O SERINGAL

Alan Rick acerta ao defender pente-fino nos contratos e combate ao desperdício no Acre

O candidato ao Governo do Acre, senador Alan Rick (Republicanos), colocou sobre a mesa um debate necessário e que não pode ser tratado como simples promessa eleitoral: a revisão criteriosa dos contratos públicos, o combate ao desperdício e a aplicação responsável de cada centavo arrecadado pelo Estado.

Durante sabatina concedida ao portal ac24horas, nesta terça-feira, 25, Alan afirmou que, caso seja eleito, pretende examinar os contratos atualmente em vigor e cortar despesas consideradas prejudiciais aos cofres públicos.

A declaração merece reconhecimento. Rever contratos não significa paralisar o Estado nem promover cortes irresponsáveis. Significa conferir valores, avaliar resultados, identificar excessos e verificar se o dinheiro pago pelo contribuinte está efetivamente retornando em serviços para a população.

“A gente vai organizar as contas públicas com responsabilidade, até porque nós precisamos avaliar cada contrato hoje em vigência. Aquilo que está de forma hoje prejudicial ao Estado tem que ser revisto”, declarou.

Alan evitou recorrer ao discurso fácil de medidas “drásticas”. Preferiu falar em responsabilidade. E acertou. O Acre precisa de equilíbrio, eficiência administrativa e coragem para enfrentar despesas que muitas vezes se perpetuam sem que a sociedade saiba exatamente quanto custam e quais benefícios oferecem.

Aeronaves devem servir ao povo

Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a crítica aos contratos de aviação de valores elevados. Alan Rick deixou claro que aeronaves contratadas pelo poder público devem ser empregadas em missões de interesse coletivo.

Isso significa transportar pacientes, permitir que equipes de saúde cheguem aos municípios, apoiar ações de regularização fundiária, deslocar servidores para comunidades distantes e garantir o cumprimento de agendas institucionais indispensáveis.

O que não se pode admitir é que estruturas bancadas pelo contribuinte sejam utilizadas sem finalidade pública devidamente justificada.

“Tem que ter contrato de aviação para transportar o paciente, para que secretários, para que servidores públicos façam o seu trabalho indo aos municípios, realizar regularização fundiária, atendimento de saúde, o governador fazer as agendas, mas não para usar da maneira como a gente viu que foi usado algumas vezes”, afirmou.

A fala é correta e alcança um sentimento presente na sociedade: o cidadão não aceita mais financiar privilégios enquanto enfrenta filas, ramais precários, falta de medicamentos e dificuldades para conseguir atendimento médico.

Combate à corrupção também produz economia

Alan Rick também foi direto ao associar o combate à corrupção à recuperação da capacidade de investimento do Estado. Ao mencionar despesas com shows e eventos públicos, o candidato citou investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo supostas irregularidades nesse setor.

É importante registrar que eventuais responsabilidades devem ser individualizadas e decididas pelas autoridades competentes, com direito à ampla defesa. Ainda assim, a existência de investigações torna legítima e necessária a cobrança por transparência.

“Esses gastos, esse desperdício de dinheiro, a corrupção que nós vamos combater, vão também nos garantir ter dinheiro para investimento”, declarou.

A mensagem é simples e poderosa: dinheiro desperdiçado ou desviado é dinheiro que deixa de financiar hospitais, escolas, segurança pública, estradas, saneamento e políticas sociais.

O candidato acerta ao não tratar o combate à corrupção apenas como bandeira moral. Corrupção também é um problema econômico. Ela encarece contratos, destrói prioridades e retira recursos justamente das áreas mais necessitadas.

Estado organizado para atrair investimentos

Outro ponto positivo foi a defesa de uma administração capaz de organizar suas contas, ampliar a arrecadação sem sufocar quem produz e construir parcerias com a iniciativa privada.

Alan mencionou as parcerias público-privadas como alternativa para investimentos em saneamento e também defendeu articulações com o governo federal e com o Peru em torno da integração rodoviária e ferroviária por Pucallpa.

São projetos ambiciosos, que exigem planejamento técnico, segurança jurídica e capacidade política. Mas o Acre precisa voltar a discutir desenvolvimento em grande escala. Não pode permanecer isolado, dependente da folha pública e distante dos grandes corredores comerciais.

O exemplo apresentado pelo candidato sobre uma indústria de açaí instalada em Feijó, com investimento aproximado de R$ 8 milhões, demonstra que o potencial econômico existe. O investidor, entretanto, precisa encontrar estradas trafegáveis, energia confiável, regras claras e um governo que facilite — e não atrapalhe — a geração de emprego e renda.

Segundo Alan, os empresários fizeram um pedido básico: que o Estado cumprisse sua obrigação e cuidasse da infraestrutura, especialmente da BR-364.

Uma fala que eleva o debate eleitoral

A sabatina revelou um Alan Rick disposto a enfrentar um tema que muitos candidatos preferem evitar: quanto custa a máquina pública, quem se beneficia dos contratos e onde o dinheiro do contribuinte está sendo aplicado.

Ao defender o pente-fino nas despesas, o uso responsável das aeronaves, o combate às irregularidades e a atração de investimentos privados, o candidato apresentou uma fala madura, pertinente e conectada com as necessidades do Acre.

Agora, naturalmente, cabe a Alan detalhar como fará essa revisão, quais critérios serão adotados e como garantirá transparência durante o processo. A sociedade precisa conhecer metas, prazos e mecanismos de fiscalização.

Mas o princípio apresentado é correto: antes de cobrar mais do cidadão, o Estado precisa mostrar que sabe gastar melhor.

Nesse ponto, Alan Rick foi preciso. Colocou o dedo numa ferida antiga e demonstrou que responsabilidade fiscal não precisa significar abandono dos serviços públicos. Ao contrário: quando contratos são fiscalizados, desperdícios são combatidos e prioridades são respeitadas, sobra mais dinheiro para cuidar das pessoas.

Fonte das informações e declarações: portal ac24horas, em sabatina realizada nesta terça-feira, 25.

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