O SERINGAL

Douglas esquecido em Manaus: após 2 décadas, DC-8 histórico será repatriado pela Nova Zelândia

Quem nunca passou pelo aeroporto da capital amazonense e teve o imaginário ativado pela presença de uma enorme aeronave de 1965, abandonada na ala norte da pista sendo deteriorada pela ação do tempo? A imagem desgastada do avião, que durante décadas encurtou distâncias no Brasil ostentando o poderio da aviação mundial, contrasta com o cenário atual do aeroporto Eduardo Gomes, em clara revelação de que ele se encontra esquecido em um local indigno para quem um dia já foi rei.

Mas o destino desse pedaço da história da aviação está prestes a mudar, deixando a amazônia para trás e voltando para casa nos próximos dias. O Douglas DC-8-52, matrícula ZK-NZC, que está há mais de duas décadas abandonado em Manaus, será desmontado e enviado em pedaços de volta à Nova Zelândia.

O resgate faz parte do projeto Bring Our Birds Home, liderado pelo neozelandês Bob Brennan.

Ar aeronave foi entregue pela fabricante à Air New Zealand em 1965 (61 anos atrás) e virou um dos símbolos da frota do país.

Após passar por outras companhias, chegou ao Brasil como PP-TPC e passou a fazer rotas domésticas até ser retirada de operação quando se encontrava em Manaus para inspeção de rotina.

Bob Brennan explicou à página na web Aviação na Amazônia que o processo para tirar o avião de Manaus levou mais de uma década.

“Foram necessárias negociações sobre propriedade, documentação, trâmites judiciais e logística internacional. Agora o desmonte está previsto para começar em 1º de setembro de 2026”. confirmou o empresário neozelandês.

A operação conta com apoio da VINCI Airports, concessionária que administra o Aeroporto Eduardo Gomes.

Por causa do tamanho, o DC-8 não pode sair inteiro. A equipe técnica vai cortar a aeronave em grandes seções:

Fuselagem será seccionada em partes.

Asas: divididas para serem acondicionadas em contêineres.

Estabilizadores: também serão removidos separadamente.

O transporte internacional ficará a cargo da Freightplus, especializada em cargas pesadas. O destino é o Porto de Timaru, na Ilha Sul da Nova Zelândia, para ficar como peça principal de um museu da aviação local.

A previsão é que o ZK-NZC retorne ao país de origem até o final deste ano de 2026.

Hoje a corrosão amazônica é o maior desafio.
Com 60 toneladas, 45,9m de comprimento e 43,4m de envergadura, o avião ficou exposto por anos à umidade e ao calor de Manaus.

A corrosão causada pelo clima amazônico é apontada como o principal obstáculo para a restauração.

Para Bob Brennan, salvar o avião vai além de preservar metal.

“O objetivo vai além de recuperar um avião: é resgatar parte da história da aviação neozelandesa antes que ela seja perdida definitivamente”, afirmou.

O DC-8 foi um dos primeiros jatos de longo alcance do mundo e marcou a era de ouro da Air New Zealand nas décadas de 60 e 70.

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