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Trump tenta baixar preço dos combustíveis – falta combinar com os iranianos

Trump tenta baixar preço dos combustíveis – falta combinar com os iranianos

O presidente Donald Trump e os republicanos acabaram de receber a pior notícia possível sobre a inflação às vésperas das eleições de meio de mandato: os preços subiram mais do que o esperado em setembro.

A notícia não foi nenhuma surpresa para os eleitores americanos. Pesquisas mostram que eles estão furiosos com o alto custo de vida, que persiste desde a pandemia, mas que foi agravado este ano pelas políticas de Trump — incluindo tarifas e, principalmente, a guerra no Irã.

Para tentar amenizar o impacto dos preços, o governo Trump tem recorrido a todo tipo de manobra.

Há mais de um mês, a Marinha dos EUA iniciou uma operação de alto risco para escoltar navios-tanque que transportam petróleo do Golfo para fora do Estreito de Ormuz.

E, numa tentativa desesperada, Trump anunciou na semana passada um acordo controverso para suspender algumas sanções contra a Rússia, visando a importação de uma quantidade relativamente pequena de diesel daquele país.

O Irã e seus aliados houthis estão, agora, prejudicando ambas as operações. O aumento nos ataques a navios-tanque e à infraestrutura petrolífera na última semana elevou os preços do petróleo e do diesel.

Essa instabilidade provocou uma queda acentuada no tráfego pelos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandeb, que, até então, havia se recuperado, em grande parte, aos níveis anteriores ao conflito.

A administração Trump jamais conseguiria resolver o problema da inflação no mês que antecede as eleições de meio de mandato. Contudo, sua tentativa desesperada de obter notícias positivas sobre os preços esbarrou, nesta semana, em um obstáculo intransponível.

Inflação

O Índice de Preços ao Consumidor, divulgado na quarta-feira (14), revelou um cenário já conhecido: a inflação continuou a subir em setembro, impulsionada, sobretudo, pela disparada nos custos de energia.

Os preços da gasolina subiram 9,1% ao longo do mês, encerrando setembro com uma alta de mais de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os preços do óleo combustível registraram um aumento de 15,3% no mês passado e acumulam uma elevação superior a 74% no último ano.

Esses custos mais elevados começam a se espalhar por outros setores da economia. Como observou meu colega Matt Egan na terça-feira (13), o conflito envolvendo o Irã está gerando um gasto adicional de US$ 2 mil para a família americana média, segundo a Moody’s Analytics.

Um ponto particularmente preocupante no relatório de inflação divulgado na quarta-feira foi a surpreendente retomada nos custos de habitação e aluguel — um fator que contribui significativamente para a inflação e que havia arrefecido durante a primavera e o verão.

O setor de serviços como um todo registrou uma alta de 0,4% no mês; trata-se de preços que tendem a subir à medida que estabelecimentos como estúdios de ioga, serviços de jardinagem e afins repassam o aumento de seus próprios custos aos clientes.

Embora essa elevação nos preços dos serviços possa ser apenas um efeito indireto da guerra envolvendo o Irã, economistas preocupam-se com esse tipo de movimento, uma vez que tais preços costumam ser “rígidos” (ou seja, difíceis de reduzir).

Sendo direto: quando foi a última vez que a creche dos seus filhos reduziu os preços?

A economia dos EUA, de modo geral, continua aquecida, e os consumidores mantêm o ritmo de gastos, apesar da alta dos preços.

Contudo, a inflação mais elevada resultou em um aumento nos rendimentos dos títulos públicos e nas taxas de juros definidas pelo Federal Reserve (o banco central americano), o que encarece o crédito e torna a habitação ainda menos acessível.

O Estreito de Ormuz

O Irã está ciente de tudo isso. Sabe da pressão política que Trump e o Partido Republicano enfrentam. E sabe, também, em que mês estamos.

Após um mês de setembro relativamente tranquilo, pelo menos 18 embarcações no Oriente Médio e arredores foram atacadas nas últimas duas semanas, segundo a Kpler, um serviço de monitoramento marítimo. Na terça-feira, os houthis — grupo aliado ao Irã — teriam atingido a sede da Aramco, a gigante estatal de petróleo da Arábia Saudita.

“Ao que parece, o Irã está tentando manter os preços do petróleo elevados antes das eleições de meio de mandato, e a melhor forma de fazer isso tem sido intensificar os ataques — tanto por conta própria quanto por meio dos houthis”, afirmou Matt Smith, analista da Kpler.

A narrativa, sempre em mutação, sobre quem controla o Estreito de Ormuz mudou mais uma vez.

A complexa operação de “frotas fantasmas” — que contam com proteção naval para transportar petróleo do Golfo para fora do estreito e transferi-lo para outros navios-tanque no Golfo de Omã — vinha sendo extremamente bem-sucedida. Há poucas semanas, o trânsito de petróleo saindo pelo Estreito de Ormuz havia se recuperado quase totalmente, atingindo os níveis anteriores à guerra.

Nos últimos sete dias, o trânsito de petróleo e combustíveis pelo estreito caiu para 54% dos níveis registrados antes da guerra, segundo a Kpler.

A retaliação do Irã não deveria surpreender ninguém, afirmou Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners.

“No momento em que os EUA alardeiam o sucesso em levar mais petróleo bruto aos mercados globais, é quase como se estivessem exibindo um cartaz com os dizeres ‘me chute’”, disse ele.

“O Irã está atacando praticamente todo mundo. Enquanto isso, os Houthis — um grupo que atua como preposto do Irã — estão atacando a Arábia Saudita, com resultados significativos.”

Os recentes ataques dos Houthis à infraestrutura saudita elevaram a tensão do conflito. Embora o mercado de petróleo tenha escapado de um desastre maior após um ataque — bem-sucedido, porém passível de reparo — ao crucial oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, as investidas recentes demonstram que o conflito não deve arrefecer tão cedo.

Ainda não é possível prever quem sairá vencedor: a Marinha dos EUA pode, mais uma vez, retomar a vantagem. O governo norte-americano pode encontrar outras formas criativas de garantir um maior fluxo de diesel para o mercado.

Por outro lado, o perdedor é evidente: o consumidor norte-americano. E, daqui a três semanas, ele dará seu veredito sobre a economia ao votar nas eleições de meio de mandato.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por gabrielbosa.

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