O SERINGAL

O fujão traidor da Pátria: por abandono de emprego, Eduardo Bolsonaro é oficialmente demitido da Polícia Federal

A trajetória de Eduardo Bolsonaro na Polícia Federal chegou oficialmente ao fim nesta segunda-feira (21). O Ministério da Justiça e Segurança Pública formalizou a demissão do ex-deputado federal do cargo de escrivão da PF, aplicando uma das penalidades mais severas previstas no regime disciplinar do serviço público.

A demissão foi motivada por abandono de cargo, após o processo administrativo disciplinar apontar faltas injustificadas por período superior a 30 dias consecutivos. A decisão foi assinada na sexta-feira (18) pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e publicada nesta segunda-feira.

O episódio encerra de maneira particularmente simbólica a passagem de Eduardo pela instituição na qual ingressou por concurso público em 2010. Depois de perder o mandato de deputado federal, em novembro de 2025, ele deveria retornar às funções de escrivão no Rio de Janeiro. Isso não ocorreu. Eduardo permanece nos Estados Unidos desde 2025.

A situação administrativa já vinha se arrastando havia meses. A Polícia Federal concluiu o processo disciplinar e recomendou sua demissão; a palavra definitiva, entretanto, dependia do Ministério da Justiça. Agora, a publicação da portaria transforma a recomendação em demissão efetiva.

Politicamente, o desfecho acrescenta mais um capítulo à turbulenta trajetória recente do ex-parlamentar. Eduardo deixou o Brasil e passou a atuar politicamente a partir dos Estados Unidos, sustentando ser vítima de perseguição política. Seus críticos, por outro lado, contestam essa narrativa e apontam que sua permanência no exterior produziu consequências objetivas tanto para o mandato parlamentar quanto para sua situação funcional na PF.

A demissão ocorre apenas três dias depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitar, por unanimidade, recurso contra sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Segundo o entendimento do STF, Eduardo atuou nos Estados Unidos buscando medidas contra o Brasil e autoridades brasileiras para interferir no julgamento envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa e o próprio Eduardo têm sustentado publicamente uma narrativa de perseguição política.

Há ainda uma particularidade jurídica: quando o STF o condenou, em junho, o acórdão já havia declarado, entre outras consequências, a perda do cargo público de escrivão. A demissão publicada agora pelo Ministério da Justiça decorre, porém, do processo administrativo disciplinar por abandono do cargo. São, portanto, fundamentos distintos que convergiram para o mesmo resultado prático: Eduardo Bolsonaro deixa definitivamente os quadros da Polícia Federal.

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