O SERINGAL

Preocupação com a saúde ou manobra eleitoral? Matheus Paiva precisa se explicar

O vereador Matheus Paiva resolveu lançar suspeitas sobre a gestão da saúde e atacar, ainda que indiretamente, pessoas ligadas ao grupo político de Samir Bestene. Como advogado, porém, deveria conhecer uma regra elementar: acusação séria exige prova séria. Insinuações lançadas da tribuna podem produzir manchetes, mas não esclarecem a população nem substituem documentos, nomes, datas e fatos.

Se Paiva afirma que existem pessoas sem qualificação interferindo na saúde estadual, precisa dizer quem são, quais decisões teriam tomado e que prejuízos causaram. A tribuna da Câmara não pode ser transformada em palco para ilações convenientemente embaladas pelo calendário eleitoral.

O problema é que a cobrança agora voltou como um bumerangue. Samir Bestene acusa Matheus Paiva de ter sido eleito com o suposto auxílio da estrutura do Detran e afirma que, atualmente, a Fundhacre estaria sendo politicamente utilizada em favor de candidaturas apoiadas pelo vereador e por sua companheira, que ocupa posição de comando na instituição.

São acusações graves e que igualmente precisam ser comprovadas. Mas elas impõem a Matheus Paiva uma obrigação incontornável: explicar de maneira transparente como construiu sua eleição, qual foi sua relação política com o Detran e se existe ou não interferência eleitoral dentro da Fundhacre.

Quem aponta o dedo para a casa alheia precisa mostrar que a própria varanda está limpa.

Paiva também deve esclarecer se pessoas ligadas à candidatura de Samir sofreram perseguições ou tiveram exonerações pedidas em razão de suas escolhas eleitorais. Se isso ocorreu, há um problema gravíssimo. Se não ocorreu, cabe apresentar fatos capazes de desmontar a denúncia.

A proximidade íntima do parlamentar com a gestora da Fundhacre não constitui, por si só, qualquer irregularidade. Mas, diante das acusações públicas, torna indispensável demonstrar que essa relação não está sendo convertida em vantagem eleitoral, pressão sobre servidores ou uso político da estrutura hospitalar.

Também chama atenção o alvo escolhido. Samir Bestene é candidato em crescimento e tenta ampliar espaço dentro de um campo eleitoral disputado. Matheus Paiva precisa esclarecer se sua manifestação nasceu de uma preocupação verdadeira com a saúde pública ou se pretende apenas desgastar e neutralizar um adversário que começou a incomodar.

O cidadão não pode ser obrigado a escolher entre versões recheadas de insinuações. Matheus acusou, Samir respondeu e devolveu acusações ainda mais pesadas. Agora, ambos devem apresentar provas.

No caso de Matheus Paiva, a responsabilidade é ainda maior: além de vereador e advogado, foi ele quem ajudou a abrir essa caixa. Quem provoca o debate não pode fugir quando as perguntas chegam ao próprio endereço.

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