Na reta final da campanha pelo Governo do Acre, o senador Alan Rick (Republicanos) sinaliza que não pretende mudar a receita que o colocou entre os protagonistas da eleição: intensificar o corpo a corpo, percorrer bairros e municípios, conversar diretamente com o eleitor e evitar que a liderança registrada por diferentes pesquisas produza acomodação dentro de sua campanha.
O desafio agora é transformar pesquisa em voto.
Nesta terça-feira (8), um novo levantamento do Instituto Veritá colocou Alan na liderança, com 39,8% das intenções de voto, contra 27,9% de Mailza Assis e 11,7% de Tião Bocalom. A pesquisa ouviu 1.030 eleitores entre 29 de agosto e 1º de setembro, tem margem de erro de 3,5 pontos percentuais e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número TRE AC-08816/2026.
Alan recebeu o resultado com entusiasmo, mas procurou relacioná-lo diretamente ao modelo de campanha que vem adotando. Para ele, os números seriam consequência de uma campanha baseada em visitas, diálogo e contato direto com a população. Ao comentar o Veritá, afirmou que sua campanha está no “caminho certo” e destacou o caráter “pé no chão” da estratégia.
Essa postura não surgiu agora.
Quando a Quaest/Rede Amazônica o mostrou com 33% das intenções de voto, em levantamento divulgado no fim de agosto, Alan também afirmou que não pretendia alterar sua estratégia por causa das pesquisas. A orientação anunciada foi continuar caminhando pelas regionais de Rio Branco e pelos municípios, abraçando eleitores, conversando e apresentando propostas.
A rua como principal termômetro
Desde o começo oficial da campanha, Alan escolheu colocar a presença física entre os eleitores no centro de sua estratégia.
A largada ocorreu pelo interior, com agendas em Tarauacá e Feijó antes da intensificação das atividades em Rio Branco. A própria campanha apresentou desde o início a ideia de construir a candidatura com presença nas ruas e diálogo direto com a população.
Depois vieram caminhadas, reuniões, inaugurações de comitês, encontros com segmentos sociais, visitas ao comércio e atividades nos bairros.
Nesta terça-feira (8), por exemplo, Alan percorreu o comércio da regional do Manoel Julião, em Rio Branco. Conversou com comerciantes e moradores e apresentou propostas relacionadas à infraestrutura, segurança e saúde. Na ocasião, voltou a defender que sua maneira de fazer política passa pela proximidade com as comunidades.
É justamente esse modelo que deverá ser intensificado até a eleição.
A leitura dentro da estratégia política de Alan é relativamente simples: quem está na frente precisa continuar correndo como se estivesse atrás.
A campanha sabe que uma liderança confortável em determinado levantamento não representa garantia de vitória. O próprio cenário eleitoral acreano já apresentou oscilações importantes entre institutos. Em agosto, por exemplo, a Data Control chegou a colocar Mailza à frente. Na ocasião, Alan reagiu afirmando respeitar as pesquisas, mas sustentou que seu principal termômetro continuava sendo a presença nas ruas e que a resposta definitiva seria dada pelas urnas.
Discurso de mudança
Outro eixo que Alan deverá explorar nesta fase decisiva é a tentativa de consolidar sua candidatura como representação de mudança.
Nos atos realizados desde agosto, o senador tem repetido temas como saúde, educação, infraestrutura, emprego, renda e desenvolvimento econômico. Na inauguração de seu comitê central, por exemplo, apresentou a candidatura como um projeto para “resgatar o Acre” e citou justamente essas áreas entre suas prioridades.
No interior, o discurso também busca dialogar com demandas específicas. Para o setor rural, seu plano prevê ampliar assistência técnica, facilitar crédito e criar alternativas de comercialização da produção.
Há ainda uma estratégia de participação popular que antecede a própria campanha oficial. Em maio, Alan lançou o Fala, Acre, plataforma destinada a receber sugestões da população para a elaboração do plano de governo.
Assim, a reta final tende a combinar duas mensagens: de um lado, Alan procurará mostrar aquilo que considera resultados de sua trajetória parlamentar; de outro, insistirá na tese de que representa uma alternativa de mudança para o Palácio Rio Branco.
Evitar o “salto alto”
Talvez esse seja o ponto mais delicado para quem aparece na liderança: impedir que militantes, apoiadores e lideranças locais interpretem os números como uma eleição resolvida.
Alan vem evitando esse discurso.
Ao invés de tratar pesquisas como resultado definitivo, procura apresentá-las como fotografias do momento e, simultaneamente, convocar a campanha para permanecer nas ruas.
Isso significa ampliar caminhadas, visitas ao comércio, encontros comunitários, agendas no interior e mobilização das candidaturas proporcionais que formam sua coligação. A campanha também tenta fazer com que cada atividade funcione como oportunidade para apresentar propostas e reforçar a imagem de proximidade com o eleitor.
Há ainda uma preocupação em não abandonar suas funções no Senado. No começo de setembro, Alan interrompeu por três dias as atividades eleitorais no Acre para participar de votações em Brasília, incluindo matérias relacionadas à escala 6×1, tributação, educação básica na Amazônia e a proposta envolvendo isenção de Imposto de Renda para pessoas com LAM.
Politicamente, isso permite ao candidato tentar conciliar duas imagens: a de quem busca governar o Acre e a de senador que continua exercendo o mandato para o qual foi eleito.
Liderança agora precisa virar voto
O Veritá desta terça-feira dá combustível à campanha de Alan Rick, mas também aumenta sua responsabilidade.
Com 39,8%, o senador aparece quase 12 pontos percentuais à frente de Mailza no levantamento. Mas a própria sequência de pesquisas já mostrou que a disputa apresenta diferenças relevantes conforme o instituto e a metodologia.
Por isso, Alan parece ter escolhido não reinventar sua campanha na reta final.
A estratégia é justamente o contrário: fazer mais daquilo que acredita ter produzido resultado até agora.
Mais rua. Mais interior. Mais bairros. Mais contato direto. Mais apresentação de propostas e mobilização da militância.
O objetivo político é chegar às últimas semanas sem permitir que os adversários ocupem espaços onde sua campanha já conseguiu avançar e, principalmente, tentar converter a percepção de liderança em decisão definitiva do eleitor.
Para Alan Rick, portanto, a reta final não será apenas uma corrida para permanecer em primeiro lugar nas pesquisas.
Será a tentativa de provar, nas urnas, que o apoio que sua campanha diz encontrar nas ruas corresponde aos números que hoje o colocam na liderança da disputa pelo Governo do Acre.
