O ato de Copacabana, neste domingo, deixou uma impressão incômoda para a direita bolsonarista: Jair Bolsonaro pode até continuar sendo o maior símbolo político do movimento, mas seu capital eleitoral não parece ser automaticamente transferível para o filho Flávio Bolsonaro.
O lançamento da candidatura presidencial de Flávio em um dos maiores símbolos das mobilizações bolsonaristas terminou com um público abaixo da expectativa. As estimativas divulgadas sobre o ato apontaram cerca de 17 mil participantes, sem uma contagem independente apresentada, enquanto a repercussão do evento reforçou a percepção de uma mobilização menor do que os grandes atos que marcaram a ascensão de Jair Bolsonaro.
A leitura política é inevitável: sobrenome ajuda, voto não se herda. Bolsonaro continua sendo a marca, o mito e o principal patrimônio eleitoral da direita, mas Flávio começa a descobrir que transformar o prestígio do pai em voto próprio será uma tarefa bem mais difícil do que simplesmente reproduzir slogans, símbolos e discursos.
Em Copacabana, tentou-se recriar o bolsonarismo de 2018. Houve verde e amarelo, referências ao ex-presidente, críticas ao PT e ao STF e até a reprodução de áudio de Jair Bolsonaro. Mas a tentativa de reviver o passado não produziu, ao menos nesse primeiro teste, a mesma força das ruas.
O episódio não significa que Flávio esteja fora do jogo — as pesquisas recentes ainda o colocam como um dos principais nomes da disputa presidencial. Mas serve de alerta: Jair Bolsonaro pode transferir apoio, influência e uma parcela importante de seu eleitorado. Transferir integralmente o fenômeno que ele próprio construiu, porém, é outra história.
Copacabana deixou uma mensagem para o bolsonarismo: o pai continua sendo gigante. O filho, agora candidato, terá de provar que consegue caminhar com as próprias pernas.
