) trabalhador (a).
Existe uma condição fundamental: precisamos ser desafiados na medida adequada. Quando as exigências ultrapassam continuamente nossos recursos, podemos adoecer pelo excesso. Quando permanecem muito abaixo das nossas capacidades, podemos experimentar tédio, desmotivação e perda de significado.
O que provoca o Boreout?
Entre os principais fatores no ambiente profissional, estão:
- Atividades excessivamente repetitivas;
- Falta de desafios compatíveis com as capacidades;
- Ausência de perspectivas de crescimento;
- Percepção de que o trabalho não tem significado;
- Gestores que não lideram de maneira adequada e não definem objetivos claros aos profissionais.
De acordo com a psicóloga, o problema não está em trabalhar menos, mas em permanecer por longos períodos em uma atividade em que não vê mais perspectivas. “Existe uma diferença importante entre ter uma rotina tranquila e sentir-se profissionalmente esvaziado”, disse.
Sinais de alerta
Os sinais mais frequentes são:
- desmotivação persistente;
- apatia;
- irritabilidade;
- dificuldade de concentração;
- sensação de inutilidade;
- queda da autoestima;
- cansaço mental, mesmo quando a carga de trabalho não é alta;
- alterações no sono;
- ansiedade;
- tristeza;
- sintomas físicos relacionados ao estresse.
Os sintomas não são exclusivos da Síndrome e podem estar associados à outras doenças, por este motivo é importante passar com um profissional.
Tratamento
De acordo com a psicológica, o primeiro passo é reconhecer e buscar avaliação profissional, principalmente quando os sintomas são persistentes ou ultrapassam e afetam a vida pessoal. “O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender os fatores envolvidos, recuperar a percepção de valor pessoal, desenvolver estratégias de enfrentamento e construir caminhos para uma relação mais saudável com o trabalho”, explica.
Dependendo da intensidade dos sintomas, pode ser necessária avaliação médica, principalmente diante de sinais de depressão, ansiedade ou alterações importantes no sono.
TópicosSíndrome de Burnout
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por yasminjesus.
