O SERINGAL

O sogro demitido da PF e o genro assessor de deputado: R$ 1 milhão em espécie foram apreendidos em Rio Branco por acaso

A nova informação muda um dos pontos inicialmente apurados por O Seringal: segundo a fonte, os policiais foram surpreendidos pelo volume de dinheiro encontrado durante as buscas. A Polícia Federal confirmou oficialmente que aproximadamente R$ 1 milhão em espécie foi apreendido com investigados durante as Operações Ptolomeu IV e Umbra. A instituição, porém, não detalhou publicamente em quais endereços os valores foram encontrados nem a quem pertenciam.

A surpresa dentro de casa

Segundo a fonte ouvida pela reportagem, o dinheiro foi localizado na residência de um ex-servidor terceirizado da própria Polícia Federal, já idoso.

A PF confirma oficialmente que a Operação Umbra investiga justamente a existência de uma estrutura de contrainteligência que buscava informações sobre ações policiais, movimentações de equipes e viaturas para antecipar operações e diminuir a eficácia das medidas judiciais.

O comunicado oficial também informa que a investigação encontrou indícios da possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da Polícia Federal no repasse indevido de informações sobre operações policiais.

Segundo a fonte de O Seringal, o homem em cuja residência o dinheiro teria sido localizado foi desligado em 2022 após episódio envolvendo vazamento de informações internas. A reportagem ainda busca documentação que permita detalhar publicamente as circunstâncias desse desligamento.

Laços políticos entram no radar

É a partir da descoberta do dinheiro que surge uma nova e delicada frente de apuração.

O morador do imóvel é pai de uma assessora ligada a uma parlamentar acreana. Ela, por sua vez, é casada com um assessor de outro deputado estadual, atualmente candidato à reeleição.

Segundo a fonte da reportagem, esse assessor teria sido incumbido pelo parlamentar de guardar o valor milionário encontrado durante a operação.

O assessor foi conduzido à sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos enquanto as cédulas apreendidas eram encaminhadas à Tesouraria da instituição para conferência.

Suspeita de finalidade eleitoral

A informação mais grave relatada pela fonte — e que ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Federal — é de que os recursos poderiam estar relacionados a um acordo político entre o deputado estadual e um candidato a deputado federal pelo Acre.

Esse candidato à Câmara dos Deputados conduz uma das campanhas financeiramente mais robustas da atual eleição e mantém atuação eleitoral conjunta com o parlamentar estadual. Os dois aparecem politicamente associados e pedem votos de forma casada.

Segundo a fonte, investigadores apuram a hipótese de que o dinheiro pudesse ser utilizado para compra de votos na reta final da campanha.

Parlamentar poderá ser ouvido

A expectativa relatada à reportagem é de que o deputado estadual ao qual o assessor está ligado também seja chamado a prestar esclarecimentos. Ele deve responder á segunda questão: Qual a orígem e a fiinalidade o dinheiro faltando 9 dias para as eleições?

Caso uma investigação eleitoral venha a produzir provas de captação ilícita de sufrágio, abuso de poder econômico ou outras irregularidades eleitorais, eventuais consequências sobre registro, diploma ou mandato dependerão do enquadramento jurídico, das provas reunidas e de decisão da Justiça Eleitoral — não são consequência automática da apreensão.

Por enquanto, há um fato oficialmente confirmado de enorme dimensão: a Polícia Federal encontrou aproximadamente R$ 1 milhão em dinheiro vivo durante uma operação que também investiga uma estrutura montada para obter clandestinamente informações sobre as próprias ações da PF.

O Seringal continuará acompanhando o caso e buscará manifestação dos citados antes da eventual identificação pública dos envolvidos.

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