O SERINGAL

TEM CAROÇO NESSE ANGU: suposto hackeamento coloca candidatura de Flávio Bolsonaro contra o relógio eleitoral

A situação da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro passou a ser tratada com preocupação. O senador, que havia deixado o registro para a reta final do calendário eleitoral, agora enfrenta o problema de um suposto hackeamento que teria impedido a conclusão do procedimento.

A escolha de deixar tudo para os últimos dias transformou um problema técnico em uma corrida contra o relógio. O prazo final para o registro das candidaturas termina às 19 horas deste sábado, dia 15. E, quando se está a poucas horas do fechamento do sistema, qualquer falha deixa de ser detalhe e vira risco político e jurídico.

O ponto decisivo será saber se a equipe do PL conseguirá demonstrar à Justiça Eleitoral, com registros técnicos e documentação, que houve de fato uma invasão ou indisponibilidade capaz de impedir o protocolo. Não basta alegar que o sistema foi atacado. Será preciso provar o que ocorreu, quando ocorreu e de que forma isso impediu a formalização da candidatura.

Se o registro for concluído dentro do prazo, o episódio ficará restrito ao constrangimento de uma candidatura presidencial que quase tropeçou na própria burocracia. Mas, se o problema persistir até o fechamento do prazo, Flávio terá de recorrer à Justiça Eleitoral e sustentar que uma circunstância excepcional impediu o cumprimento da exigência.

É aí que mora o perigo. O prazo eleitoral é objetivo e não costuma ser flexibilizado simplesmente porque um candidato encontrou dificuldades de última hora. A Justiça terá de separar uma falha comprovadamente extraordinária de uma eventual demora da própria campanha em organizar documentação e protocolar o pedido.

O bastidor, portanto, é de tensão. Flávio Bolsonaro decidiu jogar o registro para a reta final — a própria equipe havia informado que o pedido ficaria para esta quinta-feira, restando apenas dois dias até o prazo final. Agora, qualquer suposto hackeamento coloca a candidatura numa zona de incerteza justamente quando não há mais espaço para erros.

Em política, deixar para a última hora sempre foi uma estratégia arriscada. Na eleição, pode virar um problema com data e hora para explodir.

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