A família do engenheiro ambiental Marcelo Oliveira Rocha autorizou a doação de órgãos do jovem de 28 anos, que morreu após ser agredido após um ato em apoio a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Santos, no litoral de São Paulo, no sábado (24).
Em entrevista à CNN Brasil, o pai de Marcelo contou que, apesar de nunca terem conversado sobre isso com o jovem, sabem que ele concordaria com a atitude.
“A decisão foi de todos da família, pois ele era tão bom que de onde ele estiver, seria a vontade dele também, de ajudar o próximo”, afirmou.
Os familiares não impuseram restrições quanto aos órgãos. Foram considerados úteis para doação o rim, pâncreas, fígado e as córneas, que ajudaram quatro pessoas que aguardavam transplantes, de acordo com o pai do jovem.
Marcelo foi enterrado na última quarta-feira (28) no Cemitério Congonhas, na zona Sul da capital paulista. Ele era estudante de mestrado na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e formado em Engenharia Ambiental pela instituição.
Relembre o caso
Marcelo participava de uma apresentação musical pela banda Esquerdantina durante uma manifestação em apoio à reeleição do então candidato à presidência, Lula, na noite do sábado (24), pré dia de eleição, na região da avenida Conselheiro Nébias, em Santos.
Na ocasião, o engenheiro se afastou dos amigos para ir ao banheiro quando foi abordado por um grupo de pessoas que roubaram seus pertences e o agrediram, segundo informações divulgadas pela SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo).
Com a demora, os amigos procuraram por Marcelo e o encontraram inconsciente. Ele chegou a ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e foi encaminhado inicialmente à Santa Casa de Santos.
Posteriormente, foi transferido para o Hospital São Paulo, unidade universitária vinculada à Unifesp, onde teve a morte cerebral confirmada na segunda-feira (26) devido às lesões na cabeça.
Suspeitos apreendidos
A Polícia Civil apreendeu dois adolescentes suspeitos de envolvimento no crime. Segundo as investigações, cinco adolescentes e dois adultos suspeitos de participação foram identificados até o momento.
Após a morte de Marcelo, o caso passou a ser investigado como latrocínio, crime caracterizado por roubo seguido de morte.
O pai de Marcelo aponta uma possível motivação política e homofóbica para a agressão. A Polícia Civil afirmou que o boletim de ocorrência foi registrado no Centro de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos que e investiga o ocorrido, a motivação e a identificação dos envolvidos.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por vitornhoatto.
