O SERINGAL

Fogo amigo? Renan Biths, coordenador de campanha de Bocalom, pede voto para aliado de Mailza, concorrente direto da mulher do ex-prefeito

Um vídeo que circula nas redes sociais colocou o secretário afastado de Saúde de Rio Branco, Renan Biths, no centro de uma saia justa política. Integrante da coordenação da campanha do ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB) ao Palácio Rio Branco, Biths aparece pedindo votos para o deputado federal Zé Adriano, justamente um nome situado fora do núcleo político de Bocalom e que disputa espaço eleitoral com uma candidata diretamente ligada ao ex-prefeito. Estaria Bith dando sinais de que Bocalom não tem chances de chegar ao segundo turno?  Ou estaria ele tentando reaproximação com a governadora, de quem deixou de ser assessor em circunstâncias nada honestas?

 

A situação ganha contornos ainda mais delicados porque Kelen Nunes, ex-primeira-dama de Rio Branco e mulher de Bocalom, é candidata à Câmara dos Deputados e, naturalmente, representa uma das principais apostas do grupo político do marido na disputa proporcional.

É aí que nasce a pergunta que começou a circular nos bastidores: Renan Biths está coordenando a campanha de Bocalom ou fortalecendo adversários do próprio grupo?

No vídeo, Biths também pede votos ao empresário Sida, dono do Mercantil São Paulo e candidato tucano a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Nesse caso, não haveria, em princípio, contradição partidária semelhante. O componente explosivo está no apoio manifestado a Zé Adriano.

Isso porque Adriano tem demonstrado publicamente proximidade eleitoral com a governadora Mailza Assis (PP), adversária direta de Bocalom na corrida pelo Governo do Acre, chegando a pedir votos para ela em suas movimentações de campanha.

Forma-se, portanto, um triângulo político difícil de explicar ao eleitor.

De um lado está Bocalom, candidato ao governo e chefe do grupo. De outro, Kelen Nunes, candidata a deputada federal e nome diretamente ligado ao projeto eleitoral do ex-prefeito. No meio aparece um integrante da coordenação de Bocalom pedindo votos justamente para outro candidato à Câmara, que, por sua vez, trabalha politicamente pela eleição de Mailza ao governo.

É fogo amigo, liberdade individual ou traição política?

O vídeo produz um constrangimento difícil de esconder.

Campanhas majoritárias dependem de confiança, alinhamento e reciprocidade. Um coordenador não é apenas mais um apoiador na multidão. Ele participa da engrenagem estratégica de uma candidatura e, por isso, seus movimentos públicos inevitavelmente são interpretados como sinais políticos.

O episódio também coloca Kelen Nunes numa situação particularmente desconfortável. Se a ex-primeira-dama busca votos para chegar à Câmara Federal dentro da estrutura política construída ao redor do marido, causa estranheza que alguém instalado na coordenação dessa mesma campanha trabalhe publicamente pelo voto de um concorrente.

Mais desconcertante ainda é o fato de esse concorrente estar eleitoralmente alinhado com Mailza.

A questão deixa de ser simplesmente em quem Renan Biths prefere votar para deputado federal. A pergunta passa a ser outra: até onde vai a fidelidade política dentro da própria coordenação de Tião Bocalom?

Em uma reta de campanha na qual cada voto, liderança e gesto público importa, imagens como essas alimentam especulações sobre fissuras internas e dão munição aos adversários.

Bocalom agora tem um pequeno incêndio para apagar dentro de casa.

E, em política, quando o fogo começa dentro da própria coordenação, o problema raramente fica restrito aos bastidores.

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