Estudo divulgado nesta quinta-feira (22) aponta que o corte de quase R$ 200 bilhões nas despesas públicas pode reduzir o crescimento econômico, afetar a renda das famílias e provocar recessão em 2027.
A proposta de ajuste fiscal defendida pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), conhecida como “tesouraço”, poderá resultar na eliminação de até 2,2 milhões de postos de trabalho no Brasil. O alerta consta de estudo divulgado nesta quinta-feira (22) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais.
O levantamento, elaborado a pedido de centrais sindicais, estima que um ajuste próximo de R$ 200 bilhões poderá provocar um impacto negativo de R$ 203,1 bilhões sobre o Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a uma redução de 1,55% em relação ao cenário sem os cortes.
As projeções também indicam uma diminuição de R$ 68,7 bilhões na massa salarial dos trabalhadores e uma perda de R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária em 2027. Segundo o Dieese, a queda na receita pública poderia consumir aproximadamente 40% da economia bruta proporcionada pelo ajuste.
O estudo chama atenção para os possíveis efeitos sobre aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, abono salarial e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Na simulação realizada pelos economistas, 51% da redução de despesas atingiria transferências de renda, 17% despesas com pessoal e 32% outras despesas federais.
Em um dos cenários analisados, o crescimento econômico previsto para 2027 cairia de 2,46% para apenas 0,91%. Em outro, o país poderia registrar retração de 0,15% no PIB, com o número de desempregados chegando a 7,4 milhões de brasileiros.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que pretende realizar o ajuste sem reduzir benefícios sociais. Entre as medidas anunciadas estão a extinção de pelo menos dez ministérios, a redução de cargos e despesas administrativas e o aproveitamento de imóveis públicos para geração de receitas.
A divulgação do estudo acrescenta novos elementos ao debate sobre as contas públicas, o emprego e a proteção social, temas que ocupam espaço na reta final da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
